Quais as Principais Características de Uma Pessoa Criativa? Como se Caracteriza Uma Gestão Artística em Termos de Criatividade Organizacional? Quais São os Comportamentos e as Características Que Favorecem o Equilíbrio Empresarial na Questão da Criatividade?
Para muitos especialistas, a criatividade não é um dom, mas uma habilidade do ser humano ligada à nossa capacidade de invenção, reinvenção e inovação. E, assim como qualquer competência, é possível praticar a criatividade para despertá-la e desenvolvê-la, tornando-se uma pessoa mais criativa. SHAW ([1]) resumiu seu pensamento sobre a criatividade humana com a seguinte frase: “Se tiveres uma maçã e eu tiver outra maçã e se as trocarmos, cada um de nós ficará apenas com uma maçã. Mas se tiveres uma ideia e eu outra ideia e se as trocarmos, cada um de nós terá duas ideias”.
Nessa definição reflete-se explicitamente que a criatividade é uma habilidade humana e esse fato condiciona o processo criativo, pois grande parte da responsabilidade de gerar ideias recai sobre as pessoas. No âmbito empresarial, é o trabalhador quem assume esta tarefa. A sua capacidade para desenvolver ideias – primeiro individualmente e posteriormente em equipes ou no departamento em que trabalha – será determinante para a definição de um projeto inovador que aumente a rentabilidade da organização.
Características da Pessoa Criativa
De uma forma geral, as pessoas criativas são aquelas capazes de descobrir novas formas de abordar um problema ou de apresentar soluções aos problemas através de mecanismos lógicos não convencionais. Destacam-se pela sua capacidade de adaptação a todo o tipo de situações e por serem capazes de atingir os objetivos estabelecidos. Para o conseguir, estes indivíduos recorrem a mecanismos complexos. É exatamente essa qualidade – a complexidade – que mais os diferencia das restantes pessoas.
Neste contexto, a complexidade significa que são capazes de pensar e de agir segundo uma diversidade de lógicas que geralmente não estão desenvolvidas em tão elevado número na maior parte das pessoas. É como se um indivíduo criativo concentrasse inúmeras habilidades complexas, sendo capaz de desenvolver esse potencial em diferentes campos. Esta situação permite-lhes fazer diferentes leituras da realidade de uma forma constante e reformular a informação obtida (pensamento divergente), oferecendo sempre respostas diferentes e inovadoras (pensamento convergente).
Características da Empresa Criativa
Existem duas tendências contrapostas na forma de gerir a organização. A primeira defende uma gestão entendida como uma ciência, baseada na utilização de ferramentas tecnológicas e estatísticas, e, a segunda, deposita a capacidade competitiva da empresa inteiramente na capacidade de improvisação e artística desta:
Essas duas formas de gestão não só são completamente opostas, como também revelam formas extremas de entender a gestão empresarial que, no entanto, se chegam a verificar no mundo empresarial. Portanto, a conclusão é que uma gestão eficiente tem de estar adaptada às necessidades de cada caso e é o resultado de um equilíbrio entre estas duas concepções. É fundamental uma certa quantidade de prospecção para ser criativo (caos criativo), mas essa quantidade não pode nunca constituir o principal ativo da organização. A criação de demasiada incerteza desencoraja os membros de uma organização a efetuarem um esforço adicional. É necessário definir direções e objetivos claros, para além de uma certa estrutura que ofereça a liberdade suficiente para que o trabalhador possa ser criativo no desempenho da sua atividade.
Particularidades da Empresa Criativa
As empresas criativas, portanto, são aquelas que conseguem atingir o já citado equilíbrio entre a prospecção e a exploração de resultados. Encontrar este equilíbrio na empresa exige assumir uma cultura de empresa e desenvolver práticas próprias da atividade criativa. Para que tal ocorra, a empresa deve possuir uma série de comportamentos e características que favoreçam o equilíbrio, mas também o fluxo da criatividade:
- Vertical, para comunicar os objetivos da empresa e as formas que serão instrumentalizadas para os atingir;
- Horizontal, para desenvolver a atividade quotidiana da empresa e resolver os problemas que possam surgir;
- Com o exterior, para manter atualizados os progressos do mercado e para ter acesso a ideias que provenham da concorrência ou dos colaboradores.
PONTI, F. (2001): ”La empresa creativa. Metodologias para el desarrollo de la innovación en las organizaciones”. Ediciones Granica. Barcelona
ROAM, D. (2008): ”The back of the napkin.” Penguin Group.USA .
([1]) George Bernard Shaw foi um dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês. Fundador da London School of Economics, foi também o autor de comédias satíricas de espírito irreverente e inconformista.
JULIO CESAR S. SANTOS
Professor, Jornalista e Palestrante. Articulista de importantes Jornais no RJ, autor de vários livros sobre Estratégias de Marketing, Promoção, Merchandising, Recursos Humanos, Qualidade no Atendimento ao Cliente e Liderança. Por mais de 30 anos treinou equipes de Atendentes, Supervisores e Gerentes de Vendas, Marketing e Administração em empresas multinacionais de bens de consumo e de serviços. Elaborou o curso de Pós-Graduação em “Gestão Empresarial” e atualmente é Diretor Acadêmico do Polo Educacional do Méier e da Associação Brasileira de Jornalismo e Comunicação (ABRICOM). Mestre em Gestão Empresarial e especialista em Marketing Estratégico
Fonte: Brasil Escola - https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/administracao/o-universo-criativo-pessoal-como-fomentar-um-clima-de-criatividade.htm