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A taça não é nossa

Redação

Crítica ao Governo brasileiro que proveita o momento da copa para construir discurso com ênfase em um suposto orgulho nacionalista.

A taça não é nossa Vuvuzela, roupas e rostos coloridos com as tonalidades da bandeira patriótica defendida são alguns dos adereços mais utilizados por torcedores na Copa do Mundo de Futebol. Seja na Alemanha, África ou, quem sabe, no Brasil, o mundial causa alvoroços e expectativas. Contudo, em um país de terceiro mundo, como na terra da torcida canarinho, um evento de tão grande porte pode não significar legados positivos condizentes ao entusiasmo do povo brasileiro.

Acreditar na extrema benevolência que uma copa pode trazer a um país é enganar-se cegamente. Enquanto comemora-se uma suposta vitória de uma nação sobre a outra, esquece-se das mazelas sociais existentes no planeta. Os governos, de forma astuta, valem-se desse desejo por vitória dos fanáticos e constroem discursos e propagandas emocionantes, com ênfase a um suposto, e famoso, orgulho nacionalista. Deplorável. Como num passe mágico, também surgem recursos públicos que, outrora alegados escassos, financiam obras destinadas, exclusivamente aos dois meses de jogos futebolísticos. Tome-se como exemplo a construção de um estádio em Pernambuco.

Ora, se antes os montantes eram “inexistentes”, porque, em pleno processo de pré-hospedagem para tal evento, os mesmo aparecem? Deturpante, a Federação Internacional de Futebol e Associados (FIFA), não arcará com os impostos decorrentes da venda de ingressos e produtos oriundos da organização futebolística. Esses tributos representam uma considerável perda para uma nação que carece de investimentos em infra-estrutura, saúde, educação e tantos outros. Destarte, é difícil imaginara Copa no Brasil sem a participação do estado de São Paulo que, diga-se de passagem, é o que mais gera riquezas à nação e, como se não bastasse, detém o maior número populacional. Sua alienação ao torneio esportivo deve-se, dentre outros fatores, à sua recusa em fabricar, com orçamentos de seu povo, as dispendiosas construções.

Por mais lamentável que pudesse ser para muitos, se o Brasil se negasse a sediar os jogos, daria provas de sua maturidade quanto à gestão de suas finanças frente aos muitos investimentos que teria a fazer. Afinal, respeitar o bolso de seus contribuintes é, obrigatoriamente, o dever de toda nação que se preze.


Publicado por: JULIANA BRAGALDA

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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