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A multiplicidade dos Brasis na versão de Darcy Ribeiro

Sociologia

Apresentar o Brasil dito Rústico e se utilizará de uma sucinta abordagem sobre os diversos brasis, na visão do antropólogo mineiro Darci Ribeiro.

RESUMO

Conhecer a história inicial de sua terra é se aprimorar na cultura, é se repensar e renovar quanto a pré-conceitos, é instigar de onde vieram os próprios antepassados. Além de nos remeter a uma época para se compreender com mais afinco a etnia, os costumes, a tradição familiar ou regional, inclusive crenças e se pode incluir neste rol de conhecimentos a educação do seu povo.

Palavra-Chave: Cultura, Povo, Período.

INTRODUÇÃO

No Brasil ocorreram as invasões e migração portuguesa, devido ao seu descobrimento, seguido por outros países da Europa e da África. Era neste período que se deu a associação entre negros, índios e brancos, uma junção que determinou o nascimento ou renascimento de um povo designado neobrasileiro. A desculturização acabou se tornando visível em poucas décadas, marcada pela crueldade, rigidez e autoritarismo. E dentro dos cenários regionais que a busca de si mesmo se fez necessária para se iniciar um processo civilizatório.

Era a humanidade mesma que entrava noutra instância de sua existência, na qual se extinguiriam milhares de povos, com suas línguas e culturas próprias e singulares, para dar nascimento às macroetnias maiores e mais abrangentes que jamais se viu. (1995, p.39)                              

A intenção deste artigo é apresentar  o Brasil dito Rústico e se utilizará de uma sucinta abordagem sobre os diversos brasis, na visão do antropólogo mineiro Darci Ribeiro. Se percebe nesse âmbito a evolução histórica em que ocorreu desde a sua descoberta. As faces do Brasil, como se pode dizer, surgem após o processo de adaptação e diferenciação do povo. Despontam então as variantes representadas pela cultura: crioula, cabocla, sertaneja, caipira e sulina.

PÁTRIA BRASILEIRA - NOS SEUS DIFERENTES MODO DE SER

BRASIL CRIOULO

Neste período o engenho açucareiro era a primeira forma de empreendimento colonial, com um produto fino para exportação, considerado a principal fonte de renda dos portugueses, pois naquele momento não se cogitava a exploração de riquezas minerais. A mão de obra era praticamente escravocrata, pois os índios eram vistos como indisciplinados e poucos simpáticos.

Os primeiro engenhos surgem antes de 1520 e se concentram nas terras de massapé do Nordeste e do recôncavo baiano, o crescimento da economia açucareira era considerado surpreendente.  Sendo que por volta de 1650 esse mercado entra em colapso, devido á produção holandesa. O açúcar passou a ser considerado um produto de fácil acesso e de uso diário. Após o ano de 1700 se inicia o ciclo do ouro para a coroa portuguesa, sitiada no Brasil. Período em que a fusão racial se dá entre negros, índios e brancos e o modo civilizatório de ser desponta nesta nação.

BRASIL CABOCLO

Mestiços provindo do cruzamento de brancos com índias, a população de caboclos vivem  na Amazônia, embora muitos deles tenham sido desapropriados e transferidos para Belém e Manaus, se tornando extrativistas. Seus costumes foram adquiridos dos índios, eram também notáveis artesões e o seu modo de vida não se adapta facilmente a sociedade.                                            

BRASIL CAIPIRA

Com a falta de escravos e a decadência dos engenhos açucareiros, inclusive com pouco desembarque de navios no ancoradouro de São Vicente, os paulistas se instalaram no interior do estado, com um cotidiano muito simplório. A língua falada era uma variante do idioma dos índios Tupis, que mais tarde em decorrência das ordens da coroa portuguesa a exigência foi de se abrasileirar, se utilizar do português. O caipira seria a miscigenação de índios e brancos.

O intuito do trabalho das famílias era apenas para o seu próprio sustento, para as mulheres cabiam todas as tarefas domésticas, filhos, inclusive colheitas, um trabalho interrupto. Aos homens cabia o serviço pesado e da segurança, intercalavam com períodos de descanso.

Surge o mutirão neste período, para o serviço que exigia a ajuda além dos familiares, sendo o trabalho finalizado com festa, tendo música típica e servido pinga. Desta época surgem as festas de santos, bailes, leilões, artesanato regional e com características próprias, se tratava de uma economia não monetária.

Através dos primeiros garimpos é que se começou a surgir a mudança no estilo de viver, influenciados com a prosperidade no estado de Minas Gerais. A vida se tornou mais ostentativa e com isto eclodiram as exigências de transferir a capital do Brasil da Bahia para o Rio de Janeiro.

Com o crescente desenvolvimento do café, o caipira se vê quase obrigado a migrar para se ajustar a este novo momento, porém a sua cultura é limitada e despretensiosa da riqueza, o mesmo é visto como preguiçoso e um tanto desleixado. Não é integrado ao sistema produtivo, ele vive na sua própria naçãozinha que praticamente se extinguiu devido ás grandes cidades.

BRASIL SERTANEJO

A maioria dos sertanejos vive de favor em suas terras. É considerados um povo pastoril, se reúnem em pequenos núcleos no interior, são festeiros e ao mesmo tempo isolados da sociedade. São bravos, fiéis, religiosos, defendem a honra e são justiceiros e enfrentam grandes adversidades em seu cotidiano.

Por mais anos ou gerações que permaneça numa terra, o sertanejo é sempre um agregado transitório, sujeito a ser desalojado a qualquer hora, sem explicações ou direitos. Por isso, sua casa é o rancho em que está apenas arranchado; sua lavoura é uma roça precária, só capaz de assegurar-lhe um mínimo vital para não morrer de fome, e sua atitude é a de reserva e desconfiança, que corresponde a quem vive num mundo alheio, pedindo desculpas por existir. (1995, p.359)

BRASIL SULINO

A cultura sulina tem uma característica própria dos demais. Ocupam estas áreas os portugueses, açorianos, missioneiros e gringos. Surgem através dos jesuítas e espanhóis na região gaúcha. Houve vários confrontos no sul que geraram fortes tensões.

Vivem primeiramente do pastoril e mais tarde do cultivo. Discutem política, reforma agrária, possuem aspecto severo e são sóbrios. Nas festam bailam, riem e ao som da gaita, da sanfona e viola se reúnem para tomar o seu chimarrão, pinga e servido o tradicional churrasco. Seu sotaque mistura ao da fronteira. A cultura sulina possui muitos núcleos fechados, assim se diferenciam dos demais brasis.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Darcy se esmerou em explicar os diversos Brasis, contribuição importante para se entender a cultura brasileira. Os indígenas percebiam o mal que esta interferência em seu mundo causou. “Provavelmente seriam pessoas generosas, achavam os índios. Mesmo porque, no seu mundo, mais belo era dar que receber. Ali, ninguém jamais espoliara ninguém e a pessoa alguma se negava louvor por sua bravura e criatividade.” (1995, p.42). Receber utensílios  e adornos e demais mercadorias, custou-lhes a quase dizimação do seu povo aborígene.

A formação do brasileiro se deve a desculturização dos índios, negros e brancos vindo de outras partes do mundo, cada qual com seus costumes, tiveram que se adaptar pela sua sobrevivência ao modus vivendi desta nova terra.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREYRE, Gilberto. Brasis, Brasil, Brasília. Rio de Janeiro: Gráfica Record, 1968.

RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras,1995.

RIBEIRO, Darcy. O processo Civilizatório: etapas da evolução sócio-cultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

Claudia Mehler Bot - Licenciada em Ciências Sociais, Universidade Castelo Branco


Publicado por: Claudia Mehler Bot

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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