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A atuação do psicopedagogo na perspectiva do lúdico para o desenvolvimento de alunos com dificuldades de aprendizagem

Educação

Confira acerca da atuação do psicopedagogo na escola no processo de escolarização de alunos com dificuldades de aprendizagem.

RESUMO

O presente artigo objetiva mostrar a atuação do psicopedagogo na escola, para ajudar no processo de escolarização de alunos com dificuldades de aprendizagem, desenvolvendo atividades sob a perspectiva lúdica de modo a garantir um ensino mais eficaz e prazeroso para esses alunos, bem como participar da construção do conhecimento de maneira ativa e positiva nesse cenário que pode ser tão perturbador para quem apresenta essas dificuldades. Através de uma pesquisa bibliográfica fizemos o levantamento de fontes que fundamentaram nossos pensamentos acerca dos benefícios do lúdico na atuação do psicopedagogo, bem como seus resultados positivos se bem trabalhados juntos com os que apresentam dificuldades de aprendizagem. Ao final deste conclui-se que além do psicopedagogo ser um profissional essencial no ambiente escolar, sua prática atrelada ao lúdico sortirá efeitos mais positivos ainda ao ensino e a aprendizagem.

Palavras- chave: Psicopedagogo. Lúdico. Dificuldades de Aprendizagem.

INTRODUÇÃO

É notório que a educação, apesar de ter passado por grandes transformações ainda precisa avançar e muito no que diz respeito ao ensino, uma vez que o número de alunos que evadem da escola ainda é bem significativo.

Tal fato se justifica pela falta de atrativo que o aluno tem dentro de sala de aula. E por outro lado pelas dificuldades de aprendizagem que este aluno possui. As aulas são ministradas muitas vezes como simples repetição de conteúdos, ou simplesmente, como o cumprimento das obrigações do professor.

Neste sentido, lança-se mão de um recurso pedagógico; o lúdico; que pode tanto auxiliar o professor na execução de alguns conteúdos, quanto ajudá-lo a compreender e trabalhar com alunos que apresentem dificuldades de aprendizagem.

Este artigo pretende, então, fazer uma abordagem teórica a respeito dos benefícios que o lúdico trará ao ensino de alunos com dificuldades de aprendizagem, se este estiver atrelado a uma prática responsável, e que queira sanar ou mesmo ajudar aqueles que mais precisam de incentivo, os alunos.

Propõem-se, então, uma abordagem bibliográfica, acerca do papel do psicopedagogo na Instituição escolar, acerca das contribuições do lúdico como recurso pedagógico para o processo de ensino e aprendizagem e abordar a prática psicopedagógica na perspectiva do lúdico.

Bem se sabe que são muitos os empasses para que a educação aconteça de maneira eficiente, mas com a ajuda de profissionais capacitados para realizar um bom trabalho, com a contribuição da família em seu papel de apoio e da Instituição escolar em promover o ensino, acredita-se que os resultados serão os mais positivos possíveis.

1- O PSICOPEDAGOGO NO CONTEXTO ESCOLAR

A educação vem ao longo dos tempos passando por grandes transformações. Se antes o ensino era privilégio de poucos, hoje todos tem o direito ao estudo, e este deve se adequar ao educando propiciando uma melhor forma de aprendizagem.

Neste processo de melhoramento do ensino e aprendizagem, a educação encontrou grande suporte com a psicopedagogia, que segundo o Código de Ética da Associação Brasileira de Psicopedagogia significa:

A psicopedagogia é um campo de atuação em saúde e educação que lida com processo de aprendizagem humana, seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio, família, escola e sociedade no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios da psicopedagogia. (ABPp. 2007.)

A psicopedagogia pode ser entendida também como a área de estudo dos processos e das dificuldades de aprendizagem que crianças, adolescentes e adultos enfrentam durante sua vida escolar. E neste sentido o psicopedagogo deverá identificar essas dificuldades e os transtornos que impedem o educando de assimilar o conteúdo ensinado na escola. Para isso, ele fará uso de conhecimentos de outras áreas como, por exemplo, da pedagogia, da psicanálise, da psicologia e da antropologia, que darão um suporte para identificar em que ponto a dificuldade está acontecendo, e de que maneira este aluno está aprendendo.

O psicopedagogo deverá promover intervenções em caso de fracasso ou de evasão escolar, pois segundo Fagali:

O psicopedagogo precisa trabalhar as questões pertinentes às relações vinculares professor-aluno e redefinir os procedimentos pedagógicos, integrando o afetivo e o cognitivo, através da aprendizagem dos conceitos, nas diferentes áreas do conhecimento. (FAGALI, 2002, p. 10)

Bem se sabe que o processo de aquisição do conhecimento difere de uma pessoa para outra, mas em alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem esse processo se torna mais lento e dificultoso, necessitando do professor um olhar diferenciado, que muitas vezes não acontece, daí a necessidade do psicopedagogo atuar no meio escolar, pois este criará mecanismos para facilitar e promover o ensino nesse meio, sempre buscando a forma mais prazerosa para o aluno.

Cabe neste momento mencionar sobre o objeto de estudo da psicopedagogia, que pode ser entendido a partir de dois enfoques, que segundo Golbert são:

O enfoque preventivo e o terapêutico. O enfoque preventivo considera o objeto de estudo o ser humano em desenvolvimento, enquanto educável, seu objeto de estudo é a pessoa a ser educada, seus processos de desenvolvimento e as alterações de tais processos. Já o enfoque terapêutico considera o objeto de estudo a identificação, análise, elaboração de uma metodologia de diagnóstico e tratamento da dificuldade de aprendizagem. (GOLBERT, 1985, apud, Bossa et al, 2000, p. 13)

Considerando que a psicopedagogia busca a melhoria das relações com a aprendizagem, o psicopedagogo deverá atuar no contexto escolar de maneira a garantir o sucesso da aprendizagem, promovendo um ensino baseado nas necessidades de cada aluno que apresente dificuldades. E esse ensino por sua vez deverá ser prazeroso e eficaz, uma vez que essa será a única forma desses alunos terem sucesso em sua escolarização.

Por outro lado sabemos que educar não é meramente o repasse de conteúdos, ou a utilização de métodos diferenciados, e sim orientar os educandos para a consciência de si mesmos, dos outros e da sociedade, dando-lhes condições para ser tornarem sujeitos críticos e participantes das ações sociais. Nesse sentido o papel do psicopedagogo escolar é de suma importância, pois assumirá a função de socializar os conhecimentos disponíveis, promover o desenvolvimento cognitivo, como por exemplo, a forma de ensinar do professor e a forma de aprender do aluno, bem como viabilizar o processo de interação escola e família.

Nessa perspectiva, afirma TANAMACHI que:

O psicopedagogo não é um mero “resolvedor” de problemas, mas um profissional que dentro de seus limites e de sua especificidade, pode ajudar a escola a remover obstáculos que se interpõem entre os sujeitos e o conhecimento e a formar cidadãos por meio da construção de práticas educativas que favoreçam processos de humanização e reapropriação da capacidade de pensamento crítico. (TANAMACHI, 2003, p. 43)

Sendo assim, o psicopedagogo, será o profissional apto e capacitado para auxiliar o professor a ajudar alunos que apresentem dificuldades de aprendizagem, através de métodos que beneficiem a aquisição do conhecimento de forma mais simplificada, organizada e por que não prazerosa.

2- AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

O termo dificuldade de aprendizagem começou a ser usado na década de 60 e até hoje na maioria das vezes é confundido por pais e professores como uma simples desatenção em sala de aula ou crianças desobedientes. Mas a dificuldade de aprendizagem refere-se a um distúrbio que pode ser gerado por uma série de problemas cognitivos, emocionais ou neurológicos, que podem afetar qualquer área do desempenho escolar.

As dificuldades de aprendizagem que se apresentam na infância tem sempre forte impacto sobre a vida da criança, de sua família e sobre o seu entorno, pelos prejuízos que acarretam em todas as áreas do desenvolvimento pessoal, assim como de sua aceitação e participação social.

Segundo Gusmão:

Dificuldade de aprendizagem representa uma falha no processo da aprendizagem que originou o não aproveitamento escolar. Pensando não somente em termos de falhas na aquisição do conhecimento (aprendizagem), mas também no ato de ensinar, este problema não se traduz somente como um problema inerente ao sujeito aprendiz no sentido de competências e potencialidades, mas sim em uma constelação maior de fatores e de sua inter-relação, que envolvem direta ou indiretamente esta complexa teia. (GUSMÃO, 2011)

É notório na criança que apresenta dificuldade na aprendizagem sintomas diversos como a tristeza, a timidez e a perda de iniciativa, agressividade, a ansiedade, tem dificuldade em se relacionar com os colegas e muitas vezes o professor não percebe que aquela criança tem uma dificuldade de aprendizagem e acaba por titulá-la como aluno problema. É necessário levar em conta também os efeitos emocionais que essas dificuldades acarretam; se faz necessário para a criança criar um suporte humano e apoiador para que a mesma possa se libertar do que a faz ter dificuldade.

Atualmente, vive-se um momento em que as necessidades dos alunos com dificuldade de aprendizagem está cada vez mais presente no dia-a-dia. Chega-se no momento que a escola não pode ser apenas transmissora de conteúdos e conhecimentos, muito mais que isso, a escola tem a tarefa primordial de “reconstruir” o papel e a figura do aluno, deixando o mesmo de ser apenas um receptor, mas o criador e protagonista do seu conhecimento.

Segundo Freire:

O espaço pedagógico é um texto para ser constantemente “lido”, interpretado, “escrito” e “reescrito”. Essa leitura do espaço pedagógico pressupõe também uma releitura da questão das dificuldades de aprendizagem. (FREIRE, 2003)

Levar o aluno a pensar e buscar informações para o seu desenvolvimento educacional, cultural e pessoal é uma das tarefas primordiais e básicas da educação. Para tanto é fundamental que se leve em consideração as dificuldades de aprendizagem, não como fracassos, mas como desafios a serem enfrentados, e ao se trabalhar essas dificuldades, trabalha-se respectivamente as dificuldades existentes na vida, dando- lhes a oportunidade de ser independente e de reconstruir-se enquanto ser humano e indivíduo.

Vale ressaltar que a contribuição do Psicopedagogo nesse campo promove uma análise mais aprofundada da questão que envolve a aprendizagem proporcionando uma reestruturação e reinterpretação do verdadeiro fator que leva às dificuldades de aprendizagem, assim como direcionar práticas para auxiliar no desenvolvimento desses alunos. Nesse caso é imprescindível afirmar que só será possível mediar às dificuldades de aprendizagem, quando se lidar com alunos de igual para igual; quando se fizer da aprendizagem um processo significativo, no qual o conhecimento a ser aprendido faça algum sentido para o aluno não somente na sua existência educacional como também na sua vida cotidiana.

Não se devem tratar as dificuldades de aprendizagem como se fossem problemas insolúveis, mas, antes disso, como desafios que fazem parte do próprio processo da aprendizagem, a qual pode ser normal ou não.

2.1- ALGUMAS DAS PRINCIPAIS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM.

Dislexia: é a dificuldade que aparece na leitura, impedindo o aluno de ser fluente, pois faz trocas ou omissões de letras, inverte sílabas, apresenta leitura lenta, dá pulos de linhas ao ler um texto, etc. Estudiosos afirmam que sua causa vem de fatores genéticos, mas nada foi comprovado pela medicina.

Disgrafia: normalmente vem associada à dislexia, porque se o aluno faz trocas e inversões de letras consequentemente encontra dificuldade na escrita. Além disso, está associada a letras mal traçadas e ilegíveis, letras muito próximas e desorganização ao produzir um texto.

Discalculia: é a dificuldade para cálculos e números. De um modo geral os portadores não identificam os sinais das quatro operações e não sabem usá-los, não entendem enunciados de problemas, não conseguem quantificar ou fazer comparações, não entendem sequências.

Dislalia: é a dificuldade na emissão da fala. Apresenta pronúncia inadequada das palavras, com trocas de fonemas e sons errados, tornando-as confusas. Manifesta-se mais em pessoas com problemas no palato, flacidez na língua ou lábio leporino.

Disortografia: é a dificuldade na linguagem escrita e também pode aparecer como consequência da dislexia. Suas principais características são: troca de grafemas, desmotivação para escrever, aglutinação ou separação indevida das palavras, falta de percepção e compreensão dos sinais de pontuação e acentuação.

As dificuldades de aprendizagem podem ser consideradas como algo que absorve uma diversidade de problemas educacionais, porém abrange fatores socioculturais, econômicos, pedagógicos, psicológicos e familiares. Por isso é relevante à compreensão das dificuldades de aprendizagem em todos os âmbitos para a viabilização de possíveis soluções.

3- O LÚDICO COMO RECURSO PEDAGÓGICO

Ao falarmos em lúdico, antes de tudo cabe mencionar o seu significado, que para Kishimoto:

Lúdico é qualquer atividade que está estreitamente ligada a jogos, brinquedos, brincadeiras e a tudo que possa gerar divertimento e até mesmo que auxilie no processo de ensino aprendizagem. (KISHIMOTO, 1997)

Observa-se que o lúdico vem ganhando, nos últimos tempos, uma atenção muito grande por parte de educadores e outros profissionais da educação, pois estes acreditam no aspecto motivacional que a atividade, enquanto ferramenta didática traz para o ensino. Cabe ressaltar que desde a origem da escrita segundo Ângela Maluf, já se notava certa associação com jogo e com o desenho lúdico, sendo assim, afirma ainda mais a necessidade de se usar o lúdico em sala de aula e também para ajudar alunos que apresentem dificuldades de aprendizagem.

É bom lembrar que assim como os povos mais primitivos viram no lúdico uma forma de registrar suas memórias, ideias e costumes, que faziam parte de suas raízes culturais, mesmo não tendo toda a noção que se tem hoje, nós, enquanto civilização, dita mais moderna, temos todos os mecanismos possíveis e necessários para irmos além do que eles um dia ousaram chegar.

Cabe, no entanto, ressaltar que qualquer atividade lúdica não existe por si só, para que ela possa trazer benefícios ao processo de ensino aprendizado se faz necessário incorporá-lo no dia-a-dia da criança na escola, realmente como recurso didático, não como passatempo.

Essas atividades, por sua vez, devem ser usadas no cotidiano escolar com o propósito de ajudar no desenvolvimento da criança, não somente enquanto estudante, mas como um ser em processo de formação e de desenvolvimento. Piaget em seu livro “A psicologia da criança” diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo, por isso, indispensável à prática educativa.

Nas atividades lúdicas cada elemento é de fundamental importância para o bom desempenho do que se propõe desenvolver, o brinquedo, por exemplo, estimula a representação, a expressão de imagens que relembram os aspectos da realidade e também pode-se dizer que um dos objetivos do brinquedo é dar à criança um substituto dos objetos reais para que possa manipulá-los e assim se familiarizar.

Já a brincadeira é vista como um procedimento livre que beneficia o desenvolvimento da inteligência, facilitando, assim o estudo. Enquanto que o jogo pode ser um excelente instrumento de ensino de matemática, de leitura, de escrita e de outros conteúdos programáticos. Afinal, o jogo aprimora o desenvolvimento da linguagem e do imaginário.

No que diz respeito ao desenvolvimento da criança, é evidente a transição da forma imaginária para a real através do lúdico, que é a transformação dessa imaginação em ação, mas para que isso aconteça a criança precisa de tempo e de espaço para poder trabalhar na construção do real pelo exercício da fantasia.

Ângela Maluf em seu livro “Brincar, prazer e aprendizado” afirma:

Hoje o brincar nas escolas está ausente, não havendo uma proposta pedagógica que incorpore o lúdico como eixo do trabalho infantil, e mais, o lúdico é o parceiro do professor, este é quem deve criar as oportunidades para que o brincar aconteça de uma maneira sempre educativa, criando espaços, disponibilizando materiais, participando das brincadeiras, ou seja, fazendo a mediação da construção do conhecimento. (MALUF, 2003)

O lúdico, assim como qualquer outro recurso didático, só terá serventia para o aprendizado se educadores e outros profissionais da educação o empregar com responsabilidade, buscando através dele a expansão do aprendizado e não o cumprimento das horas em sala de aula.

Portanto, cabe conceber o lúdico como um instrumento de apoio no processo de ensino- aprendizagem, no qual professores e alunos são juntos, sujeitos e produtores de suas ações coletivas e o lúdico o elo que viabiliza essa relação.

4- A ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO NA PERSPECTIVA DO LÚDICO.

Como se sabe o psicopedagogo é o profissional capacitado para acompanhar o professor no processo de ensino e aprendizagem, é quem fará com que alunos com dificuldades de aprendizagem tenham uma educação mais eficiente, de forma que possam se desenvolver dentro do esperado.

Segundo Barbosa:

A psicopedagogia como área que estuda o processo ensino/aprendizagem, pode contribuir com a escola na missão de regaste do prazer no ato de aprender e da aprendizagem nas situações prazerosas. (BARBOSA, 2001)

Nesse sentido do despertar da educação para uma prática mais prazerosa, que envolva educando e educadores num processo de construção coletiva do saber, cita-se o lúdico, como recurso pedagógico capaz de promover essa interação e despertar nos alunos o gosto em aprender e a lidar com suas dificuldades de maneira diferenciada.

O psicopedagogo ao utilizar o lúdico para trabalhar com alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem, se valerá de um recurso que além de promover uma maior interação entre os sujeitos envolvidos, é capaz de externalizar sentimentos e sensações outrora escondidos.

Neste sentido o psicopedagogo diante das dificuldades diagnosticadas deverá atuar juntamente com o professor de forma a assegurar que o aluno possa aprender e a desenvolver suas habilidades. Ao utilizar atividades lúdicas como, por exemplo, jogos, brincadeiras, brinquedos, dentre outros, desenvolverá nos alunos vários pontos antes esquecidos, como afirma Gisela:

A criança desenvolve-se pela experiência social nas interações que estabelece, desde cedo, com a experiência sócio histórica dos adultos e do mundo por eles criado. Dessa forma, a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio- cultural  dos adultos. (WAJSKOP, 1995: 25)

Por outro lado o jogo, assim como a atividade artística, é um elo que integra aos aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais. Por isso, parte-se da ideia de que é brincando e jogando que a criança ordena o mundo a sua volta, assimilado experiências e informações, e, sobretudo, incorporando atividades e valores. Portanto, é através do jogo e do brinquedo que ela produz e recria o espaço em que vive.

Neste sentido esta forma de ensinar abrange principalmente aqueles alunos que apresentam dificuldade de aprendizagem e que muitas vezes estão excluídos do processo. Já que as dificuldades de aprendizagem acarretam comportamentos que impedem seus avanços neste contexto. Portanto, o lúdico como recurso psicopedagógico propiciará uma maneira diferenciada e viável de desenvolver um excelente trabalho em sala de aula.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sendo o objeto de estudo da Psicopedagogia o processo de aprendizagem, certamente o psicopedagogo é aquele que sempre irá visar o aprendizado do aluno, independente de qualquer problema.

Nesse caso acredita-se que o lúdico é um recurso fundamental para uma intervenção psicopedagógica diante das dificuldades de aprendizagem, onde todos os envolvidos nesse processo sejam transformados pelo saber, para que possa possibilitar a compreensão e perceber como se dá a influência de fatores intra e extras escolares e familiares e como melhor podem ser trabalhados de forma a minimizar as dificuldades da aprendizagem.

O trabalho do psicopedagogo é também ajudar o aluno a identificar estratégias de estudos, ou seja, o melhor jeito que ele aprende, pois cada um aprende de uma forma e o psicopedagogo é quem conhece as melhores e mais adequadas metodologias para auxiliar cada aluno.

A temática que envolve a ludicidade como elemento capaz de auxiliar no processo de ensino e aprendizagem torna-se relevante, pois discute o que tange as formas de aprender e de ensinar, mas aprender com sentido de vivenciar, de construir, de interagir com o objeto a ser aprendido. Sendo assim, percebe-se que a metodologia do professor é essencial para impulsionar a aprendizagem de maneira significativa. Cabe ao educador buscar, criar recursos didáticos para dinamizar as aulas e motivar os alunos. Por isso é indiscutível necessidade das atividades pedagógicas envolverem a ludicidade; estas necessitam está presentes na educação escolar, articulando diferentes espaços e oportunidades para que a criança possa construir seus conhecimentos de uma maneira alegre, prazerosa e criativa. Pesquisadores sobre ludicidade asseguram que o ser humano só se torna, verdadeiramente humano, quando brinca.

Por fim, nota-se que a práxis psicopedagógica envolve, acima de tudo: amor à profissão, assim como, muita criatividade para poder auxiliar determinado aprendizado, de formas diferenciadas para que se alcance os objetivos, pois buscar amenizar ou solucionar o não aprendizado de uma criança, é a tarefa  mais  bela da  Psicopedagogia. 

REFERÊNCIAS

BARBOSA LMS. A Psicopedagogia no âmbito da instituição escolar. Curitiba: Expoente; 2001.

BOMBONATO,Q & M,M.I.(orgs.).História da Psicopedagogia e da ABPp no Brasil: fatos, protagonistas e conquistas. Rio de janeiro: Wak ed. 2007

BOSSA. N. A. A psicopedagogia no Brasil. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

FAGALI, E; VALE, Z. Psicopedagogia Institucional Aplicada: a aprendizagem escolar dinâmica e construção na sala de aula. 7.ed. São Paulo: Vozes, 2002.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 27. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003.

GUSMÃO, Bianca B. de. Dificuldade de aprendizagem: um olhar crítico. Pará: UAM, 2001.

KISHIMOTO, Tizuko. Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. São Paulo: Cortez, 1997.

MALUF, Ângela Munhoz. Brincar: Prazer e Aprendizado. Petrópoles- RJ: Vozes, 2003.

NEGRINE, Airton. Aprendizagem e Desenvolvimento Infantil. Porto Alegre: Prodil, 1994.

PIAGET, J. A psicologia da Criança. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

TANAMACHI, E. R., & Meira, M. E. M. (2003). A atuação do psicólogo como expressão do pensamento crítico em Psicologia e Educação. Em M. E. M. Meira & M. A. M. Antunes (Orgs.), Psicologia Escolar: práticas críticas (pp. 11-62). São Paulo: Casa do Psicólogo.

WAJSKOP, G. Brincar na Pré-Escola. São Paulo: Cortez, 1995.

http://revistadaesab.com/?p=326, acessado em 30 de janeiro de 2015.

http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/40942/psicopedagogia-e-as-dificuldades-de-aprendizagem#ixzz3QoNyi56z, acessado em 28 de janeiro de 2015.


* Artigo referente ao trabalho apresentado ao Curso de Especialização em Psicopedagogia Institucional, do Instituto IEPA, Abr/2015.
Antônia Rosiane Favacho da Silva - Graduada em Pedagogia – UEPA, Especialização em Psicopedagogia Institucional – IEPA.
Rosinei Sousa dos Santos - Graduada em Pedagogia – UEPA, Especialização em Psicopedagogia Institucional – IEPA.
Claudia da Silva Nogueira - Prof. Graduada em Administração- UCB e Pedagoga- FACIBRA; especialista em Gestão, Orientação e supervisão escolar- UNISABER. Atualmente exerce função de Coordenadora pedagógica- Instituto de Educação e Cultura do Pará-IEPA. Orientadora do Artigo de Conclusão do Curso.


Publicado por: Rosinei Sousa dos Santos

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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