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Os porquês de procurar uma atividade física: narcisismo ou necessidade

Saúde

Saúde, atividade física, exercício físico, condicionamento físico, status social, endurance, exercícios de força,...

Universidade Tecnológica Intercontinental

SANTOS, Alexandre Roberto Lima[1]

RODRIGUES, Judite Filgueiras[2]

Se não encontrar tempo pra exercitar-se, encontrará tempo para adquirir patologias, a qualidade de vida não depende só da saúde, precisa-se aprender a conquistá-la.
Alexandre Santos

Saúde é um direito humano fundamental, reconhecido por todos os foros mundiais e em todas as sociedades. Como tal, saúde se encontra em pé de igualdade com outros direitos garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948: liberdade, alimentação, educação, segurança, nacionalidade etc.

Saúde não é algo estático, pelo contrário, é necessário construí-la ao longo da vida evidenciando o fato de que a saúde é educável e, por sua vez, deve ser tratada não apenas com base em referências de natureza biológica e higienista, mas, sobretudo, num contexto didático-pedagógico. (GUEDES e GUEDES, 1995).

ATIVIDADE FÍSICA: Qualquer movimento corporal, produzido pela musculatura esquelética que resulte em gasto energético. (CASPERSEN, POWEL e CHRISTENSON, 1995).

EXERCÍCIO FÍSICO: Atividade repetitiva planejada e estruturada, que tem como objetivo a manutenção e melhoria de um ou mais componentes da aptidão física. (CASPERSEN, POWEL e CHRISTENSON, 1995).

“O condicionamento físico relacionado à saúde refere-se à capacidade que o coração, vasos sangüíneos e músculos têm de resistir às tarefas diárias e ocasionais, assim como desafios inesperados, com um mínimo de cansaço e desconforto”. ACSM, 1999

O conceito de aptidão física relacionada à saúde implica na participação de componentes voltados às dimensões MORFOLÓGICA, FUNCIONAL-MOTORA e COMPORTAMENTAL. (GUEDES & GUEDES, 1995).

As justificativas mais comuns para se iniciar uma atividade física são: ficar forte, perder peso,o médico que mandou, vou procurar um “personal” para malhar (status). A procura de academias, praças ou clubes para iniciar uma atividade física geralmente perpassa pela situação sócio-cultural-econômica de cada indivíduo.

As pessoas estão acostumadas a pensar que apenas subir escadas duas vezes ao dia no seu trabalho ou em casa é uma maneira de melhorar seu preparo cardiovascular e neuromuscular. Na verdade é um gasto calórico, mas não com intenção de adquirir valências psicomotoras capazes de modificar sua estrutura física.

As atividades que desenvolvem a endurance (atividade aeróbia prolongada) cardiovascular são o coração do programa de exercícios. São destinadas a melhorar tanto a capacidade quanto a eficiência de seus sistemas cardiovascular, respiratório e metabólico. Essas atividades também o ajudam a controlar ou reduzir seu peso corporal. Atividades como a caminhada, o trote, a corrida, o ciclismo, a natação, o remo, a dança aeróbia, o step e a escalada são boas atividades de resistência à fadiga (Wilmore e Costill, 2001).

De acordo com (Campos, 2001), apesar dos exercícios de força em musculação não utilizarem gordura no momento do exercício (somente ATP-CP e glicólise anaeróbia), há uma grande utilização de lipídios entre uma série e outra dos exercícios, por causa da atividade aeróbia aumentada, no intuito de recuperar os sistemas anaeróbios depredados.

Já a ginástica localizada influencia o gasto calórico no desenvolvimento dos trabalhos de força de maiores intensidades, pelo incremento do sistema anaeróbio de energia, proporcionando um déficit energético que será reposto ao final da atividade tendo como principal fonte para resintese do ATP a gordura (Costa, 1998).

As atividades que proporcionam bem estar aos indivíduos de todas as idades, estão sendo colocadas de forma a sustentar que: a atividade física resulta na melhoria das condições cardiovasculares, melhora o sistema muscular, mas ainda se precisa ouvir um especialista na área médica para que ele sustente a possibilidade de efetuar uma atividade física.

Os profissionais de atividade física são procurados posteriormente para que haja uma avaliação no sentido de verificar se há uma liberação médica a ser feita e se no momento o cliente está em perfeita saúde.

Após este período de avaliação funcional efetuada pelo profissional de atividade física, começa-se o processo de adaptação a atividade de maior conformidade, porém, após algumas semanas já é sentido alguns resultados tanto na área muscular quanto na área cardiovascular (resistência e força), segundo a individualidade biológica.

Para Tubino os cinco princípios do Treinamento Esportivo são: O Princípio da Individualidade Biológica, O Princípio da Adaptação, O Princípio da Sobrecarga, O Princípio da Continuidade, O Princípio da Interdependência Volume-Intensidade (TUBINO, 1984).

Segundo Tubino: “Antes de passar ao estudo de cada princípio, é importante enfatizar que os 5 princípios se interrelacionam em todas as suas aplicações.” (ibidem, 1984, p. 99).

Assim sendo:

“chama-se individualidade biológica o fenômeno que explica a variabilidade entre elementos da mesma espécie, o que faz que com que não existam pessoas iguais entre si´.Cada ser humano possui uma estrutura e formação física e psíquica própria, neste sentido, o treinamento individual tem melhores resultados, pois obedeceria as características e necessidades do indivíduo. Grupos homogêneos também facilitam o treinamento desportivo. Cabe ao treinador verificar as potencialidades, necessidades e fraquezas de seu atleta para o treinamento ter um real desenvolvimento. Há vários meios para isso, além da experiência do treinador, que conta muito, os testes específicos são primordiais. .(TUBINO, 1984, p. 100).

De acordo com Weineck, a adaptação é a lei mais universal e importante da vida. Adaptações biológicas apresentam-se como mudanças funcionais e estruturais em quase todos os sistemas. Sob “adaptações biológicas no esporte”, entendem-se as alterações dos órgãos e sistemas funcionais, que aparecem em decorrência das atividades psicofísicas e esportivas (WEINECK, 1991):

“Segundo HEGEDUS (1969), os diferentes estímulos produzem diversos desgastes, que são repostos após o término do trabalho, e nisso podemos reconhecer a primeira reação de adaptação, pois o organismo é capaz de restituir sozinho as energias perdidas pelos diversos desgastes, e ainda preparar-se para uma carga de trabalho mais forte, chamando-se este fenômeno de assimilação compensatória.

Concordo com Tubino, que a condição atlética só pode ser conseguida após alguns anos seguidos de treinamento e, existe uma influência bastante significativa das preparações anteriores em qualquer esquema de treinamento em andamento. Para Tubino (1984), estas duas premissas explicam o chamado Princípio da Continuidade.

Para Tubino (1984), pode-se afirmar que os êxitos de atletas de alto rendimento, independente da especialização esportiva, estão referenciados a uma grande quantidade (volume) e uma alta qualificação (intensidade) no trabalho, sendo que, estas duas variáveis (volume e intensidade) deverão sempre estar adequadas as fases de treinamento, seguindo uma orientação de interdependência entre si. Ainda segundo Tubino: “Na maioria das vezes, o aumento dos estímulos de uma dessas duas variáveis é acompanhado da diminuição da abordagem em treinamento da outra” (ibidem, 1984, 110).

Para que se tenha êxito em todos os passos para uma boa treinabilidade, precisamos alcançar o máximo de eficiência possível pesquisada por estes estudiosos, assim sendo, quando se entra em uma atividade qualquer fazemos a opção pelas situações citadas acima, porém, após certo período constatamos o aumento das qualidades físicas e a melhoria da auto-estima, possibilitando a mudança de objetivos.

A preparação para uma boa aula não depende apenas de fatores extrínsecos e sim de alguns valores psicológicos ao qual também mantém nosso corpo em um total estado de equilíbrio, aumentando assim, a interdependência de suas atitudes facilitando seu rendimento.

Segundo Dantas, o conceito de Homeostase, que é necessário para compreender este princípio, é: “Homeostase é o estado de equilíbrio instável mantido entre os sistemas constitutivos do organismo vivo, e o existente entre este e o meio ambiente.” (DANTAS, 1995, p. 40).

Para este autor, a homeostase pode ser rompida por fatores internos, geralmente oriundos do córtex cerebral, ou externos, como: calor, frio, situações inusitadas, provocando emoções e, variação da pressão, esforço físico, traumatismo, etc. Dantas diz que, sempre que a homeostase é perturbada, o organismo dispara um mecanismo compensatório que procura restabelecer o equilíbrio, quer dizer, todo estímulo provoca reação no organismo acarretando uma resposta adequada (ibidem, 1995). Neste sentido, o organismo, buscando o equilíbrio constante, estaria sempre em um estado constante de equilibração.

Sendo assim, o individuo procura vários tipos de objetivos entre eles o mais conveniente a sua capacidade e utilização no dia-a-dia, pois, qualquer atividade física tendo um gasto calórico, ocasiona benefícios em forma de perda de energia e ganho de capacidades motoras.

O fato de se olhar no espelho e ver que melhorou sua aparência e que se sente bem consigo mesmo, tanto fisicamente como espiritualmente, acaba atraindo outros fatores como: a socialização, a disciplina alimentar, a determinação e corporeidade de forma a perceber as mudanças sofridas na atividade física.

Ponto para o Profissional de Educação Física que consegue mesclar e trabalhar diferentes situações, e lidar com vários tipos de caráter de pessoas que muitas das vezes parece fazer a atividade física um tormento.e parabéns por amenizar problemas que ocasionalmente aparecem durante o dia-a-dia das aulas seja na escola, na academia ou no clube, respeitando todos os princípios e técnicas que abordamos neste artigo.

Referências bibliográficas

DANTAS, Estélio H. M. A Prática da Preparação Física. 3ª edição. Rio de Janeiro: Shape, 1995.

GOMES DA COSTA, Marcelo. Ginástica Localizada. Rio de Janeiro: Editora Sprint, 1996.

HEGEDUS, J. Entrenamiento deportivo. Buenos Aires: Servicio Educativo Argentino, 1969.

HEGEDUS, J. Treinamento Desportivo. Coleção Educação Física Escolar v. I, São Paulo: Esporte e Educação Ltda, 1969.

TUBINO, Manoel José Gomes. Metodologia científica do treinamento desportivo. 3ª edição. São Paulo: Ibrasa, 1984.

TUBINO, M.J.G. Metodologia científica do treinamento desportivo. São Paulo: Ibrasa, 1985.

WEINECK, Jürgen. Manual de Treinamento Esportivo. 2ª edição. São Paulo: Editora Manole, 1989.

_________, Jürgen. Biologia do Esporte. São Paulo: Editora Manole, 1991.

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[1] Licenciado Pleno em Educação Física, Especialista em Saúde e Desporto, Especialista MBA em Gestão Empresarial Social, Especialista em Fisiologia do Exercício, Mestrando em Ciência do Movimento Humano pela Universidade Tecnológica Intercontinental, Docente da FAMA-Faculdade de Macapá.

[2] Licenciada Plena em Educação Física em Ciências Físicas e Biológicas, Matemática, Psicopedagoga, Mestre em Ciências da Educação, Doutoranda em Ciência do Movimento Humano, Docente da Universidade Tecnológica Intercontinental.


Publicado por: Alexandre Roberto Lima Santos

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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