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Comunicação Sustentável

Administração

Qual é a responsabilidade do comunicador diante do tema "Sustentabilidade"? Clique e confira

Pegando carona no tema sustentabilidade que tem sido destaque nos últimos tempos, convido os leitores para uma reflexão sobre responsabilidade na comunicação ou, em uma abordagem mais específica, responsabilidade do comunicador.

Quando pensamos em desenvolvimento sustentável, logo nos vem à cabeça a ideia de preservação ambiental, mas esse conceito é muito mais amplo e tem o propósito de integrar as dimensões econômica, social e ambiental, entre outras que podem complementar esses pilares. Dentro de uma concepção holística e de longo prazo é possível construir e rever valores transcendendo ações morais para alcançar condutas mais éticas, práticas moldadas pelo caráter e não apenas fundamentadas na obediência à regras para o cumprimento de expectativas sociais. A partir do momento que adquirimos maior consciência sobre os impactos diretos de nossas ações na sociedade e no meio ambiente, passamos a pensar no outro, respeitar seus direitos e individualidades e estabelecer nossos limites. Nesse contexto a comunicação é uma peça fundamental, ela é a ferramenta que sustenta os diálogos em todos os seus aspectos, a troca de mensagens feita de maneira saudável e humanizada permite o compartilhamento de ideias e sentimentos de forma consciente onde é possível explorar o convívio em todas as suas potencialidades. Fazendo uma analogia com os recursos da natureza, podemos dizer que os “hiatos” entre emissor e receptor são “poluentes ambientais” que prejudicam as relações interpessoais, impedem os “encontros”, a troca mútua. Ao nos apropriarmos do papel que exercemos como comunicadores e nos basearmos em comprometimento, integração e visão de futuro, estaremos mais atentos à repercussão daquilo que emitimos. Ainda que o exercício de pensar no outro não tenha um progresso tão veloz quanto os discursos pautados por uma visão mais abrangente e menos imediatista, o interesse pela conexão com as necessidades do outro pode facilitar uma interação mais ampla, embasada em continuidade e não na simples “terceirização de problemas”. O volume e velocidade de dados que trafegam em nosso dia a dia incentivam a superficialidade e colocam o receptor em uma posição passiva, como se ele fosse um depósito de informações e não um participante do processo de interlocução. No entanto, a comunicação não é uma simples transmissão de mensagens, ela provoca reações e entendimentos no outro e por isso merece atenção do emissor, o protagonista dessa obra.

Comunicação é um tema muito amplo, pois envolve variados tipos de relações em diversos contextos. No campo profissional e empresarial, o partilhamento de conteúdos tem recebido uma atenção maior em função das mudanças dinâmicas do mercado e da necessidade de atrair públicos estratégicos. Os consumidores com um olhar mais sustentável já não compram apenas produtos e serviços, mas sim conceitos e, por conta disso, as organizações estão promovendo reflexões e debates internos para criar fortes vínculos e laços duradouros com seus stakeholders. Já a comunicação espontânea, aquela praticada todos os dias em vários âmbitos, não recebe a mesma atenção e cuidado que o sistema profissional, teoricamente mais elaborado. A expressão cotidiana tende a ser mecânica e apresentar comportamentos involuntários por parte do emissor, ele não se reconhece no papel de comunicador que gera e distribui conteúdos com responsabilidade, seja no campo formal ou informal. Ainda que a expressão não tenha o objetivo claro de informar, expor sentimentos ou convencer, os princípios de transparência, convivência harmônica e solidariedade, devem ser preservados, isso é primordial para o conjunto de práticas que buscam promover o espírito de sustentabilidade.

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Em todos os ambientes nossas colocações podem ser modificadas por ruídos, assim como, podem ser valorizadas por alguns recursos. Os obstáculos surgem porque falamos com um público heterogêneo e o que intencionamos transmitir pode não ser decifrado pelo receptor, considerando que o repertório de cada um é diferente e o significado das palavras não está nelas mesmas, mas sim nas pessoas. O receptor não é passivo, o indivíduo dá sentido ao que recebe de acordo com seus valores, as percepções mudam de acordo com os interesses. Outros fatores que podem distorcer uma mensagem são: o estado emocional de um dos agentes do processo, linguagens com dupla interpretação, diferenças dos níveis intelectuais e culturais, presunção de entendimento (deduzir que o outro pensa como você), mensagens muito longas, distrações (fatores externos). Temos ainda a sobrecarga de dados como barreira, corremos o risco de disparar pensamentos desorganizados e sem ordenação por conta do dinamismo que nos invade, Além disso, a interlocução pode ser unidirecional em alguns momentos, um caminho de mão única onde o emissor emite mais mensagens do que recebe (não há necessariamente uma troca) e nesse caso é mais difícil saber se a ideia foi recebida e quais foram suas influências no comportamento do receptor, como motivaram ou afetaram seu estado emocional. Para nos beneficiarmos do poder da comunicação e torná-la positiva é preciso considerar os elementos que utilizamos na transmissão de informações, o “como se fala” é mais significativo que “o que se fala”. Estudos mostram que a nossa compreensão se dá 7% pelas palavras, 38% por como elas são ditas (tom de voz) e 55% pelas ações não verbais (expressão corporal e facial, vestuário). O equilíbrio do fluxo depende da oferta de respostas condizentes com as perguntas (atenção), respeito à opinião do outro (sem preconcepções), preocupação com o bem-estar do outro, reforço a comportamentos positivos, gerenciamento de emoções e busca de aproximação para a criação de empatia (nem sempre a empatia acontece de forma natural).

A proposta de colocar atenção nos desvios e nos benefícios de nossas expressões não tem o intuito de sofisticá-las, mas sim de ajustá-las para construir interações sob um alicerce de escuta ativa, empatia, reflexão e feedback e com isso contribuir com os princípios do desenvolvimento sustentável.


Publicado por: Sandra

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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