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A escola de dentro pra fora

Entenda sobre a escola no seu cotidiano, dentro dos muros, entre alunos, professores, gestores, funcionários e a própria comunidade.

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor . Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: https://www.brasilescola.com.

BREVE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PAULISTA

“Os professores sabem que não é porque a palavra ‘escola’ está escrita na fachada do prédio onde ingressam todas as manhãs, que a ‘escola’ se cria espontaneamente” (MEIRIEU, 2005).

Aos 1500 anos depois da vinda de Jesus Cristo, salvador, chega a uma terra desconhecida para o europeu, Pedro Álvares Cabral e seus homens, usurpando o interesse em explorar e fazer escambo com moradores da Índia. Mas Não era bem isso que eles haviam encontrados, tomaram de suas audácias e deram nome ao povo de olhos puxadinhos, cabelo liso e de pele escura de índios, fazendo menção à terra que eles acreditavam ter chegado. Após o engano a história do que é chamado Brasil começou. A história da escola no Brasil começou quase que a mesma hora, um lugar sem dono, que não conhecia o cristianismo e pronto para ser explorado, prato cheio para a educação, mesmo tratando de um tipo de educação religiosa como foi aquele momento.

A história da escola paulista está para historia da educação como Getulio Vargas está para a transição da economia cafeeira para a economia industrial no Brasil, aliais, não é a única associação que faremos entre o processo de transição da economia brasileira, educação e Getulio Vargas. Mas essa história começa antes.

Durante as Capitanias Hereditárias, a coroa portuguesa mandava para cá pessoas rejeitadas em Portugal, assim, a educação não era vista como remédio social, ou injeção de “punho”, para o tipo de trabalho ou economia da época. A exploração das riquezas do território e a disputa por regiões continentais com a Espanha foram às causas da introdução do modelo Capitanias Hereditárias. Havia a necessidade de preparar jovens da pequena elite formada por homens de confiança da coroa, donatários que trouxeram suas famílias para o Brasil. Uma escola nesse momento era dispensável, usavam o modelo de tutores particulares e isso durou por muito tempo. Também existia a escola religiosa, mosteiros e colégios mantidos por religiosos e comandados por Roma. Mas é preciso reconhecer que ao longo período colonial as várias raízes da nossa cultura escolar foram sendo estabelecidas. Como exemplo a aceitação da língua portuguesa, considerando a diversidade lingüística falada aqui nesse lugar: nativos que habitavam a região litorânea mantiveram o tupi-guarani, já os continentais outros dialetos, os portugueses no início da colonização, estabeleceram a língua do eixo Coimbra-Lisboa (fala do Sul), os negros também postulavam dialetos, enfim. Também há o exemplo da catequização de nativos, a identificação cristã dos colonos, aspectos fundamentais para o processo de surgimento da escola. Todos esses elemento e fatores que compunham o quadro educativo da época.

Entre tanto o momento mais divergente em relação aos modelos entre o período colonial e a primeira republica, acontece com a entrada de Getúlio Vargas e a  “Republica Nova”. Foi nesse momento inovador no Brasil e que no mundo surgiam novas teorias, inclusive era difundidos os escritos de Jean Piaget, pensador que dedicou suas pesquisas na busca de repostas para a questão: Como o individuo aprende?

Antes de continuar falando das novas teorias, é preciso lembrar que havia novos planos políticos; um tempo de mudanças na base econômica, de cafeeira para industrial, de grandes fazendas para urbanização e intensificação da massa de trabalhadores e aglomeração especial, fora a concentração fabril. O trabalhador das fábricas necessitava dominar a leitura e a escrita, além de conhecer o território e adorá-lo. A escola é um instrumento estratégico nesse plano de desenvolvimento econômico. Na nova constituição era previsto a educação obrigação do Estado e para todos.

Foi nesse contexto que as teorias de Jean Piaget e outros pensadores entram com força na história da educação, principalmente com a corrente de pensamento da pedagógica, conhecida como “Progressista”, liderado por Anísio Teixeira, profundo admirador da indústria. Ele acreditava na indústria como “Libertação” do homem, enxergavam as potencialidades e não todo o processo que envolvia a industrialização do país. Mesmo assim foi perseguido por Getúlio e foi um ícone da educação nesse momento, principalmente como critico responsável em reclamar e conquistar a educação para todos, prevista na Constituição de 1934.

A escola recebe influência portuguesa e francesa, principalmente esse momento, quando na década 1930 são recebidos, na Universidade de São Paulo (USP), pesquisadores franceses, representando essa escola européia, mas também representantes da escola positivista. Um grande e denso envolvimento da academia na formação da escola básica, então as políticas publicas definiu quem vai para academia e quem deve ir para os corredores fabris.

Nascem às escolas técnicas na década de 1950, o “SENAI” representou um momento de fragmentação, uma divisão cristalizada com o Ginasial e Colegial, modelo seletivo com a função de qualificar o filho da elite e o filho do trabalhador.

A partir de 1964 a ditadura militar instalada após o golpe de estado, vem com uma serie de mediadas implantadas que modificaram a grade da escola. O estudo da Língua portuguesa era associado com as ciências sociais história e Geografia, chamava-se Língua Portuguesa e Cultura Nacional. Na época da ditadura a Geografia e a História foram dissociadas do estudo da língua e formarem a disciplina “Educação Moral e Cívica” para tratarem da história de heróis militares e reconhecimento territorial com amor à pátria, formando uma identidade nacionalista, muito próxima do nacionalismo nazista, apesar de não aceitarem essa idéia.

Esso momento histórico permeou durante mais ou menos três décadas e só no início dos anos 1990 é que realmente mudou. Veio o chamado “Neoliberalismo”, a política Social Democrática, período negro da educação paulista e ainda o momento histórico que podemos identificar caminhos diferentes entre a educação nacional e a educação paulista. Em 1988, a nova constituição deu subsídios para outros documentos desencadeados. Um deles foi a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da educação), tornando o processo educacional obrigação da família e do Estado: a gestão democrática, equiparação da saúde da criança e a educação como responsabilidade do Estado e da Família, garantido o Bem estar da Criança e do Adolescente e principalmente com tudo isso obrigando os estados e municípios da união ter responsabilidade por todo o processo.  Uma lei bonita de ler, mas (?).

Em um País cuja responsabilidade da gestão publica é um pano de cobertura para falcatruas é claro que isso viraria uma “piada”. O exagero do uso da maquia, a campanha de privatização desencadeada na época sujeitou a sociedade brasileira ao quadro perigoso que vivemos hoje, isso muito mais em São Paulo, berço dos responsáveis por todo o início desse processo. 

Depois de muitas tentativas de forma paliativas a escola publica paulista não vive um bom momento, com destaque a organização de políticas publica na qual o modelo de escola sempre serviu ao modelo econômico, como podemos observar nessa leitura. É muito importante reconhecer a falta de objetividade na escola de hoje, nas décadas anteriores era possível compreender o objetivo do Ginásio ou do Colegial, hoje não é possível ver sentido no ensino médio para a formação profissional ou cidadã.

A PRATICA DE ENSINO A PARTIR DA PERSPECTIVA DO EDUCADOR

Entre tantos paradigmas existentes nas ciências da educação um dos mais fortes surge na questão: Professor ou educador? Os defensores do professor, dizem que não são responsáveis pela educação de valores, quando se trata de uma escola onde os professores são especialistas e não polivalentes, essa construção deve-se a família e não à escola. Normalmente os defensores dos educadores são aqueles que afirmam a necessidade de formar cidadão, com valores morais e como uma extensão da família. Na verdade ambos possuem razões, os valores morais são construídos e reconstruídos durante a vida, mas é na fase da primeira infância, segundo teóricos da Psicologia, que são formulados os valores morais. Portanto é obrigação da família, mas por outro lado a educação familiar tem características particulares e a educação escolar outra. Uma depende da outra, é um processo de formação do ser, é preciso compreender que em diferentes momentos e de diferentes formas tanto a família e o professor são agentes educadores na formação da criança e dos jovens.

Nessa perspectiva do profissional educador, participante ativo da formação do ser, do processo de educação, deve construir um conjunto de técnicas organizadas para educar, em uma perspectiva do especialista, mas com ênfase na formação do ser.

CONSTRUIR MINHAS TÉCNICAS A PERSPECTIVA DO PROFESSOR EDUCADOR

Com o olhar diferente construtivo, reconhecendo o interacionismo entre a formação da criança, suas características biológicas e a relação com seu meio, uma prática de aula adequada passa pelo respeito ao aprendiz. O dever do educador é incentivar um ambiente organizado e adequado aos seus meio escolhidos, suas estratégias e também o assunto.

Toda aula é temática, todo tema é idealizado como uma fábula, mesmo quando é um jovem ou uma jovenzinha, é normal a abstração. Sabendo disso deve o professor organizar uma ambiente propício para “Viagens” ao fundo do imaginativo de cada ser. Quanto mais temático for o ambiente maior o aprendizado.

É preciso preparar as aulas, não para relembrar termos ou assuntos, isso é só conseqüência da prática, mas para saber qual estratégia e organização do trabalho. Toda aula é um conjunto e possui elementos de composição e fatores de influência:

Basta saber com clareza os elementos, seja humanos, como alunos e professor, como também utensílios, lousa, giz, cadeiras carteiras, mapas, imagens, computador, plataformas online e outros. Também fatores que vão influenciar como exemplo, comportamento dos alunos, picos de conflitos, estratégias de aulas (expositiva, trabalho em grupo, pesquisa e outros), organização dos elementos da sala.

Relacionando os elementos e os fatores de influência das aulas, poderá realizar uma atividade saudável ao processo e saudável para a saúde do professor.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os conceitos apresentados nesse texto são resultados de uma série de pesquisas na qual procurou entender a escola no seu cotidiano, dentro dos muros, entre alunos, professores, gestores, funcionários e a própria comunidade.

As pesquisas foram feitas durante os anos 2008 a 2011, em escolas publicas e privadas, a partir de uma metodologia específica chamado de “pesquisa-ação”, dentro de uma perspectiva que o pesquisador é elemento da sua própria pesquisa, dando ao trabalho qualidades específicas e inovadoras. A versão completa dos textos e da pesquisa será a composição de um livro que ainda está em fase de construção, bem como pesquisas específicas para melhor explicar os conceitos apresentados nesse trabalho.


Publicado por: Marcio de Castro Domeneguetti

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor . Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: https://www.brasilescola.com.