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A Linguagem Verbal Escrita nas Aulas de Matemática

Educação

A Linguagem Verbal Escrita é utilizada nas aulas de Matemática? Clique e confira sobre o assunto.

Resumo: O trabalho tem como objetivo analisar a utilização da linguagem verbal escrita nas aulas de Matemática com alunos do 2º ano do Ensino Fundamental do Centro Educacional “Reino Encantado”. A pesquisa de campo foi realizada de forma não participativa, através de observação e análise de cadernos de aula dos alunos, escolhidos aleatoriamente. Conclui-se que não são exploradas as possibilidades da língua escrita nas aulas de Matemática, aparecendo esta apenas em enunciados de exercícios e na resolução, ao ser solicitado que escrevesse o nome dos números e para resolver como pensou na situação de encontrar a parcela que falta numa subtração.

Palavras-chave: Linguagem verbal escrita, Matemática, Aluno, Professor.

Abstract: The paper aims to analyze the use of verbal language written in Mathematics classes with students of 2nd year of elementary school Educational Center "Enchanted Kingdom". The field research was conducted in a non-participatory, through observation and analysis of tender classroom of students, chosen at random. We conclude that they are not exploited the possibilities of written language in mathematics classes, appearing only in this set of exercises and resolution, to be asked to write the name of the numbers and thought on how to resolve the situation to find the missing portion a subtraction.

Keywords: Written verbal language, Mathematics, Student, Teacher.

1 INTRODUÇÃO

No decorrer da minha trajetória escolar, se tem percebido a angústia de alguns alunos em relação ao ensino da Matemática. Este conteúdo é visto como um dos principais nos currículos e nem sempre foi bem aceito pelos alunos. Ele é trabalhado de maneira isolada, muito disciplinar, sem levar em consideração que a Matemática está presente em todas as áreas do conhecimento e, acima de tudo, na vida do sujeito, mesmo fora do ambiente escolar.

E como esse educando terá condições de estar integrado entre os diversos campos dos saberes, uma vez que, não é trabalhada a interdisciplinaridade nas escolas? Ainda existem professores que consideram essa discussão como obstáculo na prática da sala de aula. Segundo BARTHES (apud MACHADO, 1995, p. 181) “A interdisciplinaridade consiste em criar um objeto novo que não pertença a ninguém. O texto é, creio eu, um desses objetos”.

Portanto, é necessário que os professores estejam atentos às práticas utilizadas, buscando sempre refletir e criar esse novo objeto, para que esse possa ser estudado de maneira integrada com outras áreas de conhecimento.

No caso específico da Matemática, é necessário que o professor realmente compreenda o seu significado, pois esse conhecimento ajudará na articulação com outras áreas do saber, contribuindo para a ação do homem em seu meio.

Os professores da atualidade têm encontrado uma grande dificuldade de exercer uma prática interdisciplinar devido à sua formação. Formação esta que, não tem apontado caminhos que levem professores a refletirem sobre o trabalho de integração entre as disciplinas e conseguir relacionar e trabalhar em conjunto, uma vez que, foram formados para atuarem em “determinada disciplina”.

Caminhando-se em direção ao conhecimento matemático, proponho refletir sobre a matemática escolar e as possibilidades para desenvolvê-la em sala de aula dentro dessa nova proposta de currículo interdisciplinar.

O conhecimento matemático surgiu da necessidade do homem em sua vida cotidiana. Mais tarde, expandiu-se num sistema de variadas e extensas disciplinas. Assim, como as demais disciplinas, ela se faz necessária para que o homem compreenda o mundo e tenha domínio sobre a natureza.

A evolução da Matemática não aconteceu apenas como acúmulo de conceitos que eram repassados, e sim, mudanças qualitativas. O conhecimento adquirido não era abolido das teorias existentes, e sim reestruturado.

Assim, a Matemática era vista como um conjunto de regras isoladas, resultantes de experiências cotidianas. Portanto, o sistema não era unificado.

O conhecimento matemático é fruto de um processo de que faz parte a imaginação, porém é apresentada na escola de forma descontextualizada, preocupando apenas com resultados e não com o processo pelo qual foi produzido.

Baseando em todos os argumentos colocados até agora, percebe-se que o professor não é um transmissor de conhecimento, ele apenas cria possibilidades para que o aluno construa o seu próprio conhecimento.

Nessa perspectiva, é necessário considerar os alunos como sujeitos socioculturais, compreendendo cada um como ser singular, com sua própria visão de mundo.

Cândido (2001) diz que estudantes devem aprender a se comunicarem matematicamente e que professores devem estimular o espírito de questionamento, levando-os a pensarem e a comunicarem suas ideias.

Nas aulas de Matemática, ainda tem predominado o silêncio, caracterizados pela ausência de comunicação. E esta tem um processo fundamental no processo de formação dos alunos, levando-os a relacionarem as noções informais e intuitivas com a linguagem abstrata e simbólica da Matemática.

Portanto, é necessário perceber que através dos recursos de comunicação que os conceitos e representações serão veiculados entre as pessoas, assim, aprender Matemática exige comunicação na sala de aula, dando aos alunos possibilidades de se organizarem, explorarem e esclarecerem seus pensamentos.

Assim, justifica-se a escolha do tema “Língua Materna e Matemática” pelo fato de que o sujeito necessita do aprendizado dessas áreas para a vida cotidiana, sendo que este possibilitará a ação livre do sujeito como um ser crítico, no meio em que vive.

No meio escolar, percebe-se que professores têm utilizado a linguagem verbal escrita apenas nos enunciados das questões. Eles não têm dado oportunidade aos alunos de escreverem como pensaram ao resolver as atividades.

Portanto, a questão que permeia este trabalho é: como é utilizada a linguagem verbal escrita nas atividades de Matemática com alunos da 2º ano do Ensino Fundamental no Centro Educacional Reino Encantado?

Foram coletados dados da pesquisa através de documentos (cadernos e atividades de alunos) e ainda, nas observações das atividades dadas nas aulas de Matemática da 2º ano dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Assim, o trabalho organiza-se em 4 capítulos. O conhecimento matemático é o foco do capítulo 1, uma vez que, esta área do conhecimento não deve ser vista como disciplina isolada, e sim, ela deve estar presente em todas as áreas de conhecimento. Enquanto que no capítulo 2, será apresentada a possibilidade de integração da linguagem verbal escrita nas aulas de Matemática. O capítulo 3 apresenta a pesquisa e um paralelo entre o referencial teórico apresentado nos capítulos 1 e 2 e os resultados obtidos na pesquisa. Nas considerações finais, analisam-se as possibilidades encontradas na pesquisa e ainda apresentam-se limites e os objetivos conseguidos na mesma.

2 O CONHECIMENTO MATEMÁTICO

Atualmente, pensar em Matemática significa pensar em uma ciência estruturada por um corpo de conhecimento organizado e com historicidade, gerada a partir de situações-problemas. Além disso, a Matemática é também ferramenta para outras áreas do conhecimento, é linguagem e possibilita a interpretação da realidade.

O compromisso com as dimensões individuais e sociais da educação nos leva a considerar algumas características do conhecimento matemático, redimensionando o papel do professor e do aluno. Entre eles, destaca-se a concepção sobre o conhecimento dentro de sala da aula, que muitas vezes, é entendido como algo acabado e encerrado em si mesmo.

Mas segundo BONJORNO (2000, p. 27) “todo conhecimento é uma elaboração interior, individual e resultante de um processo de estruturação e reestruturação intelectual, que ocorre ao longo da vida”. Essa construção implica intensa ação mental promovida por experiências pessoais, sendo assim, o aluno será o agente da própria aprendizagem.

Quando se refere à construção do conhecimento, em qualquer área, não podemos continuar na racionalidade do saber e do fazer. Deve-se ampliar a perspectiva fazendo com que as habilidades, os procedimentos, as atitudes do sujeito conhecedor frente ao objeto a ser (re) descoberto sejam foco de atenção.

Refazendo o processo histórico da construção da Matemática enquanto ciência, pode-se observar que ela foi se desenvolvendo à medida que o homem buscava respostas para problemas e desafios que surgiam em seu cotidiano. Segundo STRUIK (1992, p. 31) “as primeiras ocorrências matemáticas foram mais qualitativas, marcando somente a distinção entre um, dois e muitos”.

O comércio e a agricultura favorecem também o desenvolvimento das atividades matemáticas e o conceito de número. Os números foram ordenados e agrupados em unidades cada vez maiores, geralmente pelo uso dos dedos das mãos e dos pés, e tal procedimento conduziu ao sistema de numeração de base 5 e mais tarde de base 10. Dessa forma, percebeu-se que o conhecimento matemático foi e deve ser elaborado a partir da tentativa do homem compreender e atuar em seu mundo (STRUIK, 1992).

Sabendo que a Matemática surgiu da interação do homem com o mundo do qual faz parte, ao tentar compreender e atuar nele torna-se difícil de aceitar que nossas escolas insistem em não oferecer aos alunos, possibilidades de ação no mundo, e assim, se apropriarem do conhecimento elaborado por seus antepassados. Portanto, é necessário que o ensino de Matemática deixe de levar o aluno apenas a escrever fórmulas e fazer cálculos que não tem para ele qualquer significado. O fundamental é que os professores ajam como mediadores desse processo, levando assim, o aluno a tomar decisões conscientemente, a saber, argumentar, expressando com lógica o seu pensamento a fim de torná-lo um cidadão crítico, criativo, reflexivo e autônomo.

Portanto, o estímulo à comunicação matemática compõe certamente um dos aspectos do diálogo entre os que participam do processo ensino-aprendizagem dessa ciência. No entanto, quando consideramos a comunicação matemática em particular, ela caracteriza-se como uma estratégia específica para o ensino e aprendizagem. Assim, como as crianças desenvolvem o domínio da língua materna através da comunicação verbal e escrita, elas também desenvolvem o conhecimento matemático: falando, escrevendo e, eventualmente criando ou recriando linguagem matemática (www.colegiofayal.com.br/noticia).

Para gerir um trabalho como este, é necessário que os sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendizagem exerçam efetivamente seus novos papéis. Do aluno, espera-se uma participação ativa na construção e na apropriação desse conhecimento matemático que poderá lhe ser útil na compreensão e transformação da sua própria realidade. Do professor, espera-se que exerça o papel de mediador e facilitador desse processo, utilizado metodologias que priorizem a criação de estratégias, a verificação de hipóteses, a justificativa, a argumentação, o espírito crítico, e favoreça a criatividade, o trabalho coletivo, a iniciativa pessoal e a autonomia advinda do desenvolvimento da confiança na própria capacidade de conhecer e enfrentar desafios.

Além disso, o conhecimento matemático como tantos outros que fazem parte do universo no qual são inseridos, emerge das mais diversas situações cotidianas, fazendo com que cada indivíduo participe de uma série de situações envolvendo números, relações entre quantidades, noções sobre espaço e volume, dentre outras, e que além de registrar quantidades, registra o caminho utilizado para a resolução do problema.

 3 A LINGUAGEM VERBAL ESCRITA COMO ESTRATÉGIA PARA TRABALHAR A MATEMÁTICA

A língua deve ser vista como um ponto chave para o processo ensino-aprendizagem. Deve ainda estar atrelada a comunicação, uma vez que, é um ponto primordial para esse processo. E para que ele aconteça, são necessários pelo menos dois sujeitos. Portanto, a linguagem é vista como forma de interação.

Num sentido bem amplo, a linguagem ver a ser todo código de sinais que serve para transmissão de mensagens e para a comunicação entre pessoas.

A linguagem realiza e transmite o pensamento; isso implica que o pensamento depende de fato da linguagem e que suas categorias são determinadas pelas categorias da linguagem. É a linguagem que modela o universo que pensamos, e reconstrói o real, ou seja, a realidade se encontra reproduzida num sistema de signos.

Vê-se, portanto, a importância da linguagem como forma de interação. Segundo Ferreira (2001, p. 23) “a linguagem é uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre pessoas”. Desde que nascemos, estamos inseridos num mundo de relações.

Segundo Travaglia (2001, p. 23) “a linguagem é, pois um lugar de interação humana, de interação comunicativa pela produção de efeitos de sentido entre interlocutores, em dada situação de comunicação e em um contexto sócio-histórico e ideológico”.

Cândido (2001) aponta três recursos de comunicação: a língua oral, a representação pictórica e a escrita. Diz ainda que, no ambiente escolar, a oralidade é o recurso de comunicação mais acessível, uma vez que, todos os alunos, independentemente da faixa etária, podem utilizá-la. Ela é um recurso de comunicação simples, e ainda permite visões rápidas, podendo ser mudadas ou reiniciadas assim que se percebe uma falha.

A linguagem oral, que dentre as diversas espécies de linguagem, deve ser destacada, pois, consegue expressar o maior número de idéias e sentimentos humanos. Ela utiliza os elementos vocais como meio de expressão.

A linguagem oral ainda favorece a percepção das diferenças, a convivência dos alunos entre si e o exercício de escutar um ao outro em uma aprendizagem coletiva, possibilitando à criança o desenvolvimento da confiança em si mesma.

A representação pictórica é um pensamento visual, podendo ser adaptado a qualquer natureza do conhecimento. As crianças, desde pequenas, utilizam-se do desenho para se expressarem. Elas desenham por diversão. Assim, a criança comunica e expressa seus sentimentos, vontades e idéias, por meio do desenho. Este emerge como uma linguagem para a criança.

Por fim aparece à linguagem escrita, visa como sistema de representação que midiatize a ação do homem no mundo e que, portanto é produzido nas diferentes práticas sócias ao longo da história por meio de sinais gráficos (alfabeto) que se juntam para a formação de palavras.

É preciso reconhecer que a linguagem articula-se profundamente com o pensamento e com a ação dos sujeitos envolvidos em sua produção. É preciso considerar que, além de regular a ação e o pensamento, a linguagem possibilita comunicar idéias, expressa opiniões, demonstrar emoções, influenciar pessoas e estabelecer relações interpessoais.

Ao conceber a linguagem como “um sistema de signos histórico e social que possibilita ao homem significar o mundo e a realidade” (PASSOS, 1996, P. 11), o educador tem, diante de si, o desafio de organizar diferentes e significativos encontros da criança com este universo, que é a língua. Esta concepção demanda, entre outros aspectos, compreender que a aprendizagem da leitura e da escrita não se restringe ao reconhecimento dos elementos isolados que compõem o sistema de escrita. Implica também, na apropriação da rede de significados culturais por ele representado, e na compreensão do dinamismo desses significados e das relações entre seus elementos, seja em qualquer disciplina.

Um resultado notável dessas ações está na possibilidade de um grupo compartilhar diferentes interpretações de uma mesma ideia Matemática. As interpretações geralmente variam de um indivíduo para o outro, e somente a partir da comunicação oral ou escrita, é que elas podem difundir-se permitindo que cada um colabore com o aprendizado de todos. Neste caso, a comunicação desenvolve-se naturalmente, possibilitando assim, a compreensão da Matemática a partir da Língua Materna.

Ao colocar como dependentes e/ou interligados Matemática e Língua Materna, percebe-se que a segunda deve participar efetivamente dos processos do ensino da Matemática, não apenas nos enunciados, mas, sobretudo como fonte alimentadora na construção dos conceitos, na apreensão das estruturas lógicas da argumentação, na elaboração da própria linguagem matemática.

Quando MACHADO (1993, p. 27) diz que, “a Matemática é um sistema de representação da realidade, construído de forma gradativa, ao longo da história, tal como são as línguas”, reconhece sem dúvida os elementos constituintes dos dois principais sistemas de representação da realidade: o alfabeto e os números, que são apreendidos conjuntamente pelas pessoas em geral, mesmo antes de chegarem à escola.

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Naturalmente, mesmo as tentativas mais singelas de iniciação à matemática pressupõem um conhecimento da Língua Materna, pelo menos em sua forma oral. Existem, no entanto, fecundas relações de interdependência entre essas duas disciplinas, que carecem de uma exploração conseqüente, tendo em vista o ensino de ambas (MACHADO, 1993).

Contudo, aprender e ensinar a linguagem escrita, numa perspectiva multidimensional implica em reconhecer que a língua a ser ensinada na escola vai além dos conteúdos gramaticais fragmentados aos quais estamos acostumados. Reconhecer que no aprendizado da linguagem (oral ou escrita) se encontra o sujeito em sua totalidade e diversidade e que, além disso, nenhum objeto de conhecimento a ser apreendido é caracterizado por uma neutralidade ou positividade.

Percebe-se que, nos primeiros anos de escola, o contato dos alunos com atividades que exploram a Matemática será decisivo para que estabeleçam vínculos com essa área do conhecimento. Situações em que o aluno conversa e escreve com a liberdade e escreve com a liberdade e tranqüilidade, elaborando e expressando opiniões, utilizando assim, os conhecimentos adquiridos para resolver situações-problema.

Tornar o conhecimento matemático acessível e agradável é parte dos objetivos a serem alcançados por nós, professores. Colaborar com a formação de cada aluno para que ele se torne membro participante e crítico da sociedade em que vive, também faz parte desses objetivos.

Nesse sentido, o papel do professor é contribuir para que a prática de ler e escrever sejam para o aluno um ato de consciência, uma forma de demonstrar seus conhecimentos do mundo, traduzindo em signos. Agindo assim, estaremos dando espaço a múltiplas interpretações da realidade.

4 A IMPORTÂNCIA DO SUPERVISOR EDUCACIONAL

O conceito da palavra supervisão, segundo o sentido etimológico, vem das palavras super (sobre) e visão (ação de ler). Indica a atitude de ver com mais clareza uma ação qualquer. Sendo assim, supervisão escolar é a visão global, sobre todo o processo educativo, para que a escola possa alcançar os objetivos da educação e os objetivos específicos da própria escola (MEDINA, 1997).

A supervisão moderna caracteriza-se como orientação, coordenação, ajuda, diferenciado-se da ideia de supervisão como inspeção ou fiscalização (ANDRADE, 1976), visto que, “(...) o supervisor é o sujeito que faz a leitura da escola na sua totalidade” (MEDINA, 1997, p.18).

O supervisor escolar representa um profissional importante para o bom desempenho da educação escolar. O mesmo deve opinar, expondo seu modo de pensar e procurar direcionar o trabalho pedagógico para que se efetive a qualidade na educação. Na atualidade o supervisor se direciona para uma ação mais científica e mais humanística no processo educativo, reconhecendo, apoiando, assistindo, sugerindo, participando e inovando os paradigmas, pois tem sua “especialidade” nucleada na conjugação dos elementos do currículo: pessoas e processos. Desse modo, caracteriza-se pelo que congrega, reúne e articula (BELIZÁRIO E SILVA, 2013).

Assume o supervisor a tarefa de articular tudo o que ocorre no universo escolar, orientar a formação continuada dos professores (MIZIARA, 2005b), propiciando momentos de estudos com os educadores dentro do ambiente escolar.

Neste trabalho de formação continuada, o supervisor precisa conhecer qual o entendimento dos professores acerca do que é educação e como ocorre o processo de formação do conhecimento pelo aluno, visto que esta base epistemológica do professor é o que dará suporte para suas ações pedagógicas (MIZIARA, 2005b).

No trabalho desenvolvido pelo supervisor escolar, além do que já está citado, precisa existir o compromisso com a mudança, voltado para a educação, para o ensino, para o aluno e não apenas à fidelidade ao sistema educacional. A intervenção da supervisão escolar é uma das pontes para que a qualidade de ensino, tão discutida hoje, seja alcançada por todos, fazendo assim, com que esse profissional seja respeitado, aceito e ganhe o reconhecimento de suas atividades que não são menores que as responsabilidades do professor, que é a educação (LOURENÇO, 2009).

É importante ressaltar que a relação entre supervisor escolar e demais profissionais da escola, não seja de autoritarismo, pois se isso acontecer, estará com sérios problemas, já que a democracia e o planejamento coletivo e participativo são as melhores maneiras de lidar com os problemas no dia a dia da instituição de ensino, bem como no processo educativo (LOURENÇO, 2009).

Medina (1997) acredita que o professor e supervisor têm seu objeto próprio de trabalho: o primeiro, o que o aluno produz; e o segundo, o que o professor produz. O professor conhece e domina os conteúdos lógico-sistematizados do processo de ensinar e aprender; o supervisor possui um conhecimento abrangente a respeito das atividades de quem ensina e das formas de encaminhá-las, considerando as condições de existência dos que aprendem (alunos).

Segundo Passerino (1996), o trabalho do supervisor educacional deve ser orientado pela concepção libertadora de educação, que exige um compromisso muito amplo, não somente com a comunidade na qual se está trabalhando, mas consigo mesmo. Trata-se de um compromisso político que induz a competência profissional e acaba por refletir na ação do educador, em sala de aula, as mudanças almejadas. Todavia, a tarefa do supervisor é muito difícil de ser realizada, exige participação para a integração em sua complexidade.

Além dos conhecimentos pedagógicos, é desejável que o supervisor conheça um pouco sobre as disciplinas e conteúdos que compõe o currículo da escola na qual trabalha, para que possa dialogar com os professores sobre estratégias e recursos a serem adotados (BALZAN, 1988). Também é oportuno conhecimento de outras áreas, tais como antropologia, filosofia, lingüística, sociologia e aprofundamento em temas como agressividade, sexualidade, raça e gênero (MEDINA, 1997).

Outra tarefa muito importante do supervisor é a elaboração do projeto político pedagógico da escola em conjunto com a direção, corpo docente, corpo discente e comunidade (MIZIARA, 2005a).

Diante de todas estas tarefas, percebe-se a supervisão “(...) como a prática profissional do educador comprometido com o significado e as implicações sociopolíticas da educação” (RANGEL, 1997, p.148).

Mas, para que isto aconteça, o supervisor tem que pensar e refletir sobre o seu fazer cotidiano, ser um supervisor/pesquisador, para que possa traçar com os professores o conhecimento da realidade na qual irão atuar, para selecionar meios e estratégias de intervenção, procurando melhorar a realidade que hoje se encontra nas escolas (BALZAN, 1988).

A supervisão precisa deixar de ser apenas técnica “para se tornar um fator político, passando a se preocupar com o sentido e os efeitos da ação que desencadeia mais do que com os resultados imediatos do trabalho escolar”. Porém, “essa dimensão política da supervisão somente se torna efetiva quando (...) altera o ambiente escolar, tornando-o mais compatível com as novas exigências, portanto, mais aberto a mudanças” (ALONSO, 2000, p.175).

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A escola na qual foi realizada a pesquisa, da rede privada, oferece a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental. Na escola há quatro turmas perfazendo um total de 38 alunos.

A turma da 2º ano, centro dessa pesquisa, possui 7 alunos, sendo 4 meninos e 3 meninas, com faixa etária entre 6 e 8 anos. A professora regente tem o Magistério nível médio, graduação em “Ciências Sociais”, Pós graduação “Latu Sensu” em Psicopedagogia.

A questão que permeia esta investigação busca compreender como é utilizada a linguagem verbal escrita nas atividades de Matemática com alunos do 2º ano do Ensino Fundamental do Centro Educacional “Reino Encantado”, uma vez que, os alunos dessa turma são alfabetizados, a professora pôde lançar mão da Língua Materna na forma escrita.

Buscando compreender a questão proposta, as aulas de Matemática foram observadas de forma não participativa. Tal ação foi possível, uma vez que, na 2º ano há horário específico para cada disciplina. A atenção foi voltada apenas para situações que envolviam a escrita, sendo este o objetivo do trabalho.

Também foi analisado o caderno de aula de cada aluno, escolhido aleatoriamente, para verificação das atividades de Matemática dadas em outros dias de aulas nos quais o professor observador não estava presente.

Verificou-se que a linguagem verbal escrita era utilizada apenas nos enunciados dos exercícios. Geralmente, a professora usava as expressões, ligue, complete, continue, escreva o nome dos números, resolva as operações, calcule.

Foi observado também que a linguagem verbal escrita foi utilizada na resolução de exercícios em apenas duas situações. Na primeira, foi solicitado que o aluno escrevesse o nome dos números e na segunda, após completar uma parcela que faltava em algumas subtrações, foi solicitada a criança que escrevesse como pensou para resolver a questão.

Portanto, a pesquisa evidenciou que a linguagem verbal escrita, nas aulas de Matemática, é utilizada nas seguintes situações: enunciados de exercícios; resolução de exercícios; nome aos números; escrever como pensou ao completar uma parcela que faltava numa subtração.

É necessidade do mundo pós moderno que as atividades trabalhadas levem os alunos a pensarem ainda, que sejam atividades criativas e desafiantes. O homem da atualidade precisa dar conta de todas essas relações existentes na vida cotidiana, pois, o mundo exige isso.

Sendo assim, o que a Matemática hoje pode contribuir para a formação do sujeito? Infelizmente, o trabalho que vem sendo desenvolvido por parte de alguns professores ainda não tem levado o aluno a refletir sobre as situações-problema existentes.

Portanto, faz-se necessário que o ensino da Matemática deixe de levar o aluno apenas a escrever fórmulas e fazer cálculos que não tem para ele qualquer significado.

Cabe então ao professor mediar todo esse processo, utilizando metodologias que priorizem a criação de estratégias, a verificação de hipóteses, a justificativa, a argumentação, o espírito crítico, e favoreça a criatividade, o trabalho coletivo e a iniciativa pessoal.

Supervisor e professor devem caminhar juntos, buscando desenvolver essas estratégias que favoreçam o pensar, a reflexão e o registro das atividades trabalhadas.

6 CONCLUSÃO

Ao final do trabalhado realizado, conclui-se que há possibilidade de utilização da Língua Materna na sua forma escrita. Porém não foi a forma utilizada pela professora pesquisada.

Foi observado que a professora deixa de aproveitar oportunidades que poderiam levar às crianças a pensarem e refletirem sobre questões problema que surgiram na sala de aula e ainda fazer relatórios escritos dessas soluções. Essa é uma questão que fica em aberto para que futuras pesquisas sejam realizadas.

O estudo também permitiu inferir que a supervisora não acompanhava o desenvolvimento dos alunos e tão pouco das atividades trabalhadas pela professora. Pôde ser observado também que na escola não existe espaço onde ambos os profissionais pudessem planejar e discutir acerca dos trabalhos desenvolvidos.

Essa questão possibilita a reflexão da necessidade dos professores de estarem em formação continuada, juntamente com o supervisor, possibilitando assim que os profissionais estejam sempre estudando, buscando novos horizontes, refletindo acerca da prática docente e ainda que o supervisor reconheça o seu papel na instituição escolar.

Percebe-se que se faz necessária a interdisciplinaridade e o trabalho paralelo com o supervisor. O estudo realizado mostra que a professora analisada ensina a matemática “pura”, mecânica e isolada, sem se quer relacioná-la com outra área de conhecimento e que a supervisora não desenvolve o seu papel, preocupando-se apenas com questões administrativas.

A professora em questão poderia criar situações-problema em que o aluno teria que elaborar estratégias para solucioná-las, ao contrário do observado, em que as atividades trabalhadas eram mecânicas, como por exemplo, quando utilizou a escrita na resolução do exercício, no qual era pedido ao aluno para escrever como pensou ao completar uma parcela que faltava na subtração.

A comunicação matemática pode ser caracterizada como estratégia específica para o ensino aprendizagem. Assim, da mesma maneira que as crianças desenvolvem o domínio da Língua Materna através da comunicação verbal escrita, elas também desenvolvem o conhecimento matemático: falando, escrevendo, e eventualmente, criando ou recriando a linguagem matemática.

Pensando assim, o professor conseguira desenvolver um trabalho interdisciplinar, abrangendo todas as áreas do conhecimento, agindo como mediador e facilitador de todo esse processo.

E mais, compreender, interpretar, calcular, medir, argumentar, resolver situações-problema, tomar decisões e expressar-se são capacidades que a linguagem verbal escrita poderá desenvolver, contribuindo assim, para o alcance dos objetivos em Matemática.

Entretanto, como já dito, a professora deixa de explorar a linguagem verbal escrita. Ela poderia utilizá-la, ao solicitar ao aluno que escrevesse o que pensou ao resolver um problema, e sendo que nem problemas são trabalhados, ao criar situações problema, dada a operação: ao fazer relatórios de aulas, dentre outras.

Em suma, durante as aulas de Matemática, foi observado que não houve comunicação na sala de aula, onde poderia ser dada aos alunos a possibilidade de se organizarem, explorarem e esclarecerem seus pensamentos; e ainda, de utilizarem a escrita como registro das estratégias utilizadas em todo esse processo.

REFERÊNCIAS

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Publicado por: Bruno de Freitas Camilo

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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