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O TRANSITÓRIO E O PERMANENTE NA SÉTIMA ARTE

Arte

Arte, estética, filosofia da arte, o processo criativo como ato da persistência, determinação e ousadia.

RESUMO

Este trabalho irá tratar do fator paradoxal da obra de arte, em especial da sétima arte: o cinema. Passando pelos tópicos sobre arte, estética, filosofia da arte, o processo criativo como ato da persistência, determinação e ousadia.  Onde a obra ultrapassa seu tempo e se universaliza como um clássico do cinema. Nossa investigação será no caminho de distinguir aquilo que permanece e aquilo que será transitório no processo de construção da obra cinematográfica. Tratando da genialidade do artista e dos processos de construção da obra cinematográfica.

Palavras – chaves: cinema, genialidade, arte, estética.      

ABSTRACT

This paper will address the paradoxical factor of the artwork , especially the seventh art : cinema . Passing through the topics on art, aesthetics, philosophy of art , the creative process as an act of persistence, determination and boldness. Where the work exceeds your time and universalized as a classic of cinema. Our research will be on the way to distinguish what remains and what is transitory in the cinematographic work building process. Treating the artist's genius and construction processes of the cinematographic work .

Key - words : cinema, genius , art , aesthetics.

1 O TRANSITÓRIO E O PERMANENTE NA SÉTIMA ARTE

O filme Roman Holiday (br: A princesa e o Plebeu) sob a direção de Willian Wyler, estrelado pela atriz Audrey Hepburn. Foi indicado ao Oscar em 08 categorias; melhor diretor, melhor filme, melhor ator coadjuvante (Eddie Albert), melhor edição, melhor direção de arte – preto e branco e melhor fotografia preto e branco.  

Ao refletirmos sobre estas 08 (oito) indicações, a questão que se colocou foi; como é possível um filme, produzido em 1953, se manter ainda como um clássico e com os quesitos de um bom filme? Ou de outro de modo, como a “tecnologia não o tornou, não apenas “ultrapassado”, mas obsoleto? Como acontece com outros produtos. Onde as tecnologias fazem alguns se tornarem descartáveis ou desaparecerem.

E esta questão se torna ainda mais pertinente, quando percebemos que clássicos em épocas distintas, persistem até mesmo como referencia de um “bom cinema”. Como aconteceu com os seguintes filmes; “Ben Hur – 1959”, “Titanic – 1998” e “O Senhor dos Anéis:  O retorno do rei – 2004”; que receberam as seguintes indicações, respectivamente: 12 indicações/ 11 prêmios, 14 indicações /11 prêmios e 11 indicações/11 prêmios.

Gostaríamos de chamar a atenção, para algumas categorias que estes filmes ganharam, á saber; melhor filme, melhores efeitos especiais, melhor diretor e melhor direção de arte. E vamos começar refletindo sobre a categoria melhor efeitos especiais. Para falarmos sobre o tema deste artigo; O transitório e o permanente na sétima arte. Para podermos definir o que poderá ser considerado um “bom filme”, como o são estes clássicos produzidos em épocas tão distintas.

Entretanto, convém lembrarmos, que o conceito de arte, tem origem em duas etimologias; do grego e do latim, onde do grego teríamos “teknè”= técnica ou habilidade, e do latim “ars” = saber fazer. Em ambos os casos, temos o sentido de se apropriar de uma habilidade e aplica-la bem. Este conceito (arte) foi trabalhado em correntes filosóficas diversas e distintas, mas iremos focar nossa reflexão acerca destes dois sentidos. Quando oportuno, traremos as reflexões deste ou daquele filosofo.

2 O PERMAMENTE NA SETIMA ARTE: A PROCURA DE ESTABELECER O QUE SERIA UM BOM FILME

Desde os filósofos pré – socráticos, que se procuravam saber aquilo que seria universal, ou seja, um elemento que permaneceria imutável e que fosse a origem ou o princípio (arché) frente aquilo que perecia, fosse/demostra-se mutável, ou corruptível ao tempo.

E será esta nossa tarefa, tentar permear aquilo que seria universal e/ou imutável como conjunto de técnicas, conceitos e valores. Para chegarmos a entender como um filme produzido em 1953, e que foi considerado o melhor filme, e como que um filme produzido em 2004, também obteve a mesma consideração.

Evidentemente que iremos considerar “os recursos de cada época”, claro que não podemos comparar os recursos disponíveis em 1927 e em 2004, ou os de hoje (2015) para distinguimos o “melhor filme”. Porem no caso, dos respectivos filmes; de Bem Hur (1953), Titanic (1998) e O senhor dos Anéis: o retorno do rei (2004). Nos torna objeto de análise, o fato de todos terem sido premiados cada qual em sua época, na categoria de melhor direção de arte. Estamos cientes que eles não competiram entre si. No entanto, eles receberam premiações nas mesmas categorias.

Vejamos esta definição de direção de arte:

Na hierarquia do processo de filmagem, o diretor de arte está acima das equipes de figurino e maquiagem, cuidando de decisões criativas e práticas. Ao lado do designer de produção, ele cuida da concepção visual do filme como um todo, com decisões que vão da paleta de cores que dominará o longa até a escolha de locações e de objetos de cena, atuando como um gerente criativo. Logo, também faz parte da direção de arte trabalhar ao lado dos produtores, estabelecendo um cronograma para o departamento de arte e certificar-se de que tudo isso se manterá dentro do orçamento estipulado. (https://direcaodeartedesign.wordpress.com/2012/11/22/direcao-de-arte-a-diferenca-que-voce-ve-cinema/)  

E mais adiante, nos diz:

O diretor de arte é uma espécie de “maestro visual”: ele coordena, afina e harmoniza os elementos visuais que compõe a cena, que será iluminada e fotografada para um filme ou para a TV. Sua orquestra é composta de cenógrafos, cenotécnicos, pintores, figurinistas, maquiadores, cabelereiros, produtores de objetos, técnicos de efeitos especiais e mais recentemente, especialistas em computação gráfica. A equipe sob sua responsabilidade é como uma orquestra: cada um dos membros precisa estar afinado, precisa conhecer a partitura, precisa executar corretamente e inspiradamente a sua parte para que o conjunto da obra seja belo e harmonioso. Realizar a direção de arte de um filme é tarefa complexa que envolve pesquisa, cálculo de custos, gerenciamento de pessoas, além de um profundo conhecimento sobre história da arte, técnicas de construção de cenário, criação 3D em computador, iluminação, fotografia. (https://direcaodeartedesign.wordpress.com/2012/11/22/direcao-de-arte-a-diferenca-que-voce-ve-cinema/)

O que percebemos nestas definições, é que a função de um diretor de arte, é de uma pessoa que precisa dominar os recursos que lhe são disponíveis em sua época, e neste caso, não se apresenta uma “mutabilidade na função”, no sentido de que a formação deste profissional será a “mesma” tanto em 1927 (Metrópoles) e 2004 (O senhor dos Anéis: o retorno do rei). Tal função não muda em seu conceito essencial, qual seja, a de coordenar recursos e equipes.

Poderíamos então dizer que o diretor de arte é “aquele que age criativamente com os recursos que dispõe”. Desta forma, agir criativamente, seria o ato permanente. Tornando possível criar parâmetros, possíveis de serem mensuráveis para analisar os aspectos transitórios, quais sejam; técnica, equipe, tecnologia e todo o tipo de recursos materiais e humanos.

É por esta razão que o produto filme, que é produzido com a mais alta técnica disponível, não se torna obsoleto ou descartável, como acontece com outros determinados produtos. Que também são desenvolvidos e criados com alta tecnologia. E aqui reside a dicotomia do produto filme, este é ao mesmo tempo, um produto da sétima arte, e um produto de mercado. E também, o filme é uma expressão humana de comunicação, que se expressa em um campo do saber artístico – cientifico.

Como cientifico, nasce um produto bem acabado tecnicamente. E como artístico, ele ultrapassa a si mesmo, ao autor/diretor e seus realizadores. E ganhará o status de obra de arte, como ás pinturas nas cavernas, os quadros em afrescos, e esculturas dos grandes pintores e escultores, assim como uma grande obra dramatúrgica. 

Desta forma, o cinema, assim como uma escultura, ultrapassa seu tempo, seu status de produto de mercado, e se torna um símbolo de sua arte. Ganhando a alcunha de clássico, ou seja, um filme que encanta, ensina, que marca sua época e atravessa os tempos, se comunicando, não apenas com os humanos - indivíduos, mais com a humanidade.           

3 O ESPIRITO DO ASPECTO PERMANENTE

Chegamos ao ponto de partida de nossa investigação. Apareceu para nós, que o que permanece é o “ato de agir criativamente”. Desta forma, quando um diretor coordena sua equipe de forma criativa, se utilizando dos recursos disponíveis. Onde, de forma racional, irá harmonizar e equilibrar os caracteres que compõem a obra. Surgirá o que conheceremos como um clássico, uma obra- prima.

Pois aquilo que permanece, não estaria na obra em si, mas no modo de fazê-lo. E se acaso estivesse na obra (filme), a força desta persistência, não seria, portanto, causa de seu agente (diretor e equipe) e sim da sorte. Tanto o é, que muitos clássicos, são ponto de referência em aulas e palestras sobre cinema em escolas de áudio – visual. Onde se discute a obra, além do que ela é, buscando através destas reflexões, o modo de como foi feito determinada cena, como foi utilizada a fotografia, a direção de arte, como foi desenvolvido os planos de cena. E portanto chega-se ao diretor, o feitor desta obra.

E desta forma, assim como elogiamos e percebemos as técnicas de Michelangelo de talhar na pedra, e as pinceladas de Van Gogh em tinta a óleo. Podemos perceber a genialidade de Coppola na trilogia de “O poderoso chefão”, em seus engradamentos, sua concepção de cada cena, apresentação dos personagens, desenvolvimento e desfecho da trama. Todas as técnicas que foram utilizadas para compor os caracteres são percebidas e podem ser aprendidas. De modo que podemos aplicar a mesma técnica, seja parcial ou total, para compor um outro filme.

E isto só é possível, porque existe algo que permanece, que seria; a sensibilidade de aguçar diversas capacidades e habilidades, dentre estas habilidades, a de ser; minucioso, paciente, persistente, consistente, corajoso, coerente e conhecedor dos recursos que lhes são disponíveis para se realizar aquilo que se propõe.

Mesmo que o diretor de um filme, venha conhecer tecnicamente todo o aparato de recursos, tal conhecimento é meramente técnico, e não artístico (no sentido criativo do termo). E a criatividade passa pelos atributos que destacamos acima, entre outras coisas. E neste caso, um bom filme, será realizado, não apenas por aquele que conhece muito bem os recursos técnicos, mas pelo modo criativo de utiliza-los.

Portanto o Permanente, será o modo criativo de se conceber a obra e o Transitório seriam os recursos disponíveis. E é por esta razão, que se torna possível para a The Academy of Motion Picture Arts and Sciences in Hollywood, premiar os filmes com a categoria de Direção de Arte. Mesmo que os mesmos sejam concebidos em épocas diferentes.

E por que a sétima arte consegue manter esta relação? Que mesmo que passe o tempo, “O Poderoso Chefão” será sempre considerado um grande filme. Acreditamos que possa existir de fato “aquilo que permanece”. Sendo, portanto, “universal” o modo de se fazer e/ou ser criativo. E “mutáveis” os recursos disponíveis, que são; câmeras, efeitos visuais, cenografia, figurinos, e etc. No entanto, nos surge uma outra pergunta; “como definir um bom filme?”

4 UM BOM FILME EM SI

Sendo a avaliação da The Academy of Motion Picture Arts and Sciences in Hollywood, uma análise técnica para definir qual será considerado o melhor filme, melhor diretor, ator/atriz, fotografia e etc. Devemos considerar que tal avaliação pretende ser “objetiva”, iremos trabalhar com esta suposição, para não cairmos em um relativismo absoluto.

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Pois bem, faremos a seguinte reflexão, um filme não é a realidade, porem tem sua linguagem (realidade) própria. Que por sua vez, desenvolveu sua técnica para ser feita. No entanto, cada diretor pode imprimir seu método (caminho) de fazê-lo. Dependendo da formação de cada um. Então como distinguir qual será o melhor filme e/ou melhor diretor ou diretor de arte.   

Arriscamos em dizer, que será naquilo que permanece, ou seja, no uso técnico e criativo dos recursos utilizados. Portanto, não basta conhecer e realizar um exímio trabalho técnico e não apresentar criatividade. Neste caso, perderíamos o fator surpreendente da obra. Por outro lado, apresentar muitas ideias criativas (ou boas “sacadas”) e não desenvolver – las em acabamento técnico e estético. Correrá o risco de se utilizar os recursos técnicos com “carência” ou “excesso”. Desde modo, poderíamos concluir que um “bom filme”, será aquele no qual, os recursos técnicos e humanos, devem ser utilizados tecnicamente e criativamente sem carência ou excesso.

Para tratarmos deste tema, iremos propor uma definição sobre o que seja um filme; diríamos que o filme enquanto produto da sétima arte; é uma expressão humana de comunicação, que se utiliza de diversos saberes humanos, em diversas áreas do saber (exatas, marketing, artes visuais, artes cênicas, ciências humanas e outros) para se concebido.

Esta definição não é completa e nem mesmo precisa, mas nos serve de sinalização da complexidade do processo de produção de um filme. No entanto, este processo começa com uma ideia, que pode nascer de diversas formas e inspirações que o autor, roteirista ou produtor podem ter. Tal inspiração pode vir de uma história real, um sonho, um livro, um poema lido, uma conversa, uma observação feita sobre os acontecimentos do cotidiano, ou de um determinado tema; politica, sexualidade, violência (psicológica, social, racial e etc). Enfim, são diversas, as razoes que possam inspirar esta ou aquela pessoa ou grupo, a realizar um filme.

Desta forma, percebemos que um filme, partirá, antes de mais nada, de uma ideia, que será traduzido para um roteiro. O roteiro será portanto, a “alma” deste projeto filme. Assim sendo, um bom filme, se iniciará com um bom roteiro, não sendo isto automático, pois precisará de um bom diretor.

E quais seriam os elementos de um bom filme? Haveria o “bom filme em si”. Seria possível tatearmos em algum conceito palpável, a essência de um bom filme. O que seria um filme de qualidade, por que este e não aquele, receberia a estatueta de melhor filme, ou globo de ouro, ou ganharia o festival de Cannes. Queremos dizer, se há o julgamento, e porque há os critérios, e que critérios são estes, e como é possível estabelece –los. 

5 TECNICA E CRIATIVIDADE: A MORADA DO LOUCO

5.1  DO QUE FALA UM FILME?

Havíamos dito que a sétima arte, é uma expressão humana, em uma linguagem artística especifica: o cinema. E um filme tem diversos gêneros de expressão; suspense, terror, comedia, ficção cientifica, drama, documentário e etc. Estes gêneros podem se misturar entre si, mesmo que determinado filme se guie por um “gênero – máster”, exemplo; ficção cientifica, mais que venha trazer elementos de outros gêneros, como é o caso da trilogia “De volta para o futuro”. No entanto, independente do gênero, seu processo de construção seguirá o mesmo caminho, porem de forma diferente.

Mas sobre o que um filme fala? Receamos que independente do gênero escolhido e o tema abordado, um filme falará do ser humano, mesmo que não tenha nenhum ser humano como personagem em determinada na narrativa. As narrativas sempre irão girar em torno do ser humano e sua relação com as pessoas, com o planeta e consigo mesmo.

5.2 A TÉCNICA COMO RECEITA DE BOLO

Se qualquer pessoa dispuser de um manual que lhe ensine todos os enquadramento e planos, seu conceito e definição. Onde poderia encontrar explicações detalhadas sobre cada função; enquadramento, ângulo, e plano. Deste modo, bastaria que, ao seguirmos o manual, “como uma receita de bolo”, seriamos capazes de realizarmos uma obra de arte cinematográfica.  E que ainda tivesse uma aula, com um bom professor. Que lhe ensine, na pratica, como aplicar todas a técnicas. Poderíamos dizer que esta pessoa, ao se apropriar destes saberes, se tornaria um ótimo diretor.

No entanto, como sabemos, não é assim que ocorre. Pois se um produto cinematográfico for tecnicamente produzido, de modo que o diretor e a equipe, tenha se utilizado “matematicamente” do que prescreve os manuais, ainda assim diríamos; “- o filme foi tecnicamente perfeito, porem faltou um pouco mais de ousadia”.

E aqui reside nosso paradoxo; reconhecemos que a razão pela qual, os clássicos que foram premidos pelas mesmas categorias em épocas distintas. É porque havia algo que persistia ou “algo que permanece”. E é por esta mesma razão, que a academia tem condições de estabelecer parâmetros para julgar na mesma categoria distintos filmes. Por que então, um filme tecnicamente bem elaborado, correria o risco de não ser premiado, ou ao menos ser considerado um clássico?

A resposta para esta questão, está no quesito criatividade, e este é nosso real paradoxo. Pois o ser criativo, irá se apropriar da técnica, e ao mesmo tempo em que irá fazer um produto bem acabado tecnicamente, transcenderá esteticamente. Só que para isto, o artista deverá, paradoxalmente, se apropriar da técnica, para depois ousar, e até mesmo “jogar fora” alguns conceitos técnicos e estéticos, ou reinventa – los. E mesmo que não utilize de maneira ortodoxa, as técnicas prescritas. No final da obra, teremos, para surpresa de muitos, um trabalho bem acabado técnica e esteticamente perfeito, ou seja, uma obra - prima.

5.3 CRIATIVIDADE: UM ELEMENTO QUE NÃO VEM NOS MANUAIS

Ser criativo, está muito além do que de ter “boas sacadas” ou ter “ideias malucas”. O termo aqui irá se expandir para outros quesitos necessários para o exercício do ser criativo. Que é ter coragem, determinação, persistência, e é claro, conhecer todo o processo e recursos do objeto, em que se está trabalhando. 

E para ilustrarmos estes quesitos como necessários, que destacamos como importante para o exercício do criar e manter –se fiel á obra. Falaremos de dois diretores; Francis Ford Coppola e Stanley Kubrick.

Ambos dirigiram grandes clássicos, e embora cada um tivessem suas particularidades, havia algo em comum entre eles; buscavam a perfeição, e para isto, apresentavam cada qual ao seu modo, os mesmos quesitos: coragem, persistência, e determinação.

Quando Coppola estava dirigindo o The Godfather (O Poderoso Chefão - br), houve diversas críticas sobre seu trabalho, entre elas, sobre a narrativa que ele estava construindo, pois os “figurões” da Paramount, queria um filme sobre gangster com mais ação. Além deste problema, Coppola teve que “brigar” pela construção do elenco, por atores que estavam sendo rejeitados, dentre eles; Al Pacino e Marlon Brando. Fiel aos seus instintos criativos, e confiante na narrativa que estava construindo, Coppola deixou para a história do cinema, não apenas, um ótimo filme sobre gangster, mais uma obra – prima.

Quando Kubrick dirigiu o filme The Shining (O Iluminado - br), que seria uma reprodução cinematográfica da obra de Stephen King. Com a alcunha de diretor “intelectual”, ao contrário de Coppola, que só começou a ter problemas durante as filmagens, Kubrick viria sofrer problemas, já quando seu nome foi mencionado para dirigir o longa. Mesmo assim, construiu uma narrativa ao seu estilo, e hoje The Shining, é considerado um clássico do gênero de terror, e o filme é referência e material de estudo sobre planos, fotografia, trilha sonora, direção de arte, direção e interpretação.

Estes dois diretores mostraram que o que permanece na sétima arte, como aquilo que é possível de qualquer um aprender; é o modo de como fazê-lo. E este modo, além da criatividade, que perpassa por uma racionalidade de como compor os elementos, também é preciso ter autoconfiança e coragem. Pois as regras e os códigos para a construção da linguagem estão ai disponíveis.

Entretanto, mesmo que ambas as obras (The Godfather e The Shining) tenham sido produzidas em épocas diferentes, 1972 e 1980, respectivamente. E são também produções de artistas diferentes e de gêneros diferentes. Porém, em um quesito elas compartilham; são clássicos do cinema, são referências de como aprender o bom uso da técnica, para compor a narrativa. Se tornando filmes com referência para uma excelente aula de direção, direção de arte, fotografia, interpretação, trilha sonora e etc.

E esta possibilidade, de filmes de gêneros diferentes terem as mesmas referencias em importantes categorias. Só é possível porque temos um elemento universal, um elemento que permanece. Este elemento é a criatividade, e junto com ela, inclui-se valores éticos e estéticos. Pois o que está no manual, pode vir a ser transitório. Como demostrou o Dogma 95, que mesmo sendo contra toda a cartilha técnica da linguagem cinematográfica tradicional. Foram criados outros clássicos do cinema, a partir deste movimento. Que quando avaliados, paradoxalmente, eles trouxeram observações técnicas, que também nos serviram de referências.

E é justamente sobre isto do que estamos falando, que aquilo que permanece, não se encontra na obra em si, e nem nas técnicas tradicionais de se fazer esta arte. Mais sim no modo de como fazê-lo. Que está dentro do gênio do artista. Onde mesmo que confrontamos obras de Akira Kurosawa (Sonhos), Jean-Luc Godard (O Acossado), Federico Fellini (La dolce Vita), Scorsese (The Goodfellas) e Coppola (The Godfather). Iremos verificar como permanente, a criatividade destes artistas nestas obras

Pois não existe a direção de arte de Coppola, de Kubrick ou Kurosawa, existe a direção de arte. E este ponto nos parece universal, pois as expressões desta categoria podem ser diferentes nestes diretores. Porem trata-se da mesma linguagem; o cinema.

E deste modo, Arika Kurosawa está para Coppola, como Miguelangelo está para Van Goh, ou seja, tanto uns como outros, contem maneiras diferentes de se expressar, entretanto, se comunicam com a mesma linguagem; arte áudio – visual e artes visuais.

Em resumo, o permanente na sétima arte (ou qualquer outra) está na genialidade que o artista expressa, e o transitório, os recursos e técnicas que estes venham dispor. Sendo assim, quer seja no cinema mudo, com som, com computação gráfica, com 3D ou qualquer outra tecnologia que venha surgir. Quando um artista imprimi sua genialidade em suas obras, todas, em qualquer época, receberão o status de clássicos.

Esta noção, entre o transitório e o permanente, está contida no próprio sentido da palavra arte. E assim retornamos ao início; onde do grego teríamos “teknè”= técnica ou habilidade, e do latim “ars” = saber fazer. Ou seja, o artista é aquele que sabe aplicar bem a técnica com habilidade e criatividade, tornando universal a experiência estética de sua obra.

6 REFERENCIAS

Site Direcaodeartedesign: olhe ao seu redor e me mostre o belo

https://direcaodeartedesign.wordpress.com/2012/11/22/direcao-de-arte-a-diferenca-que-voce-ve-cinema/

Editora Abril

O Iluminado/ Editora Abril – São Paulo: abril,2008 56; il + 1 disco (dvd) – (cinemateca VEJA)


Publicado por: Geano Philos Mendonça de Lucena

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.