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Para além do que se vê

Política

Comparação de um reino do passado com os dias atuais.

Em uma terra não tão, tão, tão distante e numa época também não muito remota assim existia um reino. Lá, como em outros, havia uma corte composta por altos funcionários, conselheiros e pelos familiares da realeza. O povo deste reino sofria moléstias sociais, opressões e pressões. Assim, nada de extraordinário diferenciava esta região das demais.

Um fato relevante e incomum ocorria lá: o regime de governo. Não era monarquia. Não parecia democracia. Tratava-se de um Triunvirato, ou seja, um governo composto por três pessoas. Isso não derrogava as relações desarmônicas existentes entre a corte e o povo: aumentava ainda mais as mordomias dos primeiros e penúria dos últimos.

Do Triunvirato participavam a Rainha, o Mago e o Bobo da Corte. Com forças, direitos e deveres iguais eles acastelavam o que era de seu interesse, saboreavam os deleites do poder e subjugavam o povo conforme seu parecer.

A partilha do poder entre a tríade, ressuscitava os ideais positivistas da necessidade da manutenção da ordem para o alargamento do progresso. Uma falsa premissa e um sofisma, mormente utilizados para fins não muito nobres.

Para participar do Triunvirato não carecia apreciar Filosofia, Lógica, Direito, ou qualquer outra seção das Ciências Humanas. Sequer lhes eram cobrado ciência saber lidar com o herário público. Bastava-lhes sorrir, usar máscaras e aplicar a política milenar de “pão e circo”. Nisto, precisariam ser os melhores.

A Rainha, por exemplo, era de personalidade ambígua; conseguia rir sem motivos, entretanto fazia os outros chorar lágrimas de sangue. Mestre nas artes cênicas (embora não soubesse): encenava para comover as massas e ganhar-lhe sua adesão. Um misto de Evita Perón e Agripina, a mãe de Nero. Era tida como a face do poder local. A partir dela o projeto político estava assegurado. Seu matriarcado dava a falsa impressão de inovação, superava preconceitos e implantava posições femininas no poder. Ledo engano. Tratava-se de uma farsa política com fins meramente pessoais e egoísticos. Consta na Mitologia que os Deuses a penalizou com um grande infortúnio; não se sabe qual. Para finalizar os traços do perfil de Sua Majestade, é imperativo ressaltar sua relação de subserviência com o Mago, com quem realmente dividia o controle do poder.

Sobre este, credita-se ser o mentor do grande círculo do poder. Seus “punhos de ferro” protegiam os limites do reino. Arrogante e muito temido auxiliava a preservar a imagem do governo tríplice. Preferia sombras às aparições publicas. Habilidoso nas questões burocráticas. Sua natureza sobrenatural conseguia operar atos inusitados e prodigiosos. Na história alguns personagens tiveram ambição tal qual a sua: Bonaparte, Hitler. Não se contentava em está no poder; acreditava que seus adversários deveriam ser nulificados, jogando-os na masmorra do esquecimento. O Mago era o coringa do Triunvirato.

O governo era completado pela figura do Bobo da Corte. Na verdade ele apenas ocupava o cargo. Pouco sabia o coitado o porquê de ali está. Foi fruto dos ambiciosos planos da Rainha e do Mago. Era uma figura chapliniana capaz de causar risos sem dizer uma palavra. Alegrava a corte com suas peripécias e alegorias. Lento nos passos; mais lento no pensar. Sua pouca noção de espaço e tempo o fez aceitar participar do Triunvirato. Para ele era apenas mais uma brincadeira. De mau gosto. O restante da corte embevecida com prestigio, poder e dinheiro o aceitaram com naturalidade. Aqui a ambição venceu os preconceitos. Assim, o Bobo brincava de governar. Sob os olhares populares circulava na corte e no campo acreditando está fazendo o maior prodígio daqueles tempos. Coitado. “Perdoai, ele não sabe o que faz”.

Na esfera das classes populares pouco se sabia dos acontecimentos da corte. Aliás, o povo estava subalterno às decisões centrais, sem muito opinar.

Os camponeses viviam no regime de Agropecuária familiar. As dívidas eram maiores do que os dividendos. A precariedade da infra-estruturar fundiária limitava suas pretensões de dias melhores para suas famílias. Acrescente-se a isso a indiferença da realeza.

Nas cidades, os batalhões de jovens angustiados pela falta de perspectiva, dividiam-se entre a servidão ao sistema político local e o êxodo para outros reinos. O imediatismo os forçava a isso.

A estrutura social não fugia ao óbvio: as castas subalternizadas eternamente ao poder central que se auto-intitulava seu legitimo representante. Se alguém ousasse questionar as ações reais, sofreria as perseguições mais virulentas e sistemáticas. Aliás, prática corrente daquele governo.

Afora isso, a melhor política aplicada era a do “pão e circo”. Assim, por alguns instantes as pessoas se sentiam iguais nas diferenças. O suor produzido naqueles momentos era de exultação. Isso gerava uma falsa ilusão de dias melhores. Era justamente isso o objetivo maquiavélico do Triunvirato. Nem mesmo as “cordas” que dividiam os que podiam dos que não podiam participar da festa despertavam-nas para a manipulação a qual estavam sendo submetidas. Destarte, “dançavam” conforme a musica a qual queria a chefia.

“E assim caminha a humanidade”... E como tal, também caminha aquele que “é antes de tudo um forte’”

Não se sabe ao certo o que ocorreu nos tempos futuros naquele pitoresco reino. Houve um levante popular contra os autocratas? Uma revolução política? Remissão do Triunvirato? A aliança camponesa com os trabalhadores urbanos? Despertaram os estudantes? A Igreja denunciou as iniqüidades? Greves? Manifestações? Ou... Tudo permaneceu como antes?


Publicado por: José Aparecido Santana da Silva

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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