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Com amigos se vai mais longe

Sociologia

A importância de ter bons amigos.

Você tem muitos amigos? Cultiva as suas amizades? Vez por outra, costuma se decepcionar com elas? Ter verdadeiros amigos é uma tarefa que parece estar ficando a cada dia mais complexa. O ritmo acelerado de vida dos dias atuais, muitas vezes, dificulta ou mesmo nos impede de dedicar algum tempo para cultivar boas amizades. Nas grandes metrópoles, por exemplo, as pessoas costumam estar sempre muito ocupadas e já não é tão fácil ter amigos de verdade.

“Com um amigo ao lado, nenhum caminho é longo demais”

Ditado japonês

Recentemente, me dei conta de que precisava praticar algum esporte para manter a saúde em dia. Dai, como havia comprado, alguns anos atrás, um par de raquetes de tênis, decidi que seria hora de usá-las. Fui até um clube próximo a minha casa ver se os horários disponíveis para treinar atendiam ao meu interesse. Como não obtive sucesso, recorri a uma área pública onde há quadras. Lá eu encontrei disponibilidade.

Foi quando me dei conta de problemas ainda maiores: encontrar um amigo que goste de jogar tênis, que queira praticar comigo e que tenha um nível de desempenho compatível ao meu. Peguei a agenda e comecei a ligar. Dai, descobri que havia mais um outro desafio: localizar alguém que tivesse compatibilidade de agenda comigo. O resultado? Faz quatro meses e ainda não consegui jogar uma única partida.

“Quem não tem amigo anda como estranho pela terra que ninguém pertence”

Heinrich Zschokke

Mas, nunca devemos abandonar a idéia de manter bons amigos. Segundo o filósofo grego Aristóteles, há três tipos de amizade: por interesse, por prazer e por bondade. Para ele as duas primeiras não merecem ser chamada de amizade, pois, quase sempre, duram muito pouco tempo. A verdadeira amizade, segundo ele, é a por bondade. Muitas vezes achamos que temos muitos amigos e, não raro, descobrirmos da pior forma possível que não é bem assim. Durante muitos anos ocupei o cargo de diretor de um grande grupo empresarial. Lá, eu tinha sempre muitos amigos e estávamos sempre em contato nos encontros de almoço, jantare, coquetéis, reuniões etc. Havia até um casal de amigos que passava em minha casa bem cedo, nos finais de semana, para pegar os meus filhos para passear de lancha.

Depois de alguns anos, deixei a organização para me aventurar numa vida empreendedora. A transição de executivo para micro-empresário não foi nada fácil e as mudanças nos hábitos familiares, também, não. Meus filhos de três e cinco anos, por exemplo, não entendiam por que não eram mais convidados para dar uma volta de barco. Mas, o duro mesmo foi ser abandonado por quase todos os “amigos”. Insisti, algumas vezes, em contatá-los, porém não obtive sucesso. As suas secretárias sempre diziam: “o senhor fulano disse que assim que terminar a reunião retornará.” Já se passou quase quinze anos e, muitos deles, ainda não retornaram.

“Amicus certus in re incerta cernitur” (Conhece-se o verdadeiro amigo na adversidade).

Cícero

Porém, a experiência não parou por ai, lembro-me de algumas vezes ter telefonado para alguns amigos e a secretária ser uma novata. Daí, elas sempre perguntavam: “de onde é o senhor?” Como eu não tinha mais certeza de que eles ainda eram meus amigos (já que nunca atendiam ou retornavam os meus contatos) e como eu também não tinha uma empresa ou emprego, o jeito foi improvisar e dizer que eu era da João Caetano (nome da rua em que eu morava e todas pensavam tratar-se de uma empresa). Com eles, o artifício não funcionou muito bem, mas para os novos contatos foi um grande sucesso: eu quase sempre conseguia ser prontamente atendido.

Todavia, percebi logo que esse não é um fato novo. Afinal de contas, a Bíblia, em Eclesiástico nos revela: “há amigo que é companheiro de mesa, mas que não será fiel no dia de tua tribulação. Na tua prosperidade é como se fosse um outro tu, na tua desgraça ele se afasta de ti. Se és humilhado, estará contra ti e se esconderá da tua presença” (6,10-12).

“Só através da amizade pode-se conhecer alguém de verdade”.

Santo Agostinho

O fato é que a vida costuma nos ensinar que é preciso dedicar algum tempo para cuidar de nossas amizades. Anselm Grün em seu magnífico livro A arte de viver comenta: “quem está sempre ocupado, quem se refugia no trabalho não só não tem tempo para a amizade, mas também é incapaz de ser amigo de alguém. Os melhores amigos não são os bem-sucedidos, mas os deserdados da sorte, os que tomam posição diante da própria ameaça, os que estão conscientes de seus limites e fraquezas. A amizade exige abertura para o outro. Quem afoga seus sentimentos em atividades será incapaz de dividi-los com o amigo. E quem não tem mais nada a dividir não pode ser amigo de ninguém. A amizade só é proveitosa para quem se apresenta em toda sua pobreza”.  

E você, conhece bem seus amigos? Está cultivando boas amizades? Pois, lembre-se do que disse Santo Agostinho: “Só através da amizade pode-se conhecer alguém de verdade”.

Pense nisso, boa semana é até breve,

Evaldo Costa 

Escritor, Consultor, Conferencista e Professor.

Autor dos livros: “Alavancando resultados através da gestão da qualidade”, “Como Garantir Três Vendas Extras Por Dia” e co-autor do livro “Gigantes das Vendas”- www.evaldocosta.com.br. E-mail: evaldocosta@evaldocosta.com.br.


Publicado por: evaldocosta

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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