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A ESCOLARIZAÇÃO PÚBLICA ESTADUAL EM SÃO PAULO: REGIÕES PERIFÉRICAS X REGIÕES NOBRES

Educação

Comparação da qualidade e funcionamento de escolas estaduais localizadas em regiões periféricas com escolas estaduais localizadas em regiões nobres da cidade de São Paulo, tendo como critério de escolha dos bairros o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH.

RESUMO

A escolarização pública estadual em São Paulo possui uma história de grande exclusão e defasagem no ensino. O cenário atual não é diferente. Mas existe ainda um agravante para algumas escolas: sua localização. Escolas de regiões periféricas possuem um rendimento ainda menor que escolas de regiões nobres. Um dos modos de separar o que é periférico do que é nobre é pelo IDH, o que foi utilizado nesse trabalho. Foram selecionados dois bairros nobres (Lapa e Perdizes), dois periféricos (Jaraguá e Perus) e Pirituba que é um bairro intermediário para serem trabalhos. A pesquisa, que se limita a visitas presenciais e buscas on-line e usa o método de indução, busca entender o porquê dessa maior defasagem em escolas de regiões consideradas periféricas. O resultado precisa ser mais trabalhado já que as hipóteses apresentadas pelo grupo foram esgotadas. (Defasagem entre relação verba/aluno, relação aluno/professor, relação psicólogo/aluno e relação pedagogo/aluno nos dois tipos de recortes de escola). Além do maior desempenho de alunos de escolas de regiões nobres, foi descoberto também que em escolas de regiões periféricas o número de casos de assédio e bullying é maior.

Palavras–chave: bullying, escolas, estaduais, IDH, rendimento

INTRODUÇÃO

A escola é uma instituição para onde vão pessoas, denominadas alunos, que possuem o intuito de aprender. Pode-se definir aprender, no ambiente escolar, como o ato de ser escolarizado. No caso do Brasil, significa ter uma grade horária que possua espaço para abordar diversos temas de diversas áreas do conhecimento. (Conceito de, s/d)

Existem escolas públicas em todo o mundo, mas cada uma funciona de uma forma, mesmo que estejam em regiões muito próximas. Isso influencia diretamente na escolarização do indivíduo, afinal a escola é o ambiente onde os alunos passam, geralmente, de quatro a nove horas por dia durante cinco dias na semana (Gazeta do povo, 2009) (Secretária da educação, 2017).

Dentro da área de escolas públicas o foco dessa pesquisa é na rede estadual, pois a maior parte dos estudantes de ensino fundamental e ensino médio, totalizando mais quatro milhões na rede paulista, estudam em escolas dessa rede. (Censo escolar, 2014)

Este projeto tem como objetivo comparar a qualidade e o funcionamento de escolas estaduais localizadas em regiões periféricas com escolas estaduais localizadas em regiões nobres da cidade de São Paulo. O critério de escolha dos bairros foi o IDH (índice de desenvolvimento humano), pois este engloba todos os interesses de análise do grupo. E junto com este, foi levado em conta a proximidade com o Instituto. A pesquisa engloba também o bairro de Pirituba, que é um intermediário, pois esse é de interesse da comunidade para qual é voltado esse trabalho.

As regiões periféricas selecionadas foram Jaraguá e Perus e as regiões nobres foram Lapa e Perdizes.

As variáveis analisadas serão: relação entre o número de professores e a quantidade de alunos; relação entre profissionais da área de pedagogia e de psicologia e o número de alunos, bem como a orçamento escolar por alunos. A intenção é verificar se há diferença entre os dados das escolas das regiões com melhor IDH das escolas dos bairros com pior IDH.

Caso seja comprovado que a qualidade das escolas estaduais é desigual em função da sua região/localização, pretende-se verificar se dois fatores podem estar correlacionados a esta desigualdade: casos de assédio e bullying e desempenho escolar.

É importante dizer que desempenho escolar refere-se a avaliações sistemáticas, isto é, provas e testes aplicados para os alunos, como o SARESP 2016 e IDESP 2016 (sendo essas duas analisadas no trabalho).

Diversas são as hipóteses que podem ser levantadas com essas questões, e o projeto trabalhará com as seguintes: “Escolas de regiões periféricas recebem menos verba por aluno, por ter uma maior quantidade de alunos”, “Devido ao alto número de alunos por sala de aula e a menor quantidade de verba por aluno a qualidade do serviço das escolas estaduais de periferia é prejudicada e, consequentemente, isso afeta o desempenho dos alunos” e “A defasagem no serviço afeta questões socioescolares, como os casos de assédio e bullying. A falta de verba para contratar psicólogos e professores treinados para tais casos e não investir em palestras que abordem esses temas são exemplos de como escolas, menos favorecidas economicamente, são afetadas nos quesitos já citados”. Todas as pesquisas que fundamentaram esse projeto têm como foco confirmar as hipóteses apresentadas, e caso estejam erradas, corrigi-las.

METODOLOGIA

O projeto incorpora os três tipos de objetivos: o descritivo, o explorativo e o explicativo (sendo que esse último aparece com menos frequência) (Colaboradores, 31/01/2012). Os dados foram coletados através de pesquisas virtuais e presenciais. Os resultados foram obtidos por meio de indução, onde a partir de algumas escolas, que extraímos dados, traremos um ponto de vista geral.

O projeto traz a comparação entre duas escolas de bairros onde o IDH está entre os 20 menores da cidade de São Paulo, duas escolas onde o IDH está entre os 20 mais elevados e Pirituba, que é o bairro onde estudamos. (Estadão, 20/04/2016). O IDH foi o primeiro critério de escolha, no entanto dentro disso a seleção foi devido a proximidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia câmpus São Paulo Pirituba.

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As diferentes pesquisas trouxeram diferentes resultados:

Pesquisas virtuais: trouxeram principalmente os dados quantitativos e definições.

Pesquisas de campo: trouxeram principalmente os dados qualitativos.

RESULTADOS

A primeira questão levantada pelo grupo foi se a relação verba/aluno era diferente entre as escolas de regiões periféricas e de regiões nobres. A resposta foi que aparentemente não. Durante conversas com os coordenadores de algumas escolas, o valor citado por aluno é extremante parecido.

O mesmo acontece com a relação professor/aluno: é muito similar. No entanto foi relatado por professores e alunos em visitas presenciais às escolas de regiões periféricas que em algumas matérias há uma grande defasagem de professores, a principal queixa foi em matemática.

Já as relações psicólogo/aluno e pedagogo/aluno nem existem na maioria das escolas, já que não há representantes desses profissionais disponíveis para atender os alunos.

Na pergunta “Alunos de escolas estaduais de regiões periféricas e alunos de escolas estaduais de regiões nobres de São Paulo possuem um rendimento escolar diferente?”, a resposta obtida foi que sim. Exames como o SARESP (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de SP) e índices como o IDESP (Indicador de qualidade do ensino do Estado de SP) apontam que escolas estaduais de regiões nobres possuem maiores notas e um menor índice de evasão do que escolas de regiões periféricas, como pode ser observado na tabela 1.

Tabela 1 – Médias no SARESP de escolas de uma região periférica e de uma região nobre

Média de

Abaixo do básico

Básico

Adequado

Avançado

Escolas de Perus (região periférica)

39,45

36,83

21,25

0,18

Escolas de Perdizes (região nobre)

21,7

35,43

41,47

1,43

Fonte: Secretária de educação

Outra diferença notória foi no caso do bullying e assédio, alunos de escolas das regiões periféricas selecionadas relataram duas vezes mais casos desses do que alunos de escolas de regiões nobres.

Ou seja, a desigualdade que impulsou a pesquisa foi realmente comprovada, mas nenhuma das explicações que foram levantadas como hipótese explicou o porquê de tal.

CONCLUSÕES

Por meio deste projeto de pesquisa foi possível confirmar a hipótese de que o rendimento de alunos de escolas estaduais de regiões nobres é maior do que o rendimento de alunos de escolas estaduais de regiões periféricas, segundo o IDESP e o SARESP.

Mas diferentemente do que era acreditado pelo grupo o motivo não é divergência na verba/aluno enviada, divergência na relação aluno/professor, divergência no número de pedagogos presentes na escola para atender os alunos e divergência no número de psicólogos presentes na escola para atender os alunos.

O motivo que difere das hipóteses criadas e pesquisadas pelo grupo, não é superficial, e por isso seria necessário que a pesquisa fosse continuada para descobri-lo.

Mesmo desconhecendo o motivo, outra descoberta feita pelo grupo foi que em escolas de regiões nobres o número de casos de bullying e assédio é menor do que o de escolas de regiões periféricas.

Em uma conversa com o coordenador pedagógico Ailton José Maciel da escola Romeu de Mores, na região da Lapa, o governo propõe alguns projetos que serviriam para ajudar a escola a se desenvolver mais como o MMR, modelo de melhoria de resultados. No entanto, esses projetos não geram efeitos em nenhum dos dois recortes de escola estudadas por diversos motivos que vão desde um grupo docente pouco envolvido com o projeto até falta de insumos para que consiga se aplicar o projeto em sua plenitude.

Outra questão extremamente interessante descoberta com a pesquisa é que as escolas de regiões periféricas possuem uma defasagem altíssima, que em alguns casos atingem quase metade dos alunos. Entretanto, as escolas de regiões nobres também possuem grandes defasagens (não tão grandes quanto as das escolas de regiões periféricas, mas que também merecem grande atenção).

REFERÊNCIAS

Colaboradores. AS DIFERENÇAS ENTRE PESQUISA DESCRITIVA, EXPLORATÓRIA E EXPLICATIVA. Disponível em: <http://posgraduando.com/diferencas-pesquisa-descritiva-exploratoria-explicativa/>. Acesso em: 11 de setembro de 2017.

Estadão. IDH: OS 20 MELHORES E OS 20 PIORES DISTRITOS DE SÃO PAULO. Disponível em: <http://fotos.estadao.com.br/galerias/cidades,idh-os-20-melhores-e-os-20-piores-distritos-de-sao-paulo,24925>. Acesso em: 12 de setembro de 2017.

Secretária da educação. SISTEMA DE AVALIAÇÃO DE RENDIMENTO ESCOLAR DO ESTADO DE SP: SARESP. Disponível em: <http://www.educacao.sp.gov.br/consulta-saresp.html>. Acesso em: 03 de setembro de 2017.

UNDP. O QUE É O IDH. Disponível em: <http://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/idh0/conceitos/o-que-e-o-idh.html>. Acesso em: 26 de outubro de 2017.

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Por Amanda Cesare Trindade, Amanda Kupske Campos, Gabriela Costa dos Anjos Arent e Gabriella Avany Reis Camacho.


Publicado por: Gabriela Costa dos Anjos Arent

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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