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Lesões no uso do Makiwara no Karatê-do

Educação Física

Estudo que comprova que caraterísticas técnicas e estéticas levam o lutador de karatê-do a um grupo de lesões associadas.

Chilen Fabiana Barbosa 1

Elidilson Junior 2

Marlon Reis 3

Oriosmar Barreto 4

Nando Nogueira Cohen 5

Thiago Andrews do Carmo Rodrigues 6

Alexandre Roberto Lima Santos [1]7

RESUMO

Este estudo teve como objetivo elucidar as possíveis lesões que podem ocorrer em função da prática do uso do makiwara no karate-do. O estudo foi bibliográfico, contando com bibliografias nacionais. A análise da literatura indicou que as características técnicas e estéticas levam a uma prática com movimentos nada anatômicos, conduzindo o lutador ou atleta a um grupo de lesões associadas; a maioria das lesões deve-se a erros de técnica e de treinamentos errados; os problemas em crianças são devidos às tentativas de forçar a rotação externa ao nível dos quadris e o uso indevido do impacto; as lesões mais comuns são as do caleja mento das mãos, seguido das lesões articulares do braço, ombro e punho, e as que menos acontecem são as de membros inferiores. Essas lesões acontecem devido ao excesso de exercícios e repetições, sempre utilizando o mesmo lado, e do uso incorreto e precoce do makiwara. Conclui-se que a técnica do makiwara, quando mal aplicada, predispõe seus praticantes a lesões características.

ABSTRACT

This study aimed to elucidate the possible injuries that may occur depending on the practical use of karate-do in makiwara. The study was literature, with national bibliographies. The literature review indicated that the technical and aesthetic result in a practice with no anatomical movements, leading the fighter or athlete with a group of associated injuries, most injuries are due to errors of technique and training errors, problems in children are due to attempts to force the external rotation at the hips and the misuse of impact, the most common injuries are the development of callous hands, followed by the articular lesions of the arm, shoulder and wrist, and those that occur are less the lower limb. These injuries occur due to excess of exercises and repetitions, always using the same hand, and the misuse and the early makiwara. It is concluded that the technique of makiwara, when poorly implemented, predisposes its practitioners to injury characteristics.

A Índia é o grande berço das Artes Marciais. Por volta do século VI antes de Cristo, se encontra os primeiros indícios de lutas. Os guerreiros indianos Kshatriya desenvolveram a luta Vajramushti - "aquele cujo punho cerrado é inflexível".

No século VI depois de Cristo um monge budista chamado Bodhidharma, ou Daruma Taishi em japonês, considerado o 28º patriarca do Zen Budismo, viajou para a China levando seus conhecimentos e passou a ensinar a luta como uma forma de ginástica de defesa e ataque no Templo Shaolin-Zu. Esses ensinamentos deram origem ao estilo de luta conhecido como Shaolin Kung Fu, que ajudou os monges a se protegerem dos constantes ataques de bandidos nômades. A partir daí outros estilos de artes marciais foram surgindo de acordo com a evolução dos monges chineses.

Os monges budistas passaram a ser perseguidos pelo Governo Chinês e no ano de 840 todos os templos foram atacados, saqueados e queimados com o apoio do Império Chinês. Os maiores templos Shaolin (Honan e Fukien) foram reconstruídos depois e, durante a Dinastia Ming (1368 a 1644) foram completamente destruídos pelos Manchus. Somente 5 monges escaparam - "Os 5 Ancestrais". Cada um seguiu um caminho e passou a ensinar o Kung Fu do seu modo. Assim surgiram os 5 estilos básicos de Kung Fu: Tigre, Dragão, Leopardo, Serpente e Grou.

Durante isso, em Okinawa, nas Ilhas de Ryu-Kyu ao sul do Japão, florescia o combate sem armas pela proibição do uso de espadas e lanças (1480) na ilha pelo Império Japonês pelo Senhor Shimazu de Satsuma (1609) - a prática secreta de autodefesa pelos praticantes de Okinawa.

Alguns estudantes de Okinawa vão à China aprender as lutas chinesas, o que deu origem a dinastia da luta que conhecemos como KARATE, na época chamada de TODE - Mãos da China. Em Okinawa, a luta sem armas passou a ser chamada de TE, que significa mão em japonês. Havia 3 centros de treinamento, sendo cada um em uma cidade:

Shuri-Te, Naha-Te e Tomari-Te; nas cidades de Shuri, Naha e Tomari respectivamente. Em cada cidade havia um mestre que tinha aprendido as filosofias das lutas chinesas e as levado para Okinawa.

O okinawano do século XVIII treinava com makiwara. Seu objetivo seria o de calejar as mãos para dar um pancada tão grande na armadura de um samurai do Clã Satsuma que o samurai morresse vítima da onda de choque (ou, quem sabe, do susto)? Ou seria conseguir projetar o impacto através da estrutura de modo a causar dano no corpo por trás? Treinar com a makiwara, atingindo-a indiscriminadamente apenas para endurecer as mãos é equivalente a usar uma espada para bater como se estivesse usando um porrete. Uma espada é um instrumento para cortar enquanto que o porrete é um instrumento para dar cacetadas. Tudo o que foi dito acima teve como objetivo introduzir o argumento de que, quando se treina com a consciência correta do objetivo do treino, a forma de treinar se modifica naturalmente de forma a, evitados os exageros, transcorrer sem acidentes ou lesões e seqüelas. No que segue analisaremos apenas o treinamento das mãos na makiwara utilizando Choku-Tsuki ( e suas variações: Oi-tsuki, Gyaku-tsuki, kizami-tsuki, etc ).

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Técnica do makiwara

A técnica clássica possui certos princípios de postura e colocação do corpo que devem ser mantidos em todos os movimentos.

O treinamento do soco direto no makiwara pode ser realizado a partir da posição parada, onde os pés estão separados lateralmente pela distância dos quadris e paralelos entre si com os joelhos levemente flexionados e o corpo relaxado (particularmente os ombros).

Para se obter uma boa colocação postural, sugere alguns princípios básicos: (a) o corpo do lutador (atleta) deve esta posicionado corretamente com base; (b) o quadril é a base para uma perfeita colocação postural, por isso é essencial fortalecer os músculos dos glúteos e abdominais, e promover o alongamento do quadríceps; (c) levantar o peito, contrair as costelas e músculos oblíquos do abdômen para manutenção da postura; (d) o cotovelo e é o ponto importante, ele suspende o braço e é por ele que se conduzem os movimentos de impacto do tsuki.

O braço é constituído pelo ombro, antebraço, cotovelo, braço propriamente dito, punho, mão e dedos. Este sistema apresenta duas alavancas posicionadas sobre o ombro e sobre o cotovelo, além da possibilidade de realizar rotações de até 180º no punho e de até 270º no ombro (Hall, 2003).

Detalhes acerca da posição inicial e final do ombro, do percurso realizado pelo cotovelo e da rotação do braço, devolvendo a energia armazenada durante a flexão deste no quadril.

Possíveis lesões associadas ao uso do makiwara

O uso do makiwara , quando iniciado cedo demais, força a estrutura óssea muscular, os tendões e ligamentos, ocasionando problemas ortopédicos graves na criança, deixando os ligamentos frouxos, criando hérnias da cápsula articular nos ligamentos das articulações ósseas e calosidades.

Para Sampaio (1996), certas tendências e deformações imperceptíveis inicialmente podem se agravar, como problemas de coluna, observados nas posturas quase sempre erradas. Vários são os lutadores com calosidades no seiken (punho, metacarpo) e com problemas nos cotovelos.

Durante o treinamento e até mesmo através da carreira, esses ossos, correm o risco de sofrer uma fratura por estresse. Pondera que a manifestação habitual é aquela com início gradual de dor na base do segundo metatarso, que, no início, aumenta com o trabalho de repetição e costuma ser seguida por dor. Se não for tratada, a dor pode manifestar-se até no fechar das mãos.

Mediante a análise do referencial teórico consultado e respeitando-se as limitações do estudo, conclui-se que:

- o uso do makiwara como qualquer atividade física que requer contrações repetidas de certos grupos musculares, possui seu próprio conjunto de lesões associadas, no qual as mais comuns são mãos;

- se os pais e os médicos forem cuidadosos no sentido de manterem uma boa relação funcional com o professor (instrutor) de lutas que usam makiwara, alguns dos problemas associados ao treinamento do makiwra poderão ser eliminados. Os pais devem procurar escolas especializadas e profissionais competentes para seus filhos e acompanhar as aulas, evitando, desta forma, problemas futuros.

- as lesões das jovens lutadores (atletas), em geral, são auto-induzidas, com a busca extrema de aprimorar a técnica e a força, e a ter fé de que esses esforços, com o passar do tempo, produzirão a perfeição, como culpado mais provável. A explicação dos efeitos, a longo prazo, da técnica incorreta, ajudará o jovem lutador (atleta) a se lesionar;

- o importante também é inserir a técnica do makiwara no momento apropriado, evitar-se aplicar a técnica pura do makiwara na infância, mas exaltar o estímulo e o gosto pela modalidade e o movimento natural das lutas. Utilizar a estratégia para a introdução o uso do makiwara no momento adequado, após a puberdade e, mesmo assim, verificando as verdadeiras condições físicas e preparatórias individuais para receber tal esforço e sobrecarga de exercícios na região articular mais solicitada das mãos, metatarso e dedos.

Tendo estes cuidados, a carreira do lutador (atleta) acontecerá provavelmente com menos lesões e desilusões.

Referências

HALL, S.J. – “Biomecânica Básica”. Editora Guanabara Koogan, 4a Edição, Rio de Janeiro-RJ, 2003.

HALLIDAY, D.; Resnick, R. & Walker, J. – “Fundamentos de Física – Volume 1”. 4a Edição, LTC Editora, 1996.

LUBES, A. – “Caminho do Karate”, Editora da UFPR, 2ª Edição, Curitiba-PR, 1994.

MCGINNIS, P.M. – “Biomecânica do Esporte e Exercício”. Artmed Editora, 1a Edição, Porto Alegre-RS, 2002.

NAKAYAMA, M. – “Karate Dinâmico”, Editora Cultrix Ltda, São Paulo-SP, 2003.

YUZAN, D. – “Bushido – O Código do Samurai”, Madras Editora, 4ª Edição, São Paulo-SP, 2004.

MEDICINA DESPORTIVA E SAÚDE ESCOLAR, Porto Alegre. Porto Alegre, v. 4, p. 37-41, 1987.

SEGREDOS EM MEDICINA DESPORTIVA: respostas necessárias ao dia-a-dia em centros de treinamento, na clínica em exames orais e escritos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996

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1 Acadêmico do curso de Educação Física

7[1]Coordenador do curso de Educação Física e orientador


Publicado por: Alexandre Roberto LIma Santos

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