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DESIGUALDADE DE GÊNERO: O MACHISMO REINANTE NA SOCIEDADE

Desigualdade de gênero, a partir das ideias construídas de gênero e relação, expondo a desigualdade sexual e diferença entre homens e mulheres, pontuando como principal causa o machismo.

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor . Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: https://www.brasilescola.com.

RESUMO

O presente artigo busca discutir a desigualdade de gênero, a partir das ideias construídas de gênero e relação, expondo a desigualdade sexual que apresenta inferioridade e diferença entre homens e mulheres, pontuando como principal causa o machismo, comportamento construído ao longo da história e que é mantido até hoje. Demonstra o machismo como atitude de prepotência (poder mais alto) dos homens relativamente ás mulheres. Ideologia essa que descende principalmente do seio familiar, ou seja, esse preconceito é uma bagagem cultural, grande fator para a formação da vida social do indivíduo. Esse estudo tem por objetivo compreender que o machismo continua existindo, além de discutir os conceitos de gênero, analisa as raízes, crenças, ideias e valores no meio familiar e também identifica os direitos e a identidade da mulher, que apesar de existir, é negado na sociedade. A metodologia utilizada na pesquisa foi dedutiva com forma qualitativa, por meio de livros, artigos e periódicos para obter aprofundamento e explicitar as informações essenciais. Assim, através da luta e da mobilização, as mulheres denunciam e lutam contra a violência machista, gerando uma consciência feminista em busca de seus direitos e de promover a igualdade de gênero.

Palavras-chave: Desigualdade de gênero. Machismo. Mulher. Homem. Sociedade

1 INTRODUÇÃO

Existe uma regra e/ou padrão que a sociedade construiu para separar a imagem feminina da masculina; a exemplo desse padrão destaca-se a questão de a mulher usar rosa e o homem azul.

A respeito dessa ideia, o machismo faz relação entre os gêneros, especificando assim que as mulheres são inferiores aos homens. A partir desse ponto, observamos que a imagem feminina tem seus passos éticos e sociais limitados.

Portanto, as mulheres não possuem os mesmos direitos que os homens; como o artigo 5° da Constituição Federal afirma, pois, a cultura machista ainda prevalece principalmente nas questões salariais e nas oportunidades de emprego; embora as mudanças venham ocorrendo gradativamente. Deste modo o projeto se justificativa levantando uma discussão a partir do machismo na sociedade; discutindo a desigualdade de gênero. Compreendendo que o machismo continua existindo, apesar de as mulheres estarem independentes e conquistando cada vez mais seu espaço na sociedade.

2 METODOLOGIA

O presente trabalho foi construído a partir do método dedutivo (do geral para o específico) com forma qualitativa, partindo do pressuposto de que este método trabalha com a interpretação de fenômenos, análise e síntese de ideias. De acordo com Marconi e Lakatos (2011), o método dedutivo é feito a partir de uma reformulação de modo explícito de alguma informação, já contida nas premissas, fazendo leitura em livros, artigos ou periódicos para desenvolver o tema. Dessa forma, o método utilizado tem o propósito de explicitar as informações essenciais.

Sobre o uso da pesquisa bibliográfica, partiu o pressuposto de que a utilização da mesma é de fundamental importância, uma vez que se tem acesso a uma gama considerável de textos onde foi possível obter aprofundamento sobre as teorias produzidas relacionadas ao assunto.

3 CONCEITOS DE GÊNERO

Enquanto o conceito de igualdade de gênero refere se as diferenças entre homens e mulheres, o gênero tem como base representações (crenças, ideias, valores) em torno do sexo biológico, ou seja, é a forma que a sociedade compreende o sexo masculino do sexo feminino. Assim, a desigualdade de gêneros não é somente uma pressão moral e social, mas também um desafio econômico crítico. A igualdade sexual, ou igualdade de gênero significa que as mulheres e os homens devem ter os mesmos deveres e direitos. Além disso, é considerada a base para a construção de uma sociedade livre de preconceitos e discriminações. Ainda, segundo Juliana da Fonseca Bezerra (2016):

A literatura reitera que a desigualdade de gênero é um dos fatores que perpetua as heterogeneidades sociais, fundamentadas na diferença entre os sexos. Essa cristalização que circunda o senso comum subjuga as mulheres e favorecem imposições estigmatizastes prevalecentes nos contextos social, econômico, cultural e político, ganhando visibilidade nas constantes diferenças salariais, atribuições de cargos, funções e papeis (BEZERRA, 2016, p.52).

Embora não pareça, a desigualdade de gênero está principalmente nas pequenas situações do dia a dia das pessoas, e até mesmo mulheres é incentivadora para a segregação entre tarefas masculinas e femininas. Por outro lado, observa- se que as mulheres ocupam áreas, antes apenas disponíveis para o sexo masculino; mas não é o suficiente para acabar com o preconceito e estereótipos presente na sociedade. Contudo, em artigo publicado, Daniel Viana Teixeira (2010) ressalta que:                                                          

A reflexão sobre os temas igualdade e desigualdade, sob seus diversos aspectos, envolve discussões e questionamentos que, quanto mais aprofundados, tendem a ser frequentemente renovados e a revelar novas dimensões e possibilidades de abordagem. De modo específico, a questão da desigualdade de gênero, que foi objetos de grandes discussões no meio político e acadêmico e de variadas intervenções institucionais durante todo o século recém encerrado, não foge a essa tendência. (TEIXEIRA, 2010, p. 253).

Concluindo então, que quanto mais se estuda e busca conceituar, entender o que seria de fato a igualdade e desigualdade de gênero, mais pontos e definições serão apresentados. Apesar de ser um tema muito discutido, várias visões e hipóteses são construídas ao longo do seu estudo.

4 O MACHISMO COMO BAGAGEM CULTURAL

O fundamento do machismo é a ideia de que o homem é superior à mulher. Esse embasamento é definido como um sistema de representações simbólicas e tem o efeito de induzir os sujeitos a crer em uma farsa, voltada ao direito, dominação e submissão entre o homem e a mulher; utilizando o argumento e as relações do sexo, para dividir os mesmo em polo dominante e polo dominado, que muitas das vezes é tido numa condição de objeto. Ainda segundo Drumontt (1980):

O machismo enquanto sistema ideológico oferece modelos de identidade, tanto para o elemento masculino como para o elemento feminino: Desde criança, o menino e a menina entram em determinadas relações, que independem de suas vontades, e que formam suas consciências: por exemplo, o sentimento de superioridade do garoto pelo simples fato de ser macho e em contraposição o de inferioridade da menina (DRUMMONTT, 1980, p.81).

Ao apropriar-se da realidade sexual, o machismo, em efeito de mistificação, supercodifica a representação de uma relação de poder (papeis sexuais, símbolos, imagens, etc) (DRUMMONT, 1980). Assim, o machismo passa a representar e colocar em pratica a dominação do homem sobre a mulher na sociedade.

Esse sistema preconceituoso, chamado de machismo, está inserido principalmente nos ambientes familiares, onde são construídas as regras e normas da vida social. O processo de educação transmite a cada um de nós as regras e os valores construídos pelos que nos antecederam (GIKOVATE, 1989). Cada pessoa é estimulada a aprender tudo àquilo que a cultura considera como importante no processo da vida em sociedade e é a partir dessa bagagem que certo padrão pessoal de vida masculina é inserido. Como ressalta Gikovate (1989):

A exigência familiar e social, no sentido de o homem ser um profissional destacado é brutal. Mais importante do que ser feliz, é ter sucesso profissional, é ser motivo de orgulho para a família. Mesmo nos ambientes familiares e mais ‘sofisticados’, existe a tendência para impor aos meninos o padrão oficial de masculinidade (GIKOVATE, 1989, p.2).

Portanto, observasse que os homens, em específico acima, são mais cobrados a assumir de berço um padrão masculino, onde a superioridade e as características são atribuídas ao indivíduo, contribuindo principalmente por parte da sociedade um feedback com ruídos; por sua vez, esse sentido atribui na construção social do indivíduo, as futuras ações machistas, assim popularmente dito, ações dignas de um verdadeiro macho.

5 DIREITO E IDENTIDADE DA MULHER NA SOCIEDADE

Considerado um dos artigos mais importantes na Constituição Federal de 1988, o artigo 5° tem como principal objetivo, as garantias e direitos fundamentais que todo cidadão possui. Sendo um dos mais importantes e polêmicos o direito da igualdade, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Contudo, é grande a lista de alguns dos direitos das mulheres que estão sob risco, como por exemplo, o mundo da política, que continua sendo predominantemente masculino, o mercado de trabalho, o quanto as mulheres conseguem entrar e como são pagas uma vez que conquistam as vagas, dentre outros diversos direitos que lhes são barrados pela sociedade. Dionísia Gonçalves Pinto, mas conhecida como Nísia Floresta, em 1832, tornou-se o principal nome em defesa dos direitos das mulheres no século XIX, trazendo em contexto a reflexão:

Por que [os homens] se interessam em nos separar das ciências a que temos tanto direito como eles, senão pelo temor de que partilhemos com eles, ou mesmo os excedamos na administração dos cargos  públicos, que quase sempre tão vergonhosamente desempenham? (FLORESTA, 1832, p.94).

As mulheres e os homens, no decorrer da história, desempenham papéis diferentes na sociedade. Cada indivíduo exerce suas atividades e funções individuais, considerado assim o seu papel social. Dessa forma, os direitos, o papel e a identidade da mulher são muito discutidos por conta da desigualdade sexual. Assim como o homem as mulheres também estão envolvidas em um conjunto de caracteres particulares, formando ao longo da história a vida social feminina (FONSECA, 2011).

A identidade da mulher está ligada a diversos pontos, como: identidade cultural, oriundas da interação dos membros da sociedade e da forma de interagir com o mundo, a identidade visual, que tem o objetivo de criar uma identidade a partir da perspectiva, imagem e aspecto, e também está ligada a identidade social, elemento que facilita o reconhecimento da mulher no âmbito social, designando assim o seu posicionamento de forma individual ou coletiva em uma sociedade. Ainda segundo Charles (1991):

A identidade é fruto de uma construção social, interiorizada e vivida pela maioria da população, construção essa que tem adquirido diferentes matizes ao longo da história, segundo o modelo de organização social vigente e das características consideradas necessárias para proporcionar funcionalidade ao sistema (CHARLES, 1991, p.1).

Abordar o tema identidade é um grande desafio, pois sua definição é bastante complexa, uma vez que envolve o processo de formação, produção do sujeito, como o sujeito se auto reconhece e se apresenta no mundo. Enfim, envolve uma infinidade de fatores. Carlos R. Brandão, antropólogo e educador, diz que “a identidade explica o sentimento pessoal e a consciência de posse de um eu, de uma realidade individual que torna cada um de nós um sujeito único diante de outros eus”.

Para compreender melhor a identidade da mulher na sociedade, é preciso conhecer sua história, entendendo a sua formação de identidade, de seus grupos sociais e principalmente seu posicionamento no contexto familiar. Glauce Cerqueira Corrêa da Silva (2005) ainda afirma que:          

Uma das formas de se entende o lugar da mulher na sociedade é conhecendo a relação afetiva que esta estabelece com seus pares (companheiro, filho(s) e familiares). Compreender a construção de sua sexualidade ao longo da história e o que perpassa no seu imaginário em relação ao companheiro escolhido, trazendo uma compreensão de sua realidade atual e da evolução que ela vivenciou até então. (SILVA, 2005, p.65)

Portanto, em decorrência da nova ordem econômica, das mudanças políticas, culturais e tecnológicas, para o gênero feminino, existe uma dificuldade para a identidade em geral. [...] e mesmo que esteja em construção, à evolução global dificultara a construção de identidade da mulher na sociedade, pois alteram a vida e a intimidade das pessoas, modificando-lhes o modo de ser (VIEIRA, 2005).

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As questões que foram apresentadas nesse artigo refletem uma das discussões que cercam o tema da desigualdade de gênero. Pretendendo apontar o machismo como principal motivo a ideia da desigualdade sexual, que insiste em reinar na sociedade. As discussões acerca do conceito de desigualdade de gênero e machismo aqui apontados mostram alguns aspectos da questão, mas não a esgotam. A indagação dos conceitos machistas continuarem existindo na sociedade, é o principal problema sob qual se debruça o artigo. Outra discussão apontada aqui e merece ser tratada, é o fato das mulheres recorrerem aos seus direitos, ocuparem espaços na sociedade e ainda assim o machismo prevalece forte.

7 REFERÊNCIAS

DRUMONTT, Mary Pimentel. Elementos Para Uma Análise do Machismo. Perspectivas, São Paulo, 3: 81-85, 1980.

EDUCABRAS. Desigualdade de Gênero. Disponível no Google. Acesso: https://www.educabras.com/vestibular/materia/sociologia/aulas/desigualdade_de_genero

FLORESTA, Nísia. Direitos das mulheres e injustiça dos homens. Recife, 2010, Ed. Massangana, p.168.

FONSECA, Rosa Maria Godoy Serpa da. A construção da identidade de mulheres e homens como processo histórico-social. Disponível no Google. Acesso:https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/185064/mod_resource/content/1/identidade.pdf

GIKOVATE, Flávio. Homem: O Sexo Frágil. MG Editores Associados, 1989.

KERDNA, Produção Editorial LTDA. Artigo 5°. Disponível no Google. Acesso: http://principios-constitucionais.info/constituicao-federal/artigo-5.html

MARTINS, David Alexandre. Machismo na Sociedade Contemporânea: Conceituando e Definindo o Machismo, 2016. Disponível no Google. Acesso: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/machismo-na sociedade-contemporanea-conceituando-e-definindo-o-machismo/71739

SIGNIFICADOS, Conceitos e Definições. O que é Igualdade de gêneros. Disponível no Google. Acesso: https://www.significados.com.br/igualdade-de-genero/

SILVA, Glauce Cerqueira Corrêa da et al. A mulher e sua posição na sociedade: da antiguidade aos dias atuais. Rev. SBPH [online]. 2005, vol.8, n.2, pp. 65-76. ISSN 1516-0858.

VIEIRA, Josênia Antunes. A identidade da mulher na modernidade. DELTA, 2005, vol.21, no. spe, p.207-238. ISSN 0102-4450


PALMEIRA, Fabio - Estudante do 1° Semestre de Serviço Social da Faculdade Regional de Alagoinhas-UNIRB

SODRÉ, Cristiane - Mestrado e orientadora do Artigo, na disciplina de Leitura e Produção de Texto.


Publicado por: Fabio Bispo Palmeira

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