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A cor da moda - crônica

Atualidades

Clique aqui e confira uma crônica sobre a cor da moda!

“Tu já leu (sic) ‘variados tons de tal cor?” - era mais ou menos isso o título do livro - foi a pergunta da colega - numa folguinha entre aula e outra - acrescida do comentário “foi o mais vendido na Feira do Livro em Caxias, no Brasil e no mundo”! A moça ficou com cara de “não entendi”, para não dizer besteira, quando a minha resposta foi “não sei por que, mas sempre leio os menos vendidos (risos)! Quase pude ver materializado no rosto o pensamento dela, naquela expressão de quem diz: “é professora de Português, membro de academia de letras, e não leu? É inadmissível”. Até que gostaria de ter lido, quanto mais se ler, melhor, a leitura nunca é demasiada e é bom que se leia um pouco de tudo para conhecer e avaliar; e comentar, indicar, contraindicar, mas (in)felizmente esses que, normalmente, são “os mais vendidos”, aqui e ali, vão parar sempre no fim da fila, da enorme fila de leituras e releituras que me espera – precisaria, quem sabe, de umas três ou quatro vidas para dar conta de tudo. Confesso que a empolgação da colega professora, dizendo que fulana e sicrana estavam lendo, e estavam adorando, e que estavam fazendo até uns comentários maliciosamente “quentes” sobre a história, me deixou apreensiva, com a nítida sensação de estar perdendo alguma preciosidade, ou de estar meio fora de moda, ou algo assim, não sei bem. A primeira coisa que fiz, ao chegar a minha casa, foi correr para o amigo Google e pedir socorro, afinal, ele resume e conta tudo a todo mundo, resolve casos urgentes de alunos, desde o fundamental ao universitário, por que não haveria de me ajudar num caso tão conflitante e urgente? Pronto! Em segundos... Tudo ali! Estampada na telinha a síntese e comentários da famigerada história! No mais alto estilo das sagas adolescentes, entremeada a cenas eróticas picantes. Uma saga (para os da minha geração, uma Júlia, Sabrina) que virou gente grande, mas se esqueceu de amadurecer. Ler ou não ler, colocar ou não na fila, cometer o sacrilégio de criticar sem ler, sendo guiada pelas experiências de leituras? Eis as questões! Em meio a tantos tons de tantas cores apresentados pelas editoras, chegando até as livrarias e revolucionando as feiras de livros de todos os lugares, estão perdidos, esquecidos e abandonados aqueles que colorem o espírito, fazem-no brilhar, sobressair-se, crescer e aparecer. Na maioria das vezes, no fundo dos balaios de promoção barata. Lamento que esses sejam sempre os menos procurados, menos falados, menos vendidos... Os menos conhecidos, os nunca lidos. Precisamos, sim, dar um colorido as nossas vidas, ele é necessário, imprescindível, mas... Fiquemos em alerta! Procuremos, escolhamos e adotemos os tons certos, a fim de dar um colorido especial na grandiosa, magnífica tela do imaginário, do conhecimento! Elejamos as cores de um arco-íris de luz que ilumine e expanda nossos horizontes. Quem sabe o tom Rosa de Guimarães, os tons secos do Nordeste de Graciliano, o tom de ressaca dos olhos de Capitu, os tons históricos de Euclides da Cunha em seu passeio literário pelos “sertões”, os vários tons dos heterônimos de Pessoa, os tons macabros de Poe, os tons Quixoteanos de Cervantes, os tons solitários de Gabriel García Márquez, enfim... Decididamente, “50 tons de qualquer coisa” não vai para o fim da minha fila de espera, aliás, não vai para a fila! Pronto, falei!


Publicado por: Jussára C Godinho

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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