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Análise da revista Nova Escola e a Pedagogia de Projetos

Educação

Antes de negar ou afirmar que a utilização de projetos é positiva ou negativa para a educação, é necessário refletir, discutir e analisar as pesquisas e teorias nessa área.

Introdução

Antes de negar ou afirmar que a utilização de projetos é positiva ou negativa para a educação, é necessário refletir, discutir e analisar as pesquisas e teorias nessa área, principalmente questionando os “modelos” e “métodos” existentes há séculos, com aqueles que surgem agora como proposta da “salvação” de todos os problemas. 

É preciso compreender o quanto essas fórmulas prontas, desprovidas de reflexão, interessam ao profissional consciente do seu papel na transformação do sujeito em cidadão crítico e consciente.

A prática, por si só, considera aquele que ensina e aprende como protagonistas dessa ação ou apenas um reprodutor de modelos?

A questão de “como fazer” é tão crescente nos meios educacionais que, nos últimos anos, proliferaram publicações desse gênero. Essa cultura, chamada por Adorno, no texto de Bueno (2007; p.303)  de “semiformação por meio da indústria cultural”, aponta para o sucesso da revista como um manual de autoajuda do professor, vendendo a ideia de que os problemas educacionais podem ser resolvidos apenas por eles. Deixando de lado a discussão da construção do projeto político pedagógico coletivamente, que contemple as necessidades de todos os envolvidos no processo, das suas responsabilidades, inclusive do Estado.

Mesmo estando de acordo que as demandas da educação são urgentes, existem muitos fatores, principalmente históricos e sociais, que devem ser levados em conta e estudados para a elaboração e execução do projeto pedagógico.

Esse texto tem, como principal objetivo, analisar, comparar e discutir a reportagem da revista Nova Escola do mês de abril de 2011, edição 241, confrontando suas afirmações com as de autores e pesquisadores, como Dewey, Freire, Piconez, Kilpatrick e Hernandez, mostrando as divergências entre os conceitos do que é a pedagogia de projeto para eles e para a revista.

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Esse confronto de ideias vai apontar se o projeto didático sugerido pela revista considera o processo de ensino e aprendizagem dentro de uma perspectiva defendida, como exemplifica Hernandez (1998; p. 90), em que:

“Os projetos, assim entendidos, apontam outra maneira de representar o conhecimento escolar baseado na aprendizagem da interpretação da realidade, orientada para o estabelecimento de relações entre a vida dos alunos e professores e o conhecimento que as disciplinas (que nem sempre coincidem com o das disciplinas escolares) e os outros saberes não disciplinares vão elaborando. (...) por sua complexidade, favorece o melhor conhecimento dos alunos e dos docentes de si mesmos e do mundo em que vivem.”

Com a preocupação da revista de “auxiliar” os educadores em realizar, passo a passo, uma fórmula já testada, esclarece-se que: a revista Nova Escola denomina, como projeto didático, uma série de passos fundamentais e essenciais para a realização de um produto final. Do outro lado, diversos autores defendem a pedagogia de projetos ou projeto de trabalho, como sendo uma possibilidade de integração das diversas áreas do conhecimento no processo de ensino e aprendizagem.

A distância entre as duas concepções de projeto permeará a discussão do texto. Portanto, ao citar projeto didático, far-se-á referência ao conceito da revista Nova Escola e, ao chamar de pedagogia de projetos ou projeto de trabalho, a visão dos autores anteriormente citados.

Durante a reportagem, a revista trará várias sugestões de educadores, com seus relatos sobre projetos didáticos que deram certo. Ainda responderá a treze perguntas de leitores.


Publicado por: Cristina Maria Marques Santos

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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