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Perspectivas para a saúde

Saúde

Perspectivas para a saúde, Qual será o conceito de saúde no futuro?, O que será ser saudável?, Estado de saúde e de doença, a revisão em vários setores da sociedade.

Para sabermos como será o mundo e como estaremos agindo no futuro, precisamos analisar o passado.Toda a história e os detalhes da evolução da sociedade são importantes se quisermos obter a idéia mais correta possível do que acontecerá. Um assunto que,sem dúvida, merece toda a atenção é a saúde.

Qual será o conceito de saúde?O que será ser saudável? Descobrirão a cura de alguma doença?Essas são apenas algumas das perguntas que estão sempre nos rodeando. Afinal, estamos em um mundo cuja população não para de crescer e cada vez mais surgem doenças. É mais do que normal tanta preocupação com a questão da saúde. A resposta para tantas perguntas está no que já vimos, nas situações pelas quais já passamos, enfim, no que já vivemos e em todas as conclusões que podemos tirar dessas experiências.

Na intenção de alcançar essas metas, também foi necessária a tentativa de conceituar novamente o que representa o estado de saúde e o de doença, pois a idéia de que um consistia na ausência do outro não foi bastante para os interessados no assunto.
Portanto, para descobrirmos como será a saúde, precisamos saber como ela foi, e principalmente como ela evolui. E para isso, é essencial o estudo dos costumes da sociedade e dos conceitos por ela estabelecidos ao longo dos anos.

Para os homens primitivos, tudo o que acontecia era explicado a partir de um pensamento mágico, religioso e sobrenatural. Se alguém morresse, por exemplo, seja qual fosse a causa, era devido a vontade dos deuses.As grandes civilizações da Antiguidade da Mesopotâmia e do Egito acreditavam que as doenças decorriam de fatores externos ao corpo do homem, podendo ser elementos da natureza ou espíritos sobrenaturais.Os gregos, ao contrário dos outros povos da Antiguidade, procuravam uma explicação racional para as doenças.

Observa-se, por exemplo, que na época de Hipócrates, este considerava que as doenças eram originadas por desequilíbrios existentes entre as forças da natureza que estão dentro e fora da pessoa, afastando a medicina das causas sobrenaturais. A condição em que o indivíduo se encontrava era resultado da harmonia ou da desarmonia existente entre os humores corporais e também da relação que esse tinha com o mundo em que estava incluído. Foi também a primeira vez na história em que a relação médico-paciente foi concebida como exercendo influência na recuperação do doente. É na grécia antiga que surge todo o cuidado com o corpo através da prática da ginástica e dos esportes visando a harmonia entre o corpo e a alma.

Na Idade Média, há o retorno do pensamento religioso, principalmente pela influência da Igreja Católica. A fé e a religiosidade eram importantes na cura das doenças vistas como forma de punição pelos pecados. Esse período da história sofreu muito com a grande incidência das pestes e das epidemias devido à falta de higiene e de saneamento.
Posteriormente, a saúde e a doença do homem foram comparadas ao funcionamento ou não de uma máquina, onde órgãos são como peças, e para a manutenção da saúde basta concertá-las ou repô-las. Ou seja, a visão dessa época era materialista, não existia a influência de mais nada além do que era comprovado fisicamente.

Novamente, com a primeira revolução da saúde, houveram modificações de pensamento, passando para a aceitação da teoria do germe e na existência da preocupação com a prevenção da doença. Na segunda revolução a preoucupação está com a saúde e não com a doença. Essas estão relacionadas com o comportamento do indivíduo, sendo que mantendo-se hábitos considerados saudáveis poderia reduzir-se consideravelmente a mortalidade , surgindo, então a noção de estilo de vida.

Temos, para as doenças e para suas curas, hoje, explicações racionais, que na sua maioria são comprovadas a partir de estudos e de experiências realizadas devido ao avanço tecnológico na área da medicina e saúde. Nossas condições de saneamento e noções de assepsia são bem maiores do que na Idade Média e as epidemias estão mais controladas. Assim como na Grécia antiga, a prática de exercícios físicos é sempre recomenda para quem deseja estar saudável e é grande a valorização do corpo. A fé ainda tem papel importante na cura das doenças, mas não por imposição de igrejas e sim como fonte de esperança e força para superar dificuldades.

Apesar das variações ocorridas na ótica da saúde e da doença, cada pessoa se relaciona de uma forma particular com essas, chegando algumas a acharem que pelo fato de estarem doentes tem direito a privilégios, pois encontram-se em uma situação de fragilidade diante da sociedade .

Embora o Brasil não tenha passado por tantas transformações históricas e comportamentais como o Velho Mundo, e ter iniciado sua trajetória na Idade Moderna ele não ficou a parte das evoluções advindas das descobertas da ciência, que proporcionam paulatinamente mudanças significativas nos hábitos de higiene e nos costumes de forma geral da sociedade.

Considerando todos os fatores externos que interferem num prognóstico mais preciso do futuro da saúde física e mental dos bilhões de habitantes que compartilham os recursos naturais do planeta, levando-se em consideração toda dificuldade que têm os países desenvolvidos, os em desenvolvimento e principalmente os subdesenvolvidos em preservar e utilizar de forma racional esses recursos de maneira que não influencie, de forma definitiva, a saúde das novas gerações.

Além do fator ambiental, que foi citado acima muitos outros fatores afetam decisivamente a evolução da saúde em âmbito mundial, como o uso de drogas, a violência e principalmente a pobreza.
No Brasil, um país em desenvolvimento e que ainda não equacionou a maior parte dos seus grandes problemas sociais estes se refletem de maneira trágica quando o assunto é saúde.

Seria hipocrisia fazer um prognóstico de saúde num país onde maior parte da população divide uma parcela miserável da renda nacional. Partindo desse ponto, problemas como a fome e a falta de educação, que acarretam um crescimento na violência urbana e no uso de drogas, que causam uma geral falta de saúde mental que não poupa nem as classes mais favorecidas. Diante desse panorama desolador , voltamos a afirmar que seria uma temeridade fazermos previsões a longo prazo do desenvolvimento da saúde no Brasil.
Como fala Denise B. San t’ Anna no texto “Pacientes e Passageiros”, cada vez mais um paciente que é internado em um hospital para uma intervenção cirúrgica passa por experiências semelhantes as que passam um passageiro que vai realizar uma viagem aérea, por exemplo os hospitais encontram-se cada vez mais cercados de serviços assim como os aeroportos , e em ambos os casos o paciente se desliga da família, se expondo a uma série de aparelhos que ele não compreende, a longas esperas ,e ao contato direto com pessoas estranhas.

Todo esse novo processo, leva o paciente que já estava em uma situação mais fragilizada a um tratamento mais frio e padronizado.
Apesar de uma pequena parcela da população brasileira vivenciar esse problema da mecanização da saúde considerado no parágrafo anterior, a maioria do nosso povo convive com problemas muito mais básicos, quando o assunto é saúde o nosso pobre se preocupa primeiro quanto tempo irá levar para conseguir uma ficha num posto de saúde, e caso consiga, resta saber se a consulta chegará antes da sua enfermidade adquirir proporções maiores e até antes que chegue a sua morte.

Hoje, em meio de tantos hábitos e concepções diferentes acerca da saúde, é difícil chegar a uma única conclusão sobre o que acontecerá, mesmo com toda essa análise histórica. Com a mistura de conceitos existentes, o que podemos é tentar “predizer” o futuro partindo de diferentes pontos de vista:

Talvez o futuro seja uma volta ao passado. O conceito de saúde poderá estar ligado à natureza de maneira radical, ou seja, para ser saudável é preciso estar totalmente em harmonia com o ambiente utilizado, para todos os fins, apenas materiais retirados da própria natureza. Esta possibilidade é, sem dúvida, um regresso aos costumes dos homens primitivos. Mas, quando essas pessoas ficarem doentes as plantas irão curá-las ou precisarão de hospital? Será válido renegar todas as descobertas e o avanço que a tecnologia permitiu alcançar?

Talvez o futuro da saúde tenha um aspecto “virtual”. Talvez, em um hospital não seja necessária a presença de médicos, pois eles poderão realizar todas as cirurgias através de computadores e robôs. Talvez os doentes nem precisem sair de casa para serem atendidos. Essa possibilidade é mais aceitável que a anterior, afinal, já existem inúmeros instrumentos cirúrgicos totalmente computadorizados e que permitem que um médico acompanhe todos os detalhes de uma cirurgia mesmo não estando presente. Mas tanta tecnologia estará disponível a todas as pessoas?

A questão saúde é muito subjetiva e envolve diversos fatores. Qualquer possibilidade de futuro por nós criada resultará em mais perguntas que não podem ser respondidas, mesmo tendo como base uma boa análise histórica. Dizer o que será saudável não é tão simples como dizer, por exemplo, como serão os carros daqui a alguns anos. A industria automobilística tem sua tecnologia e seus processos de fabricação de produtos matematicamente provados, são exatos. A saúde não. Os conceitos de saúde estão inseridos no comportamento da sociedade que por sua vez é influenciada por inúmeras outras questões, tais como a econômia, política, etc.

Não é possível construir em cima do nada. Assim, os novos conceitos de saúde, com certeza, serão formados a partir do conhecimento que temos hoje. Por isso, mesmo não conseguindo respostas concretas para as perguntas iniciais, toda a pesquisa feita e o passeio pelos variados conceitos que predominaram em diferentes épocas da nossa história tem sua importância.
O mais provável é que a saúde seja definida com o equilíbrio de todos os conceitos. Da simplicidade de costumes do homem primitivo à virtualidade das cirurgias modernas. Da alimentação exclusivamente natural ao uso de suplementos sintéticos. Das plantas de uso medicinal à terapia gênica.

Porém, quanto ao Brasil, enquanto não houver uma revisão em vários setores da sociedade , como política, economia, e outros alicerces que darão base a uma nova estrutura na saúde, e que nós cidadãos não nos comprometermos com qual a qualidade de saúde que queremos para o nosso povo, será inviável qualquer projeto, baseado apenas na boa vontade, vinda de pessoas como nós profissionais ligados a área da saúde.


Publicado por: Paula Bernardi Meira

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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