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Análise de entrevistas sobre lutas com dois professores de Educação Física do Ensino Básico

Educação Física

Breve análise sobre um questionário aplicado a dois professores que trabalham em escolas distintas com Educação Física do Ensino Básico.

Entrevista por meio de questionário aplicado a dois professores que trabalham em escolas distintas com Educação Física do Ensino Básico.

Questionário

1) Em algum momento de sua prática profissional desenvolveu aulas com o conhecimento Lutas? Se sim, como foi? Se não, por qual motivo não desenvolveu?

2) Compreende que é possível desenvolver aulas com o conhecimento Lutas? Se sim, o que e como poderia ser desenvolvido? Se não, por qual motivo?

3) Em sua formação profissional (inicial) teve aulas de Lutas? Se sim, o que aprendeu? Está sendo suficiente para trabalhar com este conhecimento na escola? Se não, o que acredita que deveria ter aprendido nestas aulas?

Após a coleta das respostas, os dados foram tabulados e analisados tendo como resultado a redação de um texto que apresente a compreensão, acerca das respostas dos professores, procurando responder as seguintes questões:

- É possível utilizar os conhecimentos de Lutas nas aulas de Educação Física Escolar para atingir os objetivos descritos nos documentos oficiais?
- Quais estratégias são necessárias?
- Apenas é possível trabalhar com Lutas aqueles professores que dominam o conhecimento técnico?

Respostas do professor 1:

Boa noite, professor. Esse tema sobre lutas, com certeza eu gosto muito e sou apaixonado por artes marciais. Eu já fiz Taekwondo, pratiquei durante muitos anos e cheguei na faixa azul, e atualmente faço Kick Box, estando na faixa amarela. Taekwondo eu parei, pois deu uma desanimada, e pratico Kick Box. Certa vez levei para escola o aparador, que serve para dar socos e chutes, para ensinar as crianças de 6o e 7o ano e aplicar o básico, né, como que é a posição do soco, do jab, direto, cruzado e alguns tipos de socos mais básicos, praticando esse básico do Kick Box: posição da mão para socar, como é a posição do jab, do direto, como que é a posição da mão que vem de trás, como que é o cruzado e também como que é o upper cut.

O básico dá pra desenvolver sim. Na faculdade eu tive sim, o esporte de combate. O professor que me deu aula era faixa preta de Judô, só que a gente não entende muito sobre artes marciais, né, sendo bom um faixa preta. Quando não conhece muito bem determinada arte marcial, como Capoeira e Karatê, eu tento chamar algum amigo meu para dar alguma palestra. Em outra oportunidade, levei um professor para falar do Jiu-Jitsu, ele deu uma demonstração, e foi sensacional a aula. As crianças adoraram. Ele deu uma palestra, foi explicando as posições, levamos um tatame, eu botei no meu carro, a gente colocou lá na quadra, o tatame, e foi mostrando várias posições, até os alunos meus participaram da aula. Foi muito bom.

Em relação às artes marciais que eu tenho uma noção, com certeza, eu fico tranquilo para demonstrar e ensinar. Como por exemplo, o Box, é bem tranquilo. Esquiva, ensinar dar os socos, jab, direto, alguns chutes básicos que têm o Kick Box, que também dá pra ensinar. Eu acho que o básico dá pra fazer sim. Por exemplo, defesa pessoal, ensinar as crianças sobre o básico, ensinando a se defenderem sozinhas, as vezes alguma situação que eles possam passar na rua, né, como uma defesa pessoal básica, dá pra fazer sim. É como eu te falei, eu só não conheço esse monte de artes marciais que têm, pois aí é bom o faixa preta da arte marcial ensinar. Como o Aikido, que não conheço, a Capoeira, que não tenho nem noção daqueles golpes, aí a BNCC pede para ensinar a modalidade, aí eu coloco o vídeo da Capoeira, como os movimentos mais básicos da Capoeira, mais avançados, porque eu não sei nada de Capoeira. Só sei dar estrelinha e mais nada! Até um outro exemplo de luta que não sei como ensinar e só passo documentário é o Huka-Huka (luta indígena). E, não sei se te respondi todas as perguntas. Qualquer coisa, se precisar, mande mensagem aqui. Boa noite.

Respostas do professor 2:

1) Em algum momento de sua prática profissional, desenvolveu aulas com o conhecimento Lutas? Se sim, como foi? Se não, por qual motivo não desenvolveu?
Sim, eu não sei se pode ser considerada momo luta, mas na minha prática profissional desenvolvi a Capoeira com os meus alunos. A intensão é trabalhar os movimentos iniciais. Os alunos são receptivos e todos participam com muita ludicidade. Para eles, tudo não passa de uma brincadeira. Entendo que dessa forma, a ludicidade é de fundamental importância para o aprendizado dessas crianças.

2) Compreende que é possível desenvolver aulas com o conhecimento de Lutas? Se sim, o que e como poderia ser desenvolvido? Se não, por qual motivo?

Sim, entendo que é possível desenvolver, sendo esta uma modalidade importante. No entanto, percebo que poderia ter uma oferta maior em grande parte das escolas. O tema tem deixado de ser trabalhado sim pelos professores, que por não possuírem nenhum conhecimento, inclusive prático, acabam deixando o ensino sobre Lutas de lado. Acho sim que boa parte da culpa seja dos próprios professores, que deveriam valorizar mais as Lutas no ensino. Mas também acho que os gestores, de igual forma, também deixam a desejar, por não incentivarem essa prática no currículo escolar.

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3) Em sua formação profissional (inicial) teve aulas de Lutas? Se sim, o que aprendeu? Está sendo suficiente para trabalhar com este conhecimento na escola? Se não, o que acredita que deveria ter aprendido nestas aulas?
Sim, um período muito bom, aprendi o Judô, como trabalho com série do fundamental 1, tá sendo suficiente sim.

Resultados

Para a pergunta: “É possível utilizar os conhecimentos de Lutas nas aulas de Educação Física Escolar para atingir os objetivos descritos nos documentos oficiais?”

- Professor 1: Sim. No entanto, é interessante destacar a atuação do professor em escola pública. - Professor 2: - Sim. Por outro lado, o professor atua em escola particular.

Para a pergunta: “Quais estratégias são necessárias?”

- Professor 1: leva aparatos para escola (tatame, luvas, aparador etc); ensina golpes básicos; interage com os alunos em forma de vivências e demonstração; ensina defesa pessoal para crianças; transmite vídeos de lutas e documentários promovendo, vivências; citou o BNCC.

- Professor 2: afirma ter formação técnica em capoeira e utiliza esses conhecimentos; ensina movimentos iniciais da capoeira; destaca receptividade e participação dos alunos; promove muitas brincadeiras e considera a ludicidade elemento importante nas aulas sobre lutas.

Para a pergunta: “Apenas é possível trabalhar com Lutas aqueles professores que dominam o conhecimento técnico?”

- Professor 1: No caso em questão, o professor possui sim conhecimento prévio sobre lutas; porém, quando não conhece ou domina determinada luta/modalidade, afirma que a participação de um professor convidado e faixa preta passa a ser interessante; citou o Judô, como arte marcial para demonstração, com convidado faixa preta (vivência).

- Professor 2: Conforme relato, tem sido deficiente por causa dos gestores que não valorizam adequadamente a disciplina; possui conhecimento do Judô e alega trabalhar movimentos básicos (ensino fundamental I).

Discussão:

A educação básica nacional inclui a Educação Física como disciplina obrigatória. Para isso, a escola deverá considerar todos os níveis de ensino para atingir os benefícios de desenvolvimento físico, motor, cognitivo e afetivo. Nesse contexto, o ensino sobre lutas é citado nos PCNs e BCCN, onde podemos destacar os princípios de inclusão, diversidade e conteúdos assim como as abordagens pedagógicas psicomotora, construtivista, desenvolvimentista e críticas. De igual forma, ainda nos documentos oficiais, há orientação para o desenvolvimento da cultura corporal de movimento, cidadania, ética, saúde, meio ambiente, orientação de gêneros, trabalho e consumo.

A relevância social interage com a disciplina lutas ao observarmos as duas entrevistas realizadas. Os professores, por meio de suas respostas, demonstram que é possível o ensino da disciplina na educação escolar, e alegam desenvolver suas atividades em escola pública (professor 1), e escola particular (professor 2). Ao serem questionados sobre estratégias de ensino, constatamos que o professor 1 disponibiliza aparatos de lutas para o ensino de golpes básicos e orientação inicial de defesa pessoal para os alunos de 6o e 7o anos. De igual forma, também foram identificadas como estratégias a promoção de vivências por meio de projeção de vídeos e documentários para as turmas. Vale destacar que o professor 2, por possuir conhecimentos de capoeira, utiliza dessa habilidade para aulas lúdicas, com brincadeiras com propósito de desenvolver os movimentos iniciais da capoeira. O professor 2 alega boa receptividade dos alunos a essas aulas interativas e lúdicas.

Com relação aos dois professores entrevistados, contatamos que ambos possuem conhecimentos técnicos em lutas. No entanto, o professor 1 deixa claro que mesmo assim, são muitas modalidades nesse campo extenso de conhecimento e prática, sendo oportuno a presença de um professor convidado, preferencialmente faixa preta, com propósito de trazer novas experiências aos alunos da educação escolar. Por outro lado, o professor 2, com conhecimento de capoeira e iniciação em judô, aponta as dificuldades e limitações encontradas no ambiente escolar, para ensino de lutas, sendo essas limitações oriundas, sobretudo, dos gestores envolvidos no processo de educação escolar. Segundo o professor 2, muito embora utilize seus conhecimentos prévios de lutas (capoeira e judô) no ensino da disciplina, muito mais poderia ser realizado em ambiente escolar, desde que houvesse maior conscientização dos gestores, conforme sua opinião.

Considerações finais

A reflexão sobre o tema de ensino envolvendo lutas no contexto escolar deve prosseguir, na medida em que entendemos que o contexto social está inserido em uma história dinâmica, em constante transformação e com novas abordagens e necessidades.

Referências

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. BNCC. Disponível em . Acesso em 10.jun.2021.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997

CÂMARA, E. Lutas. Caderno de Referência de Conteúdo – CRC. Unidade 3. Batatais: Claretiano, 2014.


Publicado por: Elionai Dias Soares

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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