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O aprendiz de cozinheiro

Literatura

Você conhece a história do aprendiz de cozinheiro? Que tal conhecer agora?

Vasco era um menino triste.

Ele morava na casa da Dona Maria que o criava desde os seis anos de idade.

Não sei qual era o nome verdadeiro de Vasco.

Acredito que Vasco era adotado, ou filho de alguma amiga de Dona Maria.

Vasco estava com quinze anos quando resolveu fugir da casa de Dona Maria. Sua mãe de criação!

Vasco sempre se sentiu preso naquela casa. Além disso, se sentia escravizado por Dona Maria que o obrigava a lhe ajudar na cozinha todos os dias.

Dona Maria era uma senhora já de meia-idade.

Adorava cozinhar para o filho e para o marido, os dois trabalhavam juntos no ponto de táxi.

Os dois só vinham em casa para comer. Passavam o dia todo na rua fazendo as corridas.

Enquanto isso, Dona Maria preparava os mais diversos quitutes para eles levarem para comer à tarde e à noite. E Vasco sempre ao seu lado ajudando.

Dona Maria dizia para Vasco a ladainha:

Bate mais essa massa!

Desfia menor o frango!

Põe mais açúcar!

Corta bem miudinho a cebola e o tomate!

Não deixa o leite boiar!

Enfim, era uma série de ordens que ele fazia mecanicamente.

Vasco não agüentava mais ouvir aquilo.

Queria ser como os meninos de sua idade.

Queria ir às festas, namorar, empinar pipa no domingo e ir à praia tomar água de côco.

Decidido. Vasco prepara o plano de fuga!

Durante um ano ele junta dinheiro para comprar uma passagem de avião para Fortaleza.

Certa manhã quando Dona Maria vai ao supermercado Vasco fica sozinho na casa e descobre o segredo do cofre. Seu plano está completo.

Agora é só esperar o dia e a hora certa.

Vasco está ansioso para fugir. E começa agir estranho. Mas, ninguém percebe a mudança, principalmente Dona Maria que acredita que Vasco está amadurecendo.

No dia do aniversário de 60 anos de Dona Maria todos comemoraram muito, menos Vasco que decidira fugir no outro dia.

Na manhã seguinte todos ainda dormem quando Vasco limpa o cofre e sai.

Horas depois Dona Maria se acorda e dá o alarme ao marido e ao seu filho que ainda estão dormindo.

Ela diz inconsolada: - O Vasco fugiu!

Dona Maria fica indignada, mas resolve não denunciar Vasco que já está longe nessa hora.

Dona Maria depois de horas refletindo pede ao marido e ao filho que não comentem nada com os vizinhos e com ninguém a respeito do sumiço de Vasco.

Dona Maria compreende o sentimento de Vasco.

Vasco chega a Fortaleza.

Ao sair do aeroporto é roubado. Não conhece ninguém naquela cidade. E é obrigado a dormir na rua.

Passam-se os dias e Vasco vai se acostumando a viver na rua como pedinte.

Até que um dia ele chega num restaurante e pede para lavar os pratos em troca de comida. O chefe de cozinha lhe serve um resto de pato no tucupi.

Vasco devora o prato como um lobo faminto e agradece ao chefe.

Enquanto lava os pratos faz um comentário ao chefe a respeito do prato que acabara de comer.

Ele diz: - Seu pato no tucupi estava delicioso, mas se eu fosse o senhor eu botava menos jambú no tucupi. Assim ele fica mais doce e menos ardente.

O chefe ouviu atentamente as dicas de Vasco e no prato seguinte fez as mudanças sugeridas.

Foi um sucesso total. Seus clientes perguntavam o que ele tinha feito no prato que estava bem mais gostoso do que das outras vezes.

No dia seguinte quando Vasco retornou ao restaurante para lavar os pratos em troca de comida, o chefe já lhe aguardava na porta.

O chefe perguntou:

- De onde você é Vasco!

- Sou do interior do Amazonas. Por quê?

O que você fazia lá? Pergunta o chefe.

Vasco responde: - Nada!

- Como nada: retruca o chefe.

Vasco diz ao chefe que morava com Dona Maria e que esta o obrigava todos os dias a lhe ajudar nos afazeres domésticos. E isso lhe deixava muito triste porque ele não fazia coisas que as pessoas de sua idade fazem.

O chefe o ouve atentamente e diz:

É Vasco, essa Dona Maria acaba de salvar sua vida.

Você será meu ajudante! Mas em troca você irá me ensinar tudo que a Dona Maria te ensinou.

Vasco deu pulos de alegria. Estava realizado, mas sabia que precisava corrigir o erro de ter abandonado Dona Maria. O erro da forma como foi.

Vasco trabalhou diuturnamente para juntar um bom dinheiro para reencontrar Dona Maria.

Depois de cinco anos Vasco já tinha seu próprio Restaurante. Pequeno diga-se de passagem. Mas era só dele.

Assim como partiu sem avisar, ele voltou.

A casa continuava do mesmo jeito de quando ele se foi. Agora um pouco mais desajustada.

As folhas caídas do jambeiro não foram varridas.

Duas cadeiras de macarrão estavam arrebentadas.

E Dona Maria cozinhava ouvindo as canções de Roberto Carlos.

Como sempre o marido e o filho estavam trabalhando no ponto de táxi.

As portas da casa só eram fechadas quando todos estavam em casa para dormir.

Vasco sabia disso. E foi entrando de mansinho.

Dona Maria sabia que Vasco voltaria um dia.

E o dia chegou.

Dona Maria ouviu alguém abrir o portão.

Esse alguém o trancou novamente e rodou o ferrolho para baixo. Era o Vasco!

Vasco entrou na ponta dos pés. Nervoso com que ia falar, ele viu Dona Maria de costas a temperar uma grande panela.

Antes que ele abrisse a boca. Dona Maria falou:

Vasco querido seja bem-vindo! E vem logo me ajudar com essa comida.

Dona Maria era uma mulher muito sábia. Em seu coração não existia espaço para mágoa e rancor.

Enquanto isso, Vasco não parava de chorar.

Dona Maria ao contrário não parava de rir e de perguntar como ele estava vivendo no Nordeste.

Se ele estava bem, se estava trabalhando, se ele tinha casado, etc...

Os dois passaram o dia inteiro conversando.

Vasco pediu perdão a Dona Maria que lhe abraçou bem forte e disse:

- Eu te amo filho querido!


Publicado por: GEONE ANGIOLI FERREIRA

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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