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Livrando-se da cruz de cada dia

Psicologia

Para conseguir a felicidade é necessário pagar um preço.

A unanimidade é um evento raro, mas existente. Penso que a felicidade é um exemplo de unanimidade. Todos os habitantes da terra, eu quero crer, buscam de alguma forma ser feliz. Mas, nem sempre encontrar a felicidade é facil como gostaríamos que fosse. O que muitos não dão conta é que a felicidade é fruto do sofrimento. É como se tivéssemos que comprá-la com sacrifício e o preço fosse proporcional ao grau de satisfação. Assim, quanto mais felicidade se busca, mais sofrimento seria o preço a pagar.

A exemplo da vida humana em que a mulher sofre nove meses para gerar uma criança. Nesse interregno, quanta luta: dores, dietas, restrições físicas e alimentares, noites mal dormidas, medicamentos, fatores psicológicos alterados e um monte de outros cuidados. Ao nascer, a mãe passa por intenso processo de dor. Mesmo que queira evitá-la com cesariana, terá que suportar a dor do pós-operatório. O fato é que somente depois de muito sofrimento poderá segurar em seus braços o filho e encher o coração de felicidade.

A sociedade busca distanciar-se do sofrimento a todo custo. Desejamos muito a felicidade, mas não estamos dispostos a pagar o preço justo para obtê-la. Às vezes tenho a sensação de que desejamos viver como se pudéssemos comprar a felicidade no supermercado da esquina, como se fosse arroz ou feijão. Por que agimos assim? Pensamos mesmo que o dinheiro pode comprar tudo, inclusive a nossa felicidade? Pelo menos parece ser assim que estamos criando essa nova sociedade.

Se o filho deseja um brinquedo ou uma bicicleta, os pais não pensam duas vezes para, o quanto antes, dar-lhe o presente. Até aí nada de anormal, não fosse o fato de não tomar os cuidados necessários para evidenciá-la que o que está obtendo custa dinheiro, que dinheiro custa trabalho e que, se ela realmente deseja tanto a felicidade proporcionada pelo brinquedo, terá que entender, desde cedo, que há sacrifício envolvido na ação. Não é somente ir à loja e colocar o que se quer no carrinho de compras. Caso contrário ela nunca saberá o valor das coisas, irá crecer pensando que a felicidade é uma obrigação que pode ser medida por índice de consumo e comprada a qualquer tempo nos shoppings e supermercados e não se conformará quando descobrir que não é bem assim.

Que somos induzidos ao consumismo, isso não discutimos. Todos os dias há novidades nas prateleiras das lojas. Você dá um celular de presente ao filho e daqui a pouco ele quer um outro igualzinho ao que o colega de sala ganhou. Se você não dá ou não pode comprar vira motivo para não ir bem nos estudos e logo aparecerá alguém dizendo que a criança está com problemas emocionais e, se bobear, vai ser preciso levá-la para tratamento com psicólogo.

Vivemos intensamente em busca de bens materiais, como se não se fosse possível ser feliz sem eles. Muitos não se conformam em assistir televisão, querem assistir em aparelho com imagem digital. Outros já não querem um notebook, desejam o último lançamento e assim vamos vivendo pensando mais nos objetos e menos nas pequenas coisas de que o ser humano tanto necessita para ser feliz. O mesmo adolescente que está sempre querendo comprar algo novo é, muitas vezes, incapaz de, ao cruzar a sala, enxergar os pais e perguntar se eles estão bem ou precisando de alguma coisa. Seria essa mesma a felicidade que tanto buscamos?

Pense nisso e ótima semana,

Evaldo Costa

Escritor, consultor, conferencista e professor.

Autor dos livros: “Alavancando resultados através da gestão da qualidade”, “Como Garantir Três Vendas Extras Por Dia” e co-autor do livro “Gigantes das Vendas”

Site: www.evaldocosta.com.br

E-mail: evaldocosta@evaldocosta.com.br


Publicado por: evaldocosta

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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