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A identidade do aluno da Unipampa

Educação

A identidade do aluno da Unipampa, Universidade Um Sonho Realizado, Universidade Federal do Pampa, Campus Bagé Curso, Minha experiência nova em uma nova Universidade.


A construção de identidades dos/das alunos/alunas da Unipampa

Autores: Eduardo Ruiz Alves (UFPel-Unipampa/SMED-Bagé)
Cássia Camila C. Fernandes (UFPel-Unipampa)
Co-autores: Cristiane Lazzarotto (UFPel-Unipampa/UCPel)
Fabiana M.T. Nunes (UFPel-Unipampa)


De acordo com Hall (2005), o sujeito pós-moderno não apresenta uma identidade fixa, essencial ou permanente, pois ela é continuamente transformada pelos sistemas culturais que nos rodeiam. Dessa forma, entendemos que a identidade é construída à medida que os sistemas de significação e representação cultural se ampliam, permitindo ao sujeito localizar-se de diferentes formas na sociedade.
Como nos ensina Bauman (2005), o conceito de identidade é uma entidade abstrata, virtual e sem existência concreta. A identidade possui por definição uma dimensão conflitiva, porém é essencial como ponto de referência para os grupos sociais, já que une na diversidade e permanece na mudança. Construir identidade, para Bauman (op cit.), significa um processo de classificação e reclassificação dos grupos em categorias socialmente construídas a partir de certos elementos culturais, tomados como referência pelo grupo em relação a outro(s) grupo(s), tais como: a língua, religião, rito, raça, nação, símbolos, etc.
Dessa maneira, o conceito de identidade, entendido como reconhecimento de pessoas ou grupos sociais, pressupõe inconscientemente a idéia de alteridade, pois aquele só se constrói a partir desta. E, se há um “eu” e um Outro, a possibilidade do conflito, ou disputa de poder, já está instalada. Não haveria sentido para os grupos se identificarem a partir de certos elementos culturais próprios e diferenciados se não houvesse um conjunto de Outros em contraposição, ou seja: identificar-se como grupo é diferenciar-se em relação a outros grupos. Como decorrência disso, o conceito “identidade” não é algo estático e atemporal, e sim dinâmico e socialmente construído em resposta às necessidades dos grupos em um determinado contexto histórico.
Diante disso, podemos afirmar que a universidade é um espaço em que os sujeitos que a freqüentam passam a construir identidades relativas a esse contexto social, as quais são heterogêneas, incompletas e impermanentes.
Neste trabalho, nosso objetivo é verificar a construção de identidades dos alunos da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), uma universidade pública federal recém criada, cuja sede localiza-se na cidade de Bagé – Rio Grande do Sul. A criação dessa universidade é uma experiência nova e diferente no cenário acadêmico bageense e, por isso mesmo, desafiadoras, frente aos tradicionais conceitos e práticas do fazer universitário.
O investimento em infra-estrutura física, em prédios e laboratórios, em lugares físicos de trabalho, faz parte da construção de uma universidade. No entanto, mais que isso, a construção de uma universidade se dá pelo seu sentido, que vai da produção do conhecimento à qualificação das condições de vida da sociedade, da ciência à vida com qualidade. No decorrer dessa caminhada, está a necessidade dos investimentos em obras físicas, em qualificação de pessoas, em estruturação de áreas de pesquisa, de programas de ensino e de atividades de pesquisa e de extensão e, principalmente, a necessidade de investir no crescimento pessoal de cada um.
Um fato extremamente relevante na história dessa recém-criada instituição é o fato de ela ter surgido a partir de uma mobilização popular em prol da federalização de uma universidade privada já existente na cidade. Por questões legais, a federalização dessa universidade privada não foi possível, no entanto, a mobilização surtiu efeito e, em visita a Bagé, o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, anunciou a mais de 50 mil pessoas a criação de uma nova universidade federal na região – a Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA.
Nesse momento, a Unipampa existe de fato, tendo iniciado suas atividades de ensino em setembro de 2006, porém não existe de direito, estando sob a tutela das Universidades Federais de Pelotas e Santa Maria, até que o projeto de lei que a cria seja aprovado nas instâncias devidas.
Partindo do entendimento de que as identidades sociais são criadas no/pelo discurso, este trabalho pretende analisar a identidade que os/as alunos/as da Unipampa estão construindo, mais especificamente do 1º semestre do Curso de Letras Português/Inglês, estão construindo em relação ao que é ser aluno/a dessa universidade, no atual momento histórico dessa instituição, através da análise de textos escritos. Esses discursos resultam de uma atividade de produção textual proposta pela professora da disciplina de Introdução aos Estudos Lingüísticos, co-autora desse trabalho. A instrução dada foi que estava sendo feita uma pesquisa e que necessitávamos saber como os/as acadêmicos/as se sentiam em relação ao fato de serem alunos/as da Unipampa. Para tanto, deveriam elaborar um texto escrito no qual pudessem relatar suas opiniões e sentimentos em relação a esse fato. Esse texto não precisava conter a identificação de seu/sua autor/a.
A análise dos textos escritos pelos alunos se dará com base nos pressupostos das Teorias do Discurso, em especial as de linha francesa, que surgiu na França, nos anos 60, a partir dos estudos do filósofo Michel Pêcheux. Seu campo epistemológico reside na articulação de três áreas do conhecimento (Pêcheux e Fuchs, [1975], 1993, p. 163-164):
• o materialismo histórico, concebido por Marx e Engels, “como teoria das formações sociais e de suas transformações, compreendida aí a teoria das ideologias”;
• a lingüística, “como teoria dos mecanismos sintáticos e dos processos de enunciação...”;
• a teoria do discurso, “como teoria da determinação histórica dos processos semânticos”.
Além disso, essas três áreas do saber são atravessadas e articuladas por uma teoria da subjetividade, de origem psicanalítica freudo-lacaniana.
O objeto de estudo da AD não é a língua enquanto estrutura formal, imanente, mas os processos e as condições de produção da linguagem, através da análise da relação existente entre língua e sujeito que a fala, na situação em que é falada. O discurso é visto como um objeto sócio-histórico, em que o lingüístico intervém como pressuposto (Orlandi, 1999). Para Pêcheux [1975], (1995), não há discurso sem sujeito e não há sujeito sem ideologia, assim o discurso é o lugar em que se pode observar a relação entre língua e ideologia, compreendendo como a língua produz sentidos por/para os sujeitos.
O sistema lingüístico, visto como um conjunto de estruturas fonológicas, morfológicas e sintáticas, constitui precisamente o objeto da Lingüística. É sobre a base das leis internas, às quais a língua é submetida, que se desenvolvem os processos discursivos e esses, por sua vez, se inscrevem numa relação ideológica de classes (Pêcheux, [1975], 1995).
Para a AD:
“a língua tem sua ordem própria, mas só é relativamente autônoma (distinguindo-se da Lingüística, ela re-introduz a noção de sujeito e de situação na análise da linguagem), a história tem seu real afetado pelo simbólico (...) e o sujeito de linguagem é descentrado, pois é afetado pelo real da língua e também pelo real da história, não tendo o controle sobre o modo como elas o afetam. Isso redunda em dizer que o sujeito discursivo funciona pelo inconsciente e pela ideologia” (Orlandi 1999, p. 19-20).

Segundo Hoey (1991) a coesão de significado de um texto é expressa através do recorte vocabular que o autor do texto faz. Levando em conta esta idéia, é possível ponderar que as escolhas lexicais dos alunos da Unipampa seguem uma lógica de significado. Esta lógica começa com a construção de uma imagem da Unipampa e do aluno dessa universidade para, então, apontar como estas duas identidades se completam. Outro ponto importante é que o trabalho do analista do discurso não é o de segmentação exaustiva dos elementos lingüísticos contidos nos textos objetos de análise, mas a identificação de certas marcas lingüísticas que remetem para as diferentes posições ideológicas.
Assim, para procedermos à análise dos textos produzidos pelos/as acadêmicos/a da Unipampa, optamos em utilizar o termo “formulações de referência” - FR (Treptow, 2003) para designar os enunciados retirados do nível do intradiscurso, os quais formarão o corpus discursivo deste trabalho. Cada FR será seguida de uma letra que identifica cada sujeito dessa pesquisa.
Não se tem aqui, portanto, a pretensão de desenvolver uma reflexão teórica sobre a Universidade Federal do Pampa. Trata-se da análise e interpretação de discursos produzidos por aluno/as dessa universidade, através das quais, por um processo de reflexão crítica, pode contribuir para o processo de crescimento da instituição e de seus atores sociais. Ao final do trabalho, as produções textuais usadas encontram-se anexadas na íntegra.
Entre dúvidas, uma certeza: parte do processo
A análise do corpus discursivo se dará a partir de excertos que abordam a questão de certezas e incertezas em relação à universidade, demonstrando o quanto esses sujeitos apresentam conflito em relação ao futuro dessa nova instituição (com todo o “peso” que a palavra carrega) e, em conseqüência disso, de sua própria caminhada e identificação enquanto alunos dela.
FR L
1) Posso dizer que me sinto honrado em fazer parte das primeiras turmas que irão se formar nessa universidade, ela que sempre foi ansiada pelos Bajeenses, hoje é realidade graças a todos aqueles que de alguma forma colaboraram para a realização desse maravilhoso projeto.
2) Como aluno dessa universidade, vejo-me no dever de defendê-la e ajudá-la para que cada vez mais firme raiz nessa terra, e que traga consigo, esperança de vidas melhores não só aos bajeenses, mas a todos que por ela passarem.
3) Mas agora falarei um pouco de todas as pessoas que estão fazendo com que esta experiência torne-se algo que jamais esquecerei, pois sinto que somos todos uma família e que por cinco anos trabalharemos juntos para que o objetivo de cada um seja alcançado e que não sejamos apenas formandos, mas formandos do curso de letras da unipampa.
No excerto 1, a forma verbal ir, no futuro do presente, e a expressão primeiras turmas mostram a certeza do aluno em relação à continuidade da universidade, assim como no excerto apresentado em (3), em que o acadêmico refere que por cinco anos trabalharemos todos juntos. A expressão hoje é realidade indica que o aluno tem a consciência de houve um tempo em que não era real a existência da universidade, mas, para ele, hoje ela existe, não sendo mais apenas um maravilhoso projeto, mesmo que ainda não possua instalações físicas próprias e definitivas, por exemplo.
Ao mesmo tempo em que demonstra certeza em relação à continuidade da universidade no trecho cada vez mais firme raiz – e, já tendo criado raiz, é improvável que não “vingue” (no sentido de “chegar à maturidade”, tal como uma planta) – o aluno deixa transparecer seu receio, pois se não há possibilidade de perdê-la, por que defendê-la e ajudá-la para que cada vez mais firme raiz. Parece que essa “raiz” não está bem fixa. Além disso, o uso da expressão cada vez mais, sugere que esse enraizamento ainda seja superficial, já que o advérbio mais, nesse caso, designa maior intensidade. De qualquer forma, o aluno já se identifica como um formando da Unipampa e do curso de Letras, o que mostra claramente o seu lugar de pertencimento na universidade.
Ao afirmar que ela é realidade graças a todos aqueles que (...), parece que o aluno não se inclui nesse processo de concretização, não se identificando como parte do processo. Já no excerto (2), vemos a contradição que o aluno deixa transparecer em seu discurso, ao afirmar que como aluno dessa universidade, vejo-me no dever de defendê-la e ajudá-la para que cada vez mais firme raiz nessa terra (...), ele diz que é parte do processo de “enraizamento” da instituição e, não só, aqueles que. Talvez não seja exatamente uma contradição, mas apenas o movimento do aluno que já se sente como parte da instituição e não somente aqueles que.
FR U
1) Me sinto muito feliz por ser aluno da Unipampa, pois apesar dela ainda não ter um reconhecimento que deveria ter como Universidade Federal, nos passa a sensação de um futuro muito promissor.

2) Certos problemas como a demora para contratar um professor substituto para Inglês, que já estamos a um semestre sem esta cadeira, mas temos que entender que a universidade esta apenas começando e também depende de outra Universidade, ou seja, não tem autonomia própria ainda.

Levando em conta todo o contexto do trecho transcrito em (1), podemos perceber que a razão pela qual o aluno está muito feliz é o fato de a universidade passar a sensação de um futuro muito promissor, o que, de acordo com o aluno, não é característica de uma universidade que não é reconhecida. Essa interpretação se torna possível a partir da utilização da palavra apesar.
Quando diz que ela ainda não tem um reconhecimento que deveria, o advérbio ainda manifesta expectativa e certeza de que a Unipampa será reconhecida como Universidade Federal. Em nosso meio cultural, tem-se a impressão de que a universidade federal é mais valorizada que uma instituição privada ou estadual, pois causa um “encantamento” em quem nela ingressa, já que é vista como “qualificada”, como “concorrida”. O aluno crê que essa sua expectativa quanto ao status das Federais também será atribuído à Unipampa. O verbo deveria mostra claramente sua opinião em relação à universidade, ou seja, ela já tem condições de ser reconhecida, mas ainda não o foi.
No excerto 2, o aluno refere que temos que entender que a universidade esta apenas começando. Nesse momento, é possível notarmos que, para ele, o papel do aluno da Unipampa é entender os problemas que ela apresenta por estar em fase de implantação. Ao dizer que a universidade não tem autonomia própria ainda, deixa visível sua certeza de que a Unipampa terá autonomia própria, é possível concluir isso se levarmos em conta o advérbio ainda. Contudo, também transparece uma certa idealização dessa universidade ainda não-autônoma, dando a impressão que as dificuldades administrativas, por exemplo, terminarão quando ela passar a existir independentemente de sua atual gestora.
FR - D
1) Quando cheguei de São Paulo para construir uma nova vida aqui no Sul, o vestibular da Unipampa tinha aberto inscrições. Por que não tentar? Afinal de contas, não teria que arcar com despesas com mensalidade durante quatro ou cinco anos.
No trecho sublinhado é possível notarmos que, apesar de o aluno demonstrar ter escolhido a Unipampa mais pelo fato de ser gratuita do que pela instituição em si, ou por qualquer outro motivo, ele não tem dúvidas quanto ao futuro da universidade, pois não terá despesas com mensalidade durante quatro ou cinco anos. O advérbio durante carrega um significado de permanência, continuidade ao longo do tempo.
FR - C
1) A Unipampa, com suas dificuldades vai gradativamente se impondo graças principalmente à boa vontade e abnegação de professores e diretores. Nós alunos vamos cumprindo também nosso papel. Estamos chegando ao final do primeiro semestre com muita esperança e um desejo que se renova diariamente durante as aulas de aprender, aprender, aprender... e futuramente será nossa vez,com abnegação e responsabilidade, de disseminar o saber.
No excerto acima, verificamos a utilização do advérbio gradativamente, o que traz a idéia de continuidade e incompletude da “imposição” da universidade. À propósito do verbo impor-se, também podemos entender que o acadêmico dá a idéia de que o processo de implantação da universidade não tem sido fácil, que é preciso “impor-se sobre as dificuldades”. O aluno também relata que se sente parte do processo de “imposição”, pois refere que nós os alunos vamos cumprindo também nosso papel, isso quer dizer que a implementação da universidade não depende somente daqueles que nela trabalham, mas de todos os envolvidos, inclusive ele próprio. Podemos inferir que esse aluno, de fato, acredita que a universidade pública é um espaço de construção conjunta e democrática, conforme está estabelecido na legislação do país atualmente.
FR – DD
1) Como todo(a) jovem, eu, sempre sonhei em fazer parte de uma Universidade Federal, desenvolver um curso superior, ampliar horizontes. Pois bem, curso Letras em uma instituição “saída do forno”, a Universidade Federal do Pampa. Desafios temos todos os dias. Imperfeições, esbarramos nelas a cada hora, o diferencial é como crescemos em cima delas.

2) Percebo que “arriscar-se” em uma instituição que dá seus primeiros passos é desbravador e ao mesmo tempo nebuloso. Não sabemos com clareza onde fincarmos os pés, mas queremos construir um espaço educacional que proporcione amadurecimento, conhecimento e crescimento tanto do educador, quanto do educando. Tenho imensa alegria e satisfação de ser e reconhecer-me como parte desta Universidade.
No excerto (1), percebemos que o aluno considera que todo e qualquer jovem sonha em ser aluno de uma universidade federal, não importando qual, devido ao status que isso acarreta. No seu caso especificamente, mostra que sua universidade federal é uma saída do forno. Para ele, ser aluno de uma universidade em construção é um desafio, pois a universidade ainda tem imperfeições, falhas. Ao utilizar a expressão adverbial “em cima”, no trecho: o diferencial é como crescemos em cima delas (imperfeições), sugere que elas podem ser superadas, que é possível crescer a partir delas. O uso da palavra esbarramos mostra que as imperfeições não são algo que impossibilita o processo de crescimento. O aluno, a universidade, “esbarram” nas imperfeições, porém elas não são capazes de barrá-los.
A dúvida, da mesma forma que em outros discursos aqui analisados, também está expressa no excerto (2), ao escrever que arriscar-se em uma instituição que dá seus primeiros passos é desbravador e ao mesmo tempo nebuloso. A própria expressão arriscar-se já carrega consigo a incerteza e o receio com algo novo, bem como a palavra desbravador, que significa “pisar” onde ninguém pisou – o que remete à idéia de aventura, de descoberta, que prepara o terreno, que abre caminho; próprio de quem é pioneiro, de quem “se arrisca” por lugares sombrios, escuros, ameaçadores, logo, “nebulosos”.
Contudo, mesmo não sabendo onde fincar os pés, ao utilizar a conjunção mas, o aluno quer construir um espaço educacional que proporcione amadurecimento, conhecimento e crescimento tanto do educador, quanto do educando. Para esse discente, também é seu papel participar da construção da universidade e que o espaço acadêmico é um espaço de aprendizagem para todos, tanto professores quanto alunos.
O último trecho mostra a afetividade e o prazer do aluno em relação a ser aluno da Unipampa, mas não só isso, em ser parte da Unipampa, mesmo que uma universidade em construção, e sentir que faz parte desse processo de implantação.
Considerações finais
Ao concluir este trabalho, verificamos que as Teorias do Discurso são capazes de auxiliar no estudo e análise da formação de identidades de alunos/as da Unipampa, neste momento de sua história, o início de sua implantação. Os acadêmicos do Curso de Letras demonstram, em vários momentos, que já se identificam como parte da instituição e como parte do processo. Deixam claro que a formação de suas identidades como alunos é ambígua e fragmentada, assim como o são todas, pois ao mesmo tempo em que sentem orgulho por estarem em uma universidade federal, sentem medo e/ou receio de sua falta de “raízes”.
Apesar disso, seus discursos parecem demonstrar claramente que esse é apenas um momento da história da Unipampa e que há confiança em sua permanência, fortalecimento e reconhecimento. Fica evidenciado nos textos o orgulho de estudar em uma Universidade Federal (mostrando, com isso, o status, o “encantamento”, a idéia que se tem de uma Federal). Por este motivo, as dificuldades de cunho administrativo não enfraquecem as expectativas por uma graduação de qualidade, apesar da insegurança que causam.
Por fim, podemos concluir que nosso objetivo era analisar a identidade do aluno da Unipampa, no entanto, acabamos por analisar a identidade da própria Unipampa. Uma pessoa quando entra em uma universidade começa a formar sua identidade universitária, mas quando a universidade ainda não tem uma identidade formada, fica mais difícil de definir a identidade do aluno. Nesse caso, do aluno da Unipampa, a identidade dele é mais ambígua e fragmentada que todas as outras, se confrontarmos com a identidade de universitários de outras instituições. 

Anexos – textos escritos produzidos pelos participantes do estudo

Aluno da Unipampa:

Me sinto muito feliz por ser aluno da Unipampa, pois apesar dela ainda não ter um reconhecimento que deveria ter como Universidade Federal, nos passa a sensação de um futuro muito promissor.

Certos problemas como a demora para contratar um professor substituto para Inglês, que já estamos a um semestre sem esta cadeira, mas temos que entender que a universidade esta apenas começando e também depende de outra Universidade, ou seja, não tem autonomia própria ainda.

Escolhi a Unipampa porque não tenho condições financeiras de pagar Universidade particular, já havia feito quatro vestibulares em universidade particular sendo aprovado em todos, mas não podendo ingressar por falta de dinheiro, quando a Unipampa surgiu então vi uma grande oportunidade, logo prestei vestibular para engenharia computacional, pois tenho facilidade com computadores, tanto em hardware como software, mas não tirei nenhuma nota suficiente para ingressar. Então fiz um cursinho preparatório e resolvi prestar vestibular para letras Português Inglês, meu interesse maior por Inglês (que ainda não tive aula), e por português, interesse pela Gramática para concursos (que também não é no primeiro semestre).

Pensei em desistir por causa de problemas com meu emprego, mas como acabei saindo do emprego, tornei a me dedicar mais aos estudos. Em meu novo trabalho a faculdade de letras teve grande importância pois possui a necessidade de inglês nesta nova atividade, atenuante no novo trabalho. Então tenho me esforçado no inglês, sem auxilio da faculdade, com amigos e a internet.

Estou muito feliz em ser aluno do curso de letras da Unipampa, as vezes penso em mudar para engenharia, as vezes em ser professor, as vezes em ser tradutor. Tenho muitas duvidas sobre meu futuro Acadêmico , mas acredito que com o tempo elas vão se esclarecendo e então vou saber que caminho seguir, mas uma coisa é certa : parar de estudar nunca mais!

Minha experiência nova em uma nova Universidade

Como todo (a) jovem, eu, sempre sonhei em fazer parte de uma Universidade Federal, desenvolver um curso superior, ampliar horizontes. Pois bem, curso Letras em uma instituição "saída do forno", a Universidade Federal do Pampa.

Desafios temos todos os dias. Imperfeições, esbarramos nelas a cada hora, o diferencial é como crescemos em cima delas. Percebo que "arriscar-se" em uma instituição que dá seus primeiros passos é desbravador e ao mesmo tempo nebuloso. Não sabemos, com clareza, onde fincarmos os pés, mas queremos construir um espaço educacional que proporcione amadurecimento, conhecimento e crescimento tanto do educador quanto do educando.

Tenho imensa alegria e satisfação de ser e de reconhecer-me como parte desta Universidade.

Penso que a missão desta instituição seja mais desafiadora que as demais cidades que também cediam uma Universidade Federal. Pois nesta região fronteiriça, pouco desafiada na educação e intimamente ligada a valorização das "lidas do campo", cresce a cada dia o desejo de expandir o conhecimento para uma maior e melhor vivência, aprendizado, acessibilidade a tantos jovens que, ainda precisam deixar suas cidades para conquistar o acesso à educação de qualidade.

Desta maneira, portanto, começa um processo de crescimento cultural, uma valorização da própria cidade e se respira um novo ar de progresso, o progresso que vem da educação.

Quando cheguei de São Paulo para construir uma nova vida aqui no Sul, o vestibular da Unipampa tinha aberto inscrições. Por que não tentar? Afinal de contas, não teria que arcar com despesas com mensalidade durante quatro ou cinco anos. Como educadora física tinha interesse em fazer um curso de especialização na área e, como qualquer profissional que busca (re) colocação no mercado de trabalho, dar continuidade ao meu curso de inglês. Quando analisei os cursos disponíveis na nova universidade de Bagé, com o curso de letras português / inglês, atingiria meu segundo objetivo: aprimorar meu conhecimento de uma segunda língua e, ao mesmo tempo, poderia aproveitar para aprimorar minha redação para, quem sabe, concorrer a uma vaga em algum concurso publico. Afinal de contas, professores de português escrevem bem.

Para minha surpresa em maio comecei a cursar minha primeira universidade federal. Primeiro susto: a matéria que me levou a ingressar neste curso estava sem professor desde o semestre anterior, isto é a turma do segundo semestre não tinha tido contato ainda com aulas de inglês. Como não tinha grandes expectativas com relação ao curso, não tive grandes decepções. Porem a cada aula que assistia o curso me parecia mais interessante, comecei a ter verdadeiramente a noção do que era um curso de letras. Os temas abordados, a forma com que eram analisados, as aulas interativas, que contavam com a participação empolgante de toda a turma e a dedicação com que os professores ministravam a aula, motivos esses que posso afirmar categoricamente que hoje estou apaixonada pelo que estou fazendo e me dedicando com todo o prazer para aproveitar cada conteúdo apresentado.

Hoje me pergunto qual área seguirei meus estudos. Mas não tenho duvidas que estou no caminho certo e tenho muito orgulho do curso que estou fazendo.

Universidade Federal do Pampa - Campus Bagé Curso - Letras (Inglês)

Posso dizer que me sinto honrado em fazer parte das primeiras turmas que irão se formar nessa universidade, ela que sempre foi ansiada pelos Bajeenses, hoje é realidade graças a todos aqueles que de alguma forma colaboraram para a realização desse maravilhoso projeto.

Como aluno dessa universidade, vejo-me no dever de defendê-la e ajudá-la para que cada vez mais firme raiz nessa terra, e traga consigo esperança de vidas melhores não só aos Bajeenses, mas a todos que por ela passarem. Para mim, estar freqüentando o curso de letras/port./inglês é estar ajudando a construir um sonho que sempre esteve ao meu lado. Não sei porque, mas me apropriei de uma frase cujo o autor não me lembro, mas que sintetiza o que sinto ao estar letras "se não for professor não serei mais nada". Essa é a verdadeira razão pela qual prestei vestibular, pois sempre soube que o Dom de ensinar em mim habita por muito tempo.

Mas agora falarei um pouco de todas as pessoas que estão fazendo com que esta experiência torne-se algo que jamais esquecerei, pois sinto que somos todos uma família e que por cinco anos trabalharemos juntos para que o objetivo de cada um seja alcançado e que não sejamos apenas formandos, mas formandos do curso de letras da Unipampa. Obrigado professoras e colegas por estarem fazendo com que já nesses primeiro semestre , cada aula se torne tão prazerosa , seja pela amizade entre professores e alunos, seja pela interação, conhecimento e clareza no ensino, enfim, tudo e todos são motivos de sobra pra dizer que o curso de letras/port./inglês da Unipampa é o melhor curso, por que é meu curso.

Universidade Um Sonho Realizado

Gostaria de relatar a vocês, o sonho que realizei neste momento de minha vida, entrar e ser aluno de uma Universidade Publica Federal, que se chama UNIPAMPA. Vencendo um vestibular que para mim fim muito difícil, sem estudar a vinte três anos, foi com certeza um novo principio, uma nova vida.

Agora tenho a oportunidade de expressar, tudo aquilo que gostaria que meu pai presenciasse se estivesse em nosso meio.

A felicidade é tão grande, de , de ser um universitário, estou com quarenta e cinco anos, sou pai de duas filhas maravilhosas, e ter muito orgulho de ser um espelho positivo para elas, quero que se preparem para serem pessoas especiais. Eu escolhi o curso de Letras Português / Inglês, não vou exagerar dizendo que preciso absorver o hábito da leitura e conseqüentemente o valioso conhecimento, de português e inglês, isso nos ajudara a dar um sentido intelectual e profissional, mais amplo na nossa vida.
Para eu estudar é muito difícil, fazer faculdade à noite e trabalhar todo o dia de segunda a sábado, de forma intensa, o meu desafio consiste em transformar esse estudo, em uma atividade prazerosa, pois já esta tendo o efeito necessário, de crescimento como pessoa e também da família.

Essa experiência é fantástica, com início das aulas, esse primeiro semestre me fez conhecer novas pessoas e novos mestres, mestres estes que empenham-se de tal forma para ensinar, transmitir seus conhecimentos, embora, como já sabemos a Faculdade está em período de implantação, e com isso, acertos, erros, ajustes, etc, passaram por nós, os pioneiros.

Assim sendo, precisamos nos preparar cada vez mais para sermos competitivos e para ensinarmos nossos filhos a serem pessoas competitivas também.

Por fim, fiz a opção de ser feliz, já possuo uma família, e tantas coisas maravilhosas na vida. para coroar essa felicidade, faltava a Universidade do Pampa.

Desde então, descobri que minha vida tem muito mais razões para ser feliz do que infeliz. Agradeço todos os dias por este momento.

Ser aluno do curso de Português / Inglês

Eu estava há quase 25 anos fora da escola. Fizera alguns concursos públicos com boa classificação. Com o advento da Unipampa, mais para verificar o grau de atualização em relação ao mercado, resolvi prestar concurso vestibular. Na primeira tentativa não logrei êxito, mas na segunda, mesmo sem preparação alguma, fui classificado. Não precisa dizer que meu "ego" se sentiu valorizado. Houve também outro motivo que me influenciou na escolha do curso, a língua inglesa. Na atividade profissional sentia falta de um conhecimento mais aprofundado do idioma. A maioria dos manuais, folhetos explicativos de equipamentos e máquinas utilizados no dia a dia são escritos na língua inglesa. Fiquei frustrado ao iniciar as aulas sem ter o professor da matéria que me influenciara sobremaneira na hora da escolha. Porém ao começar o ano letivo, a convivência diária com os colegas me fez repensar uma série de conceitos, desejos e aspirações. A turma é muito boa, as aulas são quase que um passa tempo gostoso e isto me deu mais ânimo para continuar. Embora não tenha pretensão, pelo menos em primeiro plano, de um dia ser professor, a experiência é muito interessante no sentido de alargar horizontes, melhorar o astral e principalmente aumentar o nível de conhecimento e cultura. Afinal o saber só faz bem. A Unipampa, com suas dificuldades vai gradativamente se impondo graças principalmente à boa vontade e abnegação de professores e diretores. Nós alunos vamos cumprindo também nosso papel. Estamos chegando ao final do primeiro semestre com muita esperança e um desejo que se renova diariamente durante as aulas de aprender, aprender, aprender... e futuramente será nossa vez, com abnegação e responsabilidade, de disseminar o saber.


Publicado por: cassia camila

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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