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O LÍDER E SUA IMPORTÂNCIA NO DESENVOLVIMENTO DE ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS

Administração

O papel da liderança em diferentes âmbitos de atuação e seu desempenho em equipe de trabalhadores e organizações públicas e privadas, bem como as diferenças básicas de atuação dos profissionais ligados ao setor público e privado.

RESUMO

É de grande relevância o conhecimento sobre líderes no cotidiano das empresas e na gestão pública, seja coordenando equipes ou mesmo atuando na execução de estratégias e planejamentos governamentais para garantir melhor qualidade dos produtos e serviços prestados aos clientes ou cidadãos. O trabalho tem como objetivo apresentar uma pesquisa bibliográfica sobre o papel da liderança em diferentes âmbitos de atuação e seu desempenho em equipe de trabalhadores e Organizações Públicas e Privadas. Ressaltando as diferenças básicas de atuação dos profissionais ligados ao setor público e privado, é possível observar a viabilidade de adaptações na atuação de líderes visando melhorar a qualidade dos serviços prestados dentro e fora das empresas. Isso vem agilizando a gestão pública que incorpora aos poucos conceitos de cobrança de resultados, eficiência, valorização do capital intelectual e melhor atendimento aos cidadãos. Enquanto isso, os líderes no setor privado tem o foco centrado no alinhamento das empresas em buscar destaque e solidez no mercado, através do lucro e na melhor oportunidade e boa remuneração, as lideranças da gestão pública empenham-se para buscar de forma competente o atendimento do interesse público e maior motivação para se beneficiar de planos de carreira baseados no mérito.

Palavras–chave: Liderança. Pública. Privada.

ABSTRACT

This of great significance greater knowledge about the role of leaders in everyday business and public management, or coordinating teams or even acting in the execution of governmental strategies and plans to ensure better quality of products and services generated. This work aims to present a literature discussing the role of leadership in harmony performance team of employees in Public and Private Organizations. Excepting the basic differences of professional activity linked to public and private sector, it is possible to observe the feasibility of adaptations in the actions of leaders to improve the quality of relationships within and outside the enterprise. This comes speeding governance incorporating concepts gradually to demand results, efficiency, intellectual capital and better service to citizens. While leaders in the private sector has the focus centered on profit and the best pay, the leaders of public management is strive to seek competently care of the public interest and greater motivation to benefit from career paths based on merit.

Keywords: Public. Private. Leadership.

INTRODUÇÃO

O presente artigo trata-se de um assunto muito discutido na atualidade, partindo do pressuposto que é um tema inesgotável sobre o significado e o papel que exerce a liderança nas diferentes realidades sociais desde a política até áreas de conhecimento que apontam as deficiências e carências em encontrar lideres que tenham qualidades com características espontâneas, que assumem a responsabilidade frente a seus colegas de trabalhos, que tenham sensibilidade e a capacidade de dialogo com os diversos níveis de conhecimento. Ao longo dos anos ouve-se muito falar em liderança. Pesquisas foram feitas com o propósito de conceituar o termo e para podermos entender melhor o assunto, usamos como campo de analises para poder focalizar o assunto dentro de uma pesquisa bibliográfica em que vários autores identificam que o assunto tratado é da realidade atual.

O assunto abordado neste trabalho se justifica pela grande necessidade de adquirirmos maiores conhecimentos sobre o perfil e a atuação de líderes no cotidiano de empresas privadas e na gestão pública, seja no gerenciamento de equipes ou executando estratégias e planejamentos para garantir melhor qualidade e atendimento no público e dos produtos. È importante ressaltar de acordo com o papel da liderança pode estimular os trabalhadores a uma aplicação mais eficiente dos conhecimentos recebidos em sua qualificação profissional, tornando o clima de produção mais harmonioso e agradável para todos. As Organizações que valorizam seus recursos humanos e investem em promoções de lideranças e melhores condições de atuação em suas áreas específicas têm sido menos atingidas pelas crises e obtido mais sucesso na concorrência com outras empresas. O conhecimento gerado tanto pela experiência profissional como pelas atualizações constantes obtidas em cursos e eventos constitui atualmente um capital social importante para o sucesso e a sobrevivência da maioria das empresas. O capital humano é o maior bem que uma empresa pode ter em termos estratégicos e de resultados.

Os diversos enfoques no preparo de lideranças para atuar com as novas realidades de mercados cada vez competitivos, onde a excelência no atendimento, qualidade dos serviços e a redução de custos são diferenciais das empresas de sucesso e de destaque. Além disso, são inúmeras as publicações de artigos e biografias de líderes e autores renomados refletindo sobre a importância do assunto nas diversas organizações e empresas que buscam destaque empresarial no mundo dos grandes negócios.

LIDERANÇA

No Mundo Globalizado, muito tem se falado sobre liderança e a sua importância para o desenvolvimento de uma organização, desta forma destacaremos o conceito da palavra na visão de alguns autores da atualidade. Apesar das diversas definições encontradas, destaca-se a de Chiavenato (2000, p.107) onde afirma que "liderança é a influência interpessoal exercida numa situação e dirigida por meios do processo da comunicação humana para a consecução de um determinado objetivo." Chiavenato (2000, p.89) ressalta ainda que "liderança é o processo de exercer influência sobre pessoas ou grupos nos esforços para realização de objetivos em uma determinada situação".

A importância de um líder em uma organização (política, social e religiosa) permite diferenciar-se de outras na busca de objetivos determinados, em muitos casos a perda de legitimidade e responsabilidade social. Nas empresas na atual conjuntura observa-se esta realidade a ausência e o compromisso com a comunidade, e claro e notório que este assunto da liderança é tratado por diversos autores como Franco (2008, p.55) diz que "a melhor maneira de conduzir uma empresa para o sucesso é por meio dos líderes que lá estão que viabilizarão os resultados por meio das pessoas”. Neste aspecto o autor Maximiano (2000, p.331) afirma que "a liderança é uma função, papel, tarefa ou responsabilidade que qualquer pessoa precisa desempenhar, quando é responsável pelo desempenho de um grupo".

É importante ressaltar que o exercício da liderança esta relacionada a organização (que possui seu próprio sistema de liderança) e o comprometimento pessoal dos membros da Direção disseminando e atualizando e cultuando os valores e princípios organizacionais que promovam a cultura da excelência, considerando as necessidades de todas as partes interessadas.

Assim, os líderes são de extrema importância para o desempenho e o crescimento da organização, dirigindo equipes para servirem ao bem comum. Neste aspecto Carlzon (2005, p.43) descreve que:

Um líder não é escolhido porque sabe tudo e pode tomar qualquer decisão. É escolhido por reunir o conhecimento disponível e então criar os pré-requisitos para a realização do trabalho. Elabora os sistemas que lhe permitem delegar responsabilidade para as operações do dia-a-dia.

Continua a reflexão de Carlzon (2005), quando manifesta que o líder dos negócios de hoje deve administrar não somente finanças, tecnologia, produção e afins, como também os recursos humanos. Ao definir metas e estratégias claras, transmitindo-as em seguida a seus empregados e treinando-os para assumir responsabilidades de modo a atingir estes objetivos, o líder estabelece um ambiente de trabalho seguro que favorece a flexibilidade e a inovação.

Desta forma, um líder é um ouvinte, um comunicador, um educador – uma pessoa emocionalmente expressiva e inspiradora, capaz de criar a atmosfera certa em vez de tomar ele mesmo todas as decisões. A figura do líder é imprescindível no ambiente de trabalho, pois é por meio de uma boa liderança que a empresa terá colaboradores motivados, um clima organizacional satisfatório com boas relações de trabalho, clientes satisfeitos, bons lucros, resultados positivos, entre outros.

Características do Líder

Ao tratar do tema liderança é importante falar também sobre as características do líder e os traços da personalidade. Destaca-se oportunamente a visão de Chiavenato (2000, p.90), identificando alguns traços característicos da personalidade dos lideres:

1. Traços físicos: como energia, aparência pessoal, estatura e peso;

2. Traços intelectuais: adaptabilidade, agressividade, entusiasmo e autoconfiança;

3. Traços sociais: cooperação, habilidades interpessoais e habilidade administrativa;

4. Traços relacionados com a tarefa: impulso de realização, persistência e iniciativa;

Com a evolução dos estudos sobre liderança, observou-se que os líderes poderiam adquirir e modificar habilidades e atitudes através da aprendizagem (MC GREGOR, 1992 apud FERREIRA, 2006, p.25). Assim, com o passar do tempo essa teoria apresentou falhas e por isso, acabou perdendo sua importância.

Entende-se, então, que mesmo não acreditando que existia um conjunto de traços que identificasse um líder, não podia deixar de reconhecer, ao longo de vários estudos, a existência de duas características da liderança: a influência e a confiança.

Alguns atributos que servem de alicerce para a liderança são mencionados por Nascimento (2008, p.70) onde afirma que:

[...] os líderes devem cultivar as seguintes características e atributos: ouvir atentamente; despertar empatia; desenvolver atitudes positivas e otimistas; exceder promessas e compromissos; reconhecer dúvidas e vulnerabilidades pessoais; ser energético em alto nível; e ser sensível às necessidades, aos valores e ao potencial de outros.

Relacionando com o exposto pelos autores citados sobre o papel da liderança dentro e fora da empresa ou organização,  o líder não nasce pronto para liderar, pois a liderança pode ser aprendida e desenvolvida em qualquer pessoa dependendo da vontade de apreender e a capacidade de interagir de forma realista e com compromisso com o bem estar das pessoas.

A Diferença entre Líder e Chefe

É comum observar que muitas pessoas em cargos de chefia não estão preparadas para conduzir uma equipe. Muitas acham que ser chefe é a mesma coisa que ser líder. Isso não é verdade, pois liderar não é a mesma coisa que chefiar. Segundo Tourinho (1981 apud SOBRINHO e ALMEIDA, 2002, p.26):

Chefe é alguém que exerce o poder de mando em virtude de uma autoridade oficial ou oficiosa. Líder é uma pessoa que, graças à própria personalidade e não a qualquer injunção administrativa, dirige um grupo com a colaboração dos seus membros.

Assim, infere-se que o líder é uma pessoa que dirige sua equipe com a ajuda dos seus liderados, sendo que todos estão voltados para um objetivo coletivo.

De acordo com Beal, Bohlen e Raudabaugh (1965 apud SOBRINHO e ALMEIDA, 2002, p.27):

A palavra é usada não só para designar quem comanda (chefe) como para quem guia (líder). Na prática há enormes diferenças nos tipos de liderança. Às vezes o chefe não lidera e sim tem um poder autoritário sobre os liderados. Já o líder é a pessoa que tem maior domínio sobre os membros do grupo ou equipe.

Aquele que exerce poder, no caso do chefe, para conseguir a adesão do grupo corre o risco de ser sabotado sem saber o que está se passando, pois um funcionário insatisfeito pode influenciar toda a equipe contra uma idéia mais do que o próprio chefe a favor dessa mesma idéia.

Dentre várias teorias de liderança estudadas ao longo dos tempos por diversos autores, será abordada aqui apenas a Teoria Comportamental e seus três estilos de liderança sendo elas autocrática, democrática e liberal.

De acordo com a Teoria Comportamental, Bonome (2008, p.60) conceitua liderança autocrática como: "Supervisão cerrada com a chefia determinando o que deve fazer, escolhendo os membros, elogiando ou criticando, não se envolvendo pessoalmente com os indivíduos. Os indivíduos mostraram-se frustrados, tensos e consequentemente agressivos."

Por meio deste conceito entende-se que o líder autocrático é centralizador, define os objetivos de seus subordinados, além de escolher o método de trabalho, não deixando que os liderados participem das decisões tomadas.

Quanto à liderança democrática, Bonome (2008, p.60) diz que:

O líder portou-se de modo impessoal – orientação e decisão em grupo, tarefas previamente decididas e bem comunicadas em que o grupo escolhia e dividia o trabalho por si mesmo. O líder elogiava o grupo e não o indivíduo. Facilidade de comunicação, franqueza, amizade e responsabilidade predominavam.

Portanto, observa-se que o líder democrático toma suas decisões com o consenso do grupo incentivando a participação de todos na tomada de decisões. Delega autoridade para que seus liderados sugiram e executem os objetivos traçados, aceitando as decisões do grupo e não esquecendo de usar o feedback.

O terceiro estilo de liderança da Teoria Comportamental é a liderança liberal, conforme Bonome (2008, p.60):

O grupo permanece à vontade no trabalho. O líder oferece completa liberdade, nada faz para interferir no trabalho do grupo. Não há crítica, elogio ou orientação ao grupo. Os indivíduos mostram-se confusos, porém com muita atividade. Embora não ocorra interferência do líder, o respeito dá lugar a atitudes agressivas.

Assim, percebe-se que esse tipo de líder toma poucas decisões, pois a maior parte delas é tomada pelos seus subordinados que tem ampla liberdade, em virtude da ausência de avaliação de desempenho.

Infere-se que toda organização desenvolve estilos diferentes de liderança e que, dependendo do estilo adotado, o grupo poderá ajudar no atingimento das metas mais rapidamente ou até mesmo retardar o alcance dos objetivos. Determinados estilos, quando colocados em prática, desenvolvem maior desempenho por parte dos trabalhadores.

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CLIMA ORGANIZACIONAL

Além da liderança, o clima organizacional também é um fator essencial na relação líder e liderado. O clima pode ser transformado, pela liderança, em um ambiente agradável onde as necessidades dos colaboradores sejam atendidas.

Para Chiavenato (2002, p.95):

O termo clima organizacional refere-se especificamente às propriedades motivacionais do ambiente organizacional, ou seja, àqueles aspectos da organização que levam à provocação de diferentes espécies de motivação nos seus participantes. Assim, o clima organizacional é favorável quando proporciona satisfação das necessidades pessoais dos participantes e elevação do moral. É desfavorável quando proporciona a frustração daquelas necessidades. Na verdade, o clima organizacional influencia o estado motivacional das pessoas e é por ele influenciado.

Com isto, pode-se dizer que o líder é o principal responsável por criar boas relações dentro da empresa conduzindo sua equipe a desenvolver as atividades com maior eficiência. Do contrário, poderá haver influências negativas que afetarão diretamente o ambiente organizacional e o relacionamento entre os liderados.

Contudo, para que haja um ambiente saudável é necessário que o líder saiba ouvir as pessoas, pois assim, identificará problemas que venham impedir o crescimento das relações organizacionais e pessoais.

Nosso objetivo ao escrever este artigo foi analisar possíveis diferenças entre estilos de liderança de organizações públicas e privadas, desta forma, listaremos algumas competências desejadas para o líder atuante em empresas públicas, de acordo com, Oliveira, et al. (2010).

Capacidade de comunicação, Capacidade de lidar com os liderados, Legitimidade, Bom senso, Capacidade de agregação, Disciplina, Visão sistêmica, e Espírito de corpo.

Para que possamos entender melhor a forma de atuação do líder em organizações públicas, destacamos a visão do Consultor Rogério Leme, em entrevista concedida ao site RH.com.br. De acordo com ele, conduzir equipes em uma empresa que ofereça todas as ferramentas necessárias para a mensuração de resultados e a avaliação de talentos não é uma tarefa fácil, a situação complica-se mais ainda quando o líder não conta com os recursos necessários para o desenvolvimento dos seus liderados e sabe que mesmo que não atenda às expectativas esperadas, gere conflitos e até mesmo prejudique o clima organizacional, o profissional dificilmente será desligado do quadro.

Esta, infelizmente, é a realidade vivenciada por muitas lideranças que atuam em órgãos públicos, seja na esfera federal, estadual ou municipal. Somando-se a esses problemas, boa parte dos líderes assume essa função por suas competências técnicas, sem terem sido preparados para gerir pessoas. Conforme Rogério Leme, os gestores do serviço público ainda possuem as iniciativas de controle da Era Industrial e não da Era do Conhecimento e ainda são, em sua maioria, chefes e não líderes.

Os gestores do serviço público são, em geral, profissionais altamente capacitados e técnicos em sua área de atuação, extremamente inteligentes, capazes e com alto grau de formação acadêmica. Entretanto, não são ou não estão preparados para serem líderes de pessoas em um ambiente político, envolto por interesses políticos, muitas vezes partidários, onde impera o uso de poder.  O principal fator é que estes gestores não foram preparados para serem gestores de pessoas, mas apenas gestores de processos. Normalmente, o melhor técnico assumia o posto de liderança, ou ainda, um profissional era convidado para ser gestor em troca de uma promoção salarial, uma vez que os planos de cargos e salários, que no serviço público é chamado de plano de carreira, estão obsoletos e defasados.

Mas, a culpa não é deles, diz Rogério Leme. O funcionalismo público foi largado durante muitos anos e agora iniciamos as ações para colocar a administração pública, de maneira geral, nas diretrizes contemporâneas da gestão. Agora falamos de planejamento estratégico, Balanced Scorecard (BSC), gerenciamento pelas diretrizes, Gestão por Competências, avaliação de desempenho, clima organizacional, cultura de resultados. Isso tudo requer do líder uma nova postura, mas requer um investimento no desenvolvimento das pessoas, pois liderança não se resolve ou se adquire apenas com leitura de livros de autoajuda ou treinamentos em sala de aula. São necessárias ações específicas e estratégicas, ainda mais no ambiente técnico-político onde está inserido o serviço público.

As limitações impostas pela lei, pela falta de possibilidade de implantar incentivos de remuneração, de atração, de retenção de talentos ou mesmo de desligar profissionais abaixo das necessidades pelo fator da estabilidade, exigem que o líder seja muito melhor. Desenvolver pessoas é a única alternativa de um líder no setor público, diferente da iniciativa privada. Logo, ele deve ser melhor em lidar com as pessoas, em extrair das pessoas o melhor que elas podem entregar, em motivar e manter as pessoas motivadas. Para isso, é fundamental o líder do gestor público conquistar e saber trabalhar com autoridade e não com o poder. Trabalhar a liderança pelo exemplo nas organizações públicas é a maneira de ter autoridade e ter autoridade é essencial para o desenvolvimento da liderança eficiente e eficaz no serviço público.

De acordo com Abrucio (1997, p. 7) apesar das diferenças marcantes da gestão pública e do moderno gerenciamento empresarial, tornou-se comum no Brasil, nos últimos anos, entre os cidadãos, ministros e administradores estaduais e municipais o apoio de forma contundente de reformas e adoção de um estado gerencial. Isso fica mais evidente nos discursos feitos nos palanques eleitorais onde é defendida pela maioria dos políticos a adoção de algumas práticas usadas em empresas privadas para órgãos públicos. Apesar da evidente demagogia desses discursos, alguns conceitos empresariais vem sendo adotados, tais como a crescente separação entre atividades exclusivas do estado e serviços sociais e científicos incluídos no orçamento da União. Também, sinais marcantes de popularização de expressões como: “reforma gerencial”, “qualidade total”, “contratos de gestão”, “eficiência administrativa” e outras. Isso demonstra que a sociedade não só vem apoiando, mas optou por dar espaço em seu cotidiano aos princípios adotados pelo Estado que se propôs ser mais gerencial e moderno e menos patrimonialista para atender seus cidadãos.

A modernização da gestão pública no Brasil, com ênfase em princípios de gerenciamento, liderança e cobrança de resultados como é comum no setor privado, é um processo complexo e embora alguns resultados já possam ser observados, muitas questões permanecem em aberto, principalmente em se tratando de relações entre o novo modelo de administração pública e construção de lideranças.

É notório que a maior busca na atualidade tanto em empresas públicas como privadas está na aplicação dos princípios de liderança para melhorar o relacionamento interno e com os clientes.

Segundo Fornazieri (2014) em seu artigo Crise de Liderança: Maquiavel, considerado o pai da política moderna, entendia que há uma diferença fundamental entre a administração do privado e o governo político, implicado na exigência do domínio da arte de governar. Para ele, o governo político representa uma singularidade transcendeste de comando em relação às formas administrativas privadas. O seu objeto são o povo e o território e seu objetivo é o bem comum. O objeto e os objetivos determinam a natureza diversa entre a administração do privado e o governo político. Enquanto busca de objetivos determinados e parciais, o governo político pode e deve incorporar a administração, mas jamais se reduz a ela. Ainda, conforme  Fornazieri (2014), o governante lida com recursos escassos e demandas ilimitadas; o administrador gerencia pessoas com funções delimitadas e capacidades profissionais específicas; o governo, além da burocracia, governa uma sociedade imersa em conflitos múltiplos e plurais. Quer dizer, as diferenças entre as duas atividades são inúmeras.

Recorrendo ainda a Maquiavel, o autor relaciona que em tempos de normalidade prevalecem os líderes medíocres. Somente nos momentos excepcionais, nos momentos de grandes tragédias, de grandes desafios, surgem líderes extraordinários. Alguns podem questionar a necessidade líderes fortes ou até mesmo da simples lideranças. Ocorre que a política é uma atividade contrária ao curso espontâneo do mundo. Governar é dar direção e sentido. E, ao que parece, o mundo, o Brasil e a sociedade mais do que nunca precisam de direção e sentido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por fim, salientando as diferenças básicas de atuação dos profissionais ligados ao setor público e privado, é possível observar a viabilidade de adaptações na atuação de líderes visando melhorar a qualidade dos relacionamentos dentro e fora das empresas. Isso vem agilizando a gestão pública que incorpora aos poucos conceitos de cobrança de resultados, eficiência, valorização do capital intelectual e melhor atendimento aos cidadãos.

O estilo de liderança mais aceitável compreende o serviço em clima de relacionamento harmonioso e afinado com as metas estabelecidas, adaptando-se de forma contínua para cada situação na busca da eficiência, competência e satisfação de todos os envolvidos com o processo de gestão.

Enquanto lideranças em empresas privadas concentram seus esforços no lucro e em melhores salários, os líderes da gestão pública empenham-se para buscar de forma competente o atendimento do interesse público e maior motivação para se beneficiar de planos de carreira baseados no mérito.

Por meio dos estudos apresentados, observou-se que o líder deve estar preparado para influenciar seus liderados, levando-os a alcançar os objetivos traçados pela empresa. Além disso, um bom líder tem a grande responsabilidade de construir um clima organizacional satisfatório e equilibrado para que haja boas relações de trabalho e resultados positivos. Observou-se também, que um líder motivado consegue ver oportunidade onde outras pessoas só vêem dificuldades.

Com isto, analisou-se a diferença entre líder e chefe chegando concluindo-se que o líder tem o foco nas pessoas e ajuda sua equipe a alcançar os objetivos. Já o chefe, exerce o poder de mando focalizando mais nos sistemas e estruturas, correndo o risco de ser sabotado por seus funcionários caso suas idéias não sejam aceitas pelo grupo.

É importante salientar, o clima organizacional contribui e torna propicio o estilo de liderança. Por isso, é fácil visualizarmos várias organizações com diferentes ambientes, e diferentes atendimentos. Por esta razão, entende-se o principal motivo pelo qual algumas empresas alcançam o sucesso e outras não. Este estudo mostra a também importância do líder no clima organizacional e no comportamento das pessoas, para que haja um ambiente saudável e funcionários satisfeitos, é preciso haver a figura do líder que saiba ouvir as pessoas e ajudá-las a se comprometerem com a empresa. Deve saber lidar, também, com os conflitos que venham surgir, transformando-os em resultados construtivos, fazendo com que sua equipe reflita e amadureça diante das desavenças, pois comportamentos positivos requerem pessoas com maturidade pessoal e profissional.

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Psicologia, Graduação ,Universidade Luterana do Brasil, 2006.

Silvana Marques da Silva - Acadêmica do Curso de Gestão de Pessoas, Nível Pós-Graduação, Escolas e Faculdades QI-Campus Gravataí


Publicado por: SILVANA MARQUES DA SILVA

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