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Escola Sustentável: Uma percepção do Eixo III - Educação, Trabalho e Desenvolvimento Sustentável, do PNE.

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Confira um artigo que apoia a implementação de projetos de pesquisa em escolas da educação básica, com vistas à criação de uma permacultura.

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1. RESUMO

Seguindo as orientações da Conferência Nacional de Educação, para compor um norte ao Plano Nacional de Educação – PNE, e por sua vez a Lei 9.795/99, a educação ambiental envolve a promoção de processos pedagógicos que favoreçam a construção de valores sociais, conhecimentos, habilidades e atitudes voltadas para a conquista da sustentabilidade socioambiental e a melhoria da qualidade de vida. Conforme Jacobi, “a noção de sustentabilidade implica uma necessária interrelação entre justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a necessidade de desenvolvimento com capacidade de suporte”. Nesse sentido, a sustentabilidade inclui, inevitavelmente, as questões sociais, caracterizando-se como socioambientais. Este artigo tem como objetivo apoiar a implementação de projetos de pesquisa e intervenção em escolas da educação básica, com vistas à criação de uma permacultura.

Palavras-chave: Permacultura. Ambiência. Educação.

ABSTRACT

Following the guidelines of the National Education Conference, to compose a North National Education Plan - PNE, and in turn the Law 9.795/99, environmental education involves promoting educational processes that foster the construction of social values, knowledge, skills and attitudes aimed at the achievement of environmental sustainability and improved quality of life. As Jacobi, "the notion of sustainability implies a necessary interrelation between social justice, quality of life, environmental balance and the need to support capacity development." In this sense, sustainability inevitably includes social issues, characterized as environmental. This article aims to support the implementation of research projects and intervention in basic education schools with a view to creating a permaculture.

Key-words: Permaculture. Ambience. Education.

2. INTRODUÇÃO

Segundo o Eixo III, documento da Conferência Nacional da Educação, para o Plano Nacional de Educação, trata da Educação, Trabalho e Desenvolvimento Sustentável: Cultura, Ciência, Tecnologia, Saúde, Meio Ambiente, remete excepcionalmente sobre as políticas educacionais para o desenvolvimento sustentável e tento uma educação com uma prática social, para atender as demandas do mundo contemporâneo, em especial os problemas ambientais.

Diante desta nova realidade contemporânea temos que repensar uma nova escola, e refletir sobre o futuro da humanidade, com praticar e conceitos antes desconhecidos ou poucas aplicáveis. Podemos destacar o conceito da permacultura que tem como filosofia um sistema idealizado para a criação de ambientes humanos sustentáveis, envolvendo as áreas socioeconômicas, ambientais e éticas, ou seja, um ambiente que pratique o desenvolvimento sustentável.

Uma escola sustentável é, antes de qualquer coisa, uma escola que aprende, onde todas as pessoas, de todas as idades, aprendem, em diálogo permanente, que extrapola seus limites e envolve o bairro, a cidade, o mundo. Nela se desenvolve a criticidade e o pensamento sistêmico: “a consciência da complexidade, das interdependências, da mudança e do poder de influenciar” (Senge, 2005, p. 57). Escolas sustentáveis são definidas como aquelas que mantêm relação equilibrada com o meio ambiente e compensam seus impactos com o desenvolvimento de tecnologias apropriadas, de modo a garantir qualidade de vida às presentes e futuras gerações. Esses espaços têm a intencionalidade de educar pelo exemplo e irradiar sua influência para as comunidades nas quais se situam. A transição para a sustentabilidade nas escolas é promovida a partir de três dimensões interrelacionadas: espaço físico, gestão e currículo.

  • Espaço físico: utilização de materiais construtivos mais adaptados às condições locais e de um desenho arquitetônico que permita a criação de edificações dotadas de conforto térmico e acústico, que garantam acessibilidade, gestão eficiente da água e da energia, saneamento e destinação adequada de resíduos. Esses locais possuem áreas propícias à convivência da comunidade escolar, estimulam a segurança alimentar e nutricional, favorecem a mobilidade sustentável e respeitam o patrimônio cultural e os ecossistemas locais.
  • Gestão: compartilhamento do planejamento e das decisões que dizem respeito ao destino e à rotina da escola, buscando aprofundar o contato entre a comunidade escolar e o seu entorno, respeitando os direitos humanos e valorizando a diversidade cultural, étnico-racial e de gênero existente.
  • Currículo: inclusão de conhecimentos, saberes e práticas sustentáveis no Projeto Político-Pedagógico das instituições de ensino e em seu cotidiano a partir de uma abordagem que seja contextualizada na realidade local e estabeleça eixos e vínculos com a sociedade global.

A escola sustentável recebe informações, recursos, demandas, desafios dos sistemas mais amplos aos quais pertence e sobre eles atua a partir dos conhecimentos que sistematiza. Trata-se de uma escola pulsante, viva, que se definem menos como espaço físico e mais como redes de interações horizontais, de trocas qualificadas de saberes entre alunos, docentes, funcionários, famílias, especialistas e profissionais e lideranças de todas as categorias. Atores sociais com os quais se comunica real ou virtualmente, em situações de aprendizagem nas quais os alunos podem transformar informações em conhecimento que interfere na realidade.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A metodologia aplicada para multiplicar o conhecimento de um trabalho científico é de grande importância para definir a qualidade dos métodos e técnicas aplicadas no desenvolvimento, no desempenho e na conclusão do conhecimento estudado. Segundo autores como Acevedo (2004), Cervo (2007), Gil (2009) e Lakatos e Marconi (1996), a ampliação de novos conhecimentos tem como objetivos: conhecer, explicar, desenvolver, criar e até combinar a teoria e a prática.

Sem dúvidas, a descrição do método de uma pesquisa expõe o conjunto de regras, de procedimentos e de orientações com vista à confiabilidade dos resultados, respondendo concretamente o problema determinado.

Este estudo possui cunho cientifico acadêmico e tem por método a pesquisa exploratória, descritiva e bibliográfica. Segundo Andrade (2006) pesquisas exploratórias são informações obtidas através de fontes bibliográficas (livros, sites e apostilas) com a finalidade de proporcionar maiores informações sobre determinado assunto, definindo objetivos ou formulando hipóteses de uma pesquisa, incorporar uma revisão de literatura sobre o tema, registros das informações e interpretar os fatos relacionados

Os procedimentos metodológicos utilizados para este estudo levou em consideração as propostas por: Acevedo e Nohara (2004); Andrade (2006); Lakatos e Marconi (1996) e Santos (2009), tomando como base classificação supracitada.

4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Sociedade Sustentáveis

Na última década emergiram conceitos básicos que nos permitem rascunhar o projeto de uma nova sociedade sustentável. O conceito de sustentabilidade transformou-se num elemento chave no movimento global, crucial para encontrar soluções viáveis para resolver os maiores problemas do mundo. Como seria, verdadeiramente, uma sociedade sustentável? Ainda não há modelos detalhados, mas na última década surgiram critérios básicos que nos permitem desenhar a forma emergente das sociedades sustentáveis.

Para isso é necessário crescer na tomada de consciência ecológica da nossa condição terrestre, que compreende nossa relação vital com a biosfera. A Terra não é a soma de um planeta físico, de uma biosfera e de uma humanidade. O conceito de sustentável não pode ser visto apenas com o tripé de ambiental-economico-sociedade, temos que incluir uma nova visão, uma nova concepção e incluir um conceito, uma filosofia uma cultura, a assim destaca-se a permacultura que é um método holístico para planejar, atualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis.

A permacultura foi criada pelos ecologistas australianos Bill Mollison e David Holmgren na década de 1970, baseando-se no modo de vida integrado à natureza das comunidades aborígenes da Austrália. A ênfase na aplicação criativa dos princípios básicos da natureza, integrando plantas, animais, construções e pessoas em um ambiente produtivo e com estética e harmonia.

Permacultura é a utilização de uma forma sistêmica de pensar e conceber princípios ecológicos que podem ser usados para projetar, criar, gerir e melhorar todos os esforços realizados por indivíduos, famílias e comunidades no sentido de um futuro sustentável. Uma cultura permanente do ambiente. Estabelecer uma rotina diária, hábitos e costumes de vida simples e ecológicos - um estilo de cultura e de vida em integração direta e equilibrada com o meio ambiente, envolvendo-se cotidianamente em atividades de auto-produção dos aspectos básicos de nossas vidas referentes a abrigo, alimento, transporte, saúde, bem-estar, educação e energia renovável, proporcionando o desenvolvimento integrado

Educação para a sustentabilidade

A educação é um direito de todos; somos todos aprendizes e educadores. A educação ambiental deve Ter como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não-formal e informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações. Veja o que diz a CONAE:

A educação é uma prática social cada vez mais ampla e presente na sociedade contemporânea, pois se vêm multiplicando os ambientes e processos de aprendizagem formais e informais, envolvendo práticas pedagógicas e formativas em instituições educativas, no trabalho, nas mídias, nos espaços de organização coletiva, potencializados pelas tecnologias de comunicação e informação. Isso se vincula às novas exigências e demandas do mundo do trabalho e da produção, assim como ao desenvolvimento científico e tecnológico, aos aspectos de constituição da cultura local, regional, nacional e internacional e à problemática ambiental e da saúde pública no País.( CONAE 2014, p.40)

 

Consideramos que a educação ambiental deve gerar, com urgência, mudanças na qualidade de vida e maior consciência de conduta pessoal, assim como entre os seres humanos e destes com outras formas de vida. A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos.

O Projeto Escolas Sustentáveis

O Projeto de escola sustável, visa a pensar um modelo econômico capaz de vislumbrar os limites e as possibilidades de uma economia sustentável, ética e socialmente regulada. Para isto propõem-se estudos e reflexões, que contemplem ideias de diferentes saberes, que suscitem a construção de novas formas de organização econômica-social, capazes de recolocar o ser humano na centralidade da vida societária, lugar ocupado hoje pelo mercado.

            Definindo educação ambiental Meirelles e Santos (2005, p.34) dizem:

A educação ambiental, e uma atividade meio que não pode ser percebida como mero desenvolvimento de “brincadeiras” com crianças e promoção de eventos em datas comemorativas ao meio ambiente. Na verdade, as chamadas brincadeiras e os eventos são parte de um processo de construção de conhecimento que tem o objetivo de levar a uma mudança de atitude. O trabalho lúdico e reflexivo e dinâmico e respeita o saber anterior das pessoas envolvidas.

            Ainda segundo Meirelles e Santos “O desafio de um projeto de educação ambiental é incentivar as pessoas a se reconhecerem capazes de tomar atitudes”.

            O processo de aprendizagem pode ser linear, passando apenas de um objetivo a outro, caso o trabalho de educação ambiental seja somente formado por campanhas temporais sobre determinado assunto. Por isso, é importante ligar as ações de educação ambiental ao ensino formal, o que poderá dar um caráter mais permanente ao tema, tornando o processo cíclico e evolutivo.

            O ambiente escolar não é mais o mesmo e não compreende apenas o processo interno da escolar, na atualidade contemporânea o ambiente escolar ganho o termo de ambiência escolar, pois envolve todos os atores (família, profissionais, governo e sociedade) no processo do ensino/aprendizagem dentro e fora dos muros escolares, deve envolver as relações sociais, as novas tecnologias e suas modernidades, pois tudo isso são fatos que influenciam na qualidade da educação.

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5. CONCLUSÕES

Em uma sociedade em constante modificação, que se transforma ao ritmo de novas configurações do conhecimento, das relações, da ciência, caracterizada pela revolução de paradigmas e valores, tecnologia, contradição, pressa, fugacidade, à velocidade da luz.

Na gestão escolar, sem dúvidas, um currículo bem definido, é a alma da escola, com expectativas de aprendizagem para cada disciplina muito bem definidas, a escolha de materiais didáticos, utilização de ferramentas modernas e diversificadas praticadas dentro e fora do ambiente escolar, o desenho de avaliações e a própria interação com alunos e suas famílias, que garantem o sucesso escolar.

A necessidade de se ampliar os esforços na construção de escolas cada vez mais contemporânea e voltada para a realidade local e assim influenciando a realidade global. Que rompam com práticas da escola tradicional, para termos uma Educação justa e que desenvolva o senso de equidade de seus membros, formando um ser humano com a autoestima elevada, crítico, consciente, digno, engajado, solidário, dinâmico, participativo, habilidoso, qualificado, responsável, respeitador e espiritualizado.

Neste sentido, a escola deve mobilizar e articular os que participam desta organização, dando condições necessárias materiais e humanas para que a ação do processo sociopolítico e educacional aconteça da melhor forma possível e com resultados satisfatórios.

Portanto, a educação ambiental como prevista na Constituição Federal deve ser inserida em todos os níveis de ensino, para que futuramente possam se ter pessoas conscientes da importância de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Devido essa grande preocupação com o meio ambiente é que se acredita que a educação ambiental é a única estratégia para uma mudança efetiva.

Conclui-se que para que haja uma escola sustentável, tem que haver consciência ambiental da sociedade como um todo, e as escolas com os educadores têm que fazer seu papel, para se chegar ao desenvolvimento sustentável. Acredita-se que uma eficaz ferramenta para uma consciência ambiental se faz através do ensino formal, colocando em prática atitudes ecologicamente correta para o bem estar da população.

Que seja uma escola que fortaleça a integração escola-familia-professores-alunos-sociedade, ou seja, uma ambiência atuante e assim uma escola que prepare os alunos para a vida e o convívio em sociedade.

6. REFERÊNCIAS

ACEVEDO, Claudia Rosa., NOHARA, Jouliana Jordan. Monografia no curso de administração: guia completo de conteúdo e forma: inclui normas atualizadas da ABNT, TCC, TGI, trabalhos de estágio, MBA, dissertações, tese. São Paulo: Atlas, 2004

ANDRADE, Maria Margarida. Introdução a Metodologia de Trabalho Cientifico. 7º ed. São Paulo Atlas, 2006.

BRASIL. [Lei Darcy Ribeiro (1996)]. LDB: Lei de Diretrizes de Base da Educação Nacional: Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. - 5 Ed. – Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação Edições Câmara, 2010.

CONAE 2014: Conferência Nacional de Educação: documento – referência / [elaborado pelo] Fórum Nacional de Educação. – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria Executiva Adjunta, [2013].

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª Ed. 13. Reimpr. São Paulo: Atlas, 2009.

JACOBI, Pedro. Meio ambiente e sustentabilidade. In: O município do século XXI: cenários e perspectivas p. 180. Disponível em Acesso em 17/01/2014. 

LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina de Andrade. Técnicas de pesquisa: planejamento e organização de pesquisas, elaboração, análise e interpretação dos dados. 3º ed. São Paulo: Atlas, 1996.

MEIRELLES, Maria de Sousa; SANTOS, Marly Terezinha. Educação Ambiental uma Construção Participativa. 2ª ed. São Paulo, 2005.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Tratado de educação ambiental para sociedades sustentáveis e responsabilidade global.

MONTIBELLER FILHO, Gilberto. O mito do desenvolvimento sustentável: meio ambiente e custos sociais no moderno sistema produtor de mercadorias. Florianópolis: Ed. Da UFCS, 2004.

NOGUEIRA, Neide . Projeto: Escola sustentável 

PAMPLONA, Sergio. O que é Permacultura? < http://www.permear.org.br/2006/07/14/o-que-e-permacultura/> Acesso em 24 de janeiro de 2014.

SENGE, P. et al. Escolas que aprendem. Porto Alegre: Artmed, 2005. 

Wikipédia. Permacultura. 


Por Edilson Sousa dos Santos
Mestrando em Docência da Educação Brasileira – SAPIESN/FACNORTE 

Por Euzenia Gregório dos Santos
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Publicado por: EUZENIA GREGÓRIO DOS SANTOS

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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