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Uma Análise do Gerúndio ao Gerundismo

Português

Algumas questões a respeito das expressões de futuridade no português brasileiro.

Resumo:

Discute-se nesse trabalho algumas questões a respeito das expressões de futuridade no português brasileiro (PB), contudo aprofundaremos nos estudos que estão envolvidos com a polêmica e o estigma sobre o gerundismo para entender melhor sobre o assunto. Esse fenômeno, o “gerundismo”, ainda é pouco analisado, tanto numa perspectiva gramatical quanto discursiva. Entretanto, é fortemente criticado por gramáticos, assim como pela mídia, a ponto de servir de mote constante para piadas nos diversos meios de comunicação. Não obstante, analisar a estrutura do que se considera como “gerundismo” é um tanto complexo. Embora circunscrito por alguns à atividade de Telemarketing, é um fenômeno produtivo e altamente recorrente nos mais variados perfis de falantes do português brasileiro. Essa análise será feita, por meio das pesquisas de alguns estudiosos como; Almeida (2005), Bechara (2003), Cintra (1972), Santos (1997; 2008), Serafim (2008), Menon (2003; 2004); Mothé (2004), e Possenti (2005) sobre a modalidade no gerundismo para que haja então, um melhor entendimento sobre o assunto. Tendo essa clareza, será mais fácil as explicações e os trabalhos que proporei aos alunos em sala de aula.

Abstract: 

It is argued in this paper some questions about the expressions of futurity in Brazilian Portuguese (BP), however deepen the studies that are involved in the controversy and stigma about Gerundismo to understand more about the subject. This phenomenon, "Gerundismo", is still little studied, both grammatical and discursive perspective. However, it is strongly criticized by grammarians as well as by the media as to serve as a constant theme for jokes in various media. Nevertheless, analyzing the structure of what is considered "Gerundismo" is somewhat complex. Although limited by some telemarketing activity, is a productive and highly recurrent phenomenon in various profiles of Brazilian Portuguese speakers. This analysis will be done through the research of some scholars like; Almeida (2005), Bechara (2003), Cintra (1972), Santos (1997, 2008), Seraphim (2008), Menon (2003, 2004), Moth (2004) and Possenti (2005) on the mode in Gerundismo so there is then a better understanding of the subject. With this clarity, the explanations will be easier to propose and work to the students in the classroom.

Palavras-chave: Gerundismo, discussões, modalidade, estigma, futuridade.

Key-words: Gerundismo, discussions, mode, stigma, futurity.

1. Introdução

Para entendermos um pouco mais sobre o Gerundismo é necessário adentrarmos na relação intrínseca entre língua e sociedade que parece ser consensual, já que é através dela que a comunicação entre os membros de uma comunidade se efetiva, tornando-se um sistema eficiente de interação social, que realiza inúmeras possibilidades comunicativas. A comunicação é elemento básico para a vida humana em sociedade, e esta se dá, fundamentalmente, pela linguagem. Entendida, assim, a linguagem seria um fenômeno de natureza social e como tal não poderia ser estudado fora do âmbito em que se insere.

Ora, se não se pode considerar a língua fora do contexto social, na medida em que sua função seria não apenas transmitir informações, como também estabelecer e manter contatos sociais entre os falantes, não se pode também deixar de lado o fato de que ela vai acompanhar e refletir os padrões de comportamento e valores sociais.

Assim é que, no contexto das relações sociais, há sempre uma ordenação valorativa das variedades linguísticas em uso, que reflete a hierarquia dos grupos sociais (ALKMIN, 2006, p. 39).

As sociedades de tradição ocidental oferecem um caso particular de variedade prestigiada: a variedade padrão, por ser esta “coincidente” com as variedades faladas pelas classes mais altas, sendo difundida, principalmente, pelas gramáticas normativas, tidas pelos indivíduos como as grandes detentoras do saber linguístico. Desse modo, ainda vigora na sociedade uma concepção tradicional de língua abstrata e homogênea, que busca sempre a “pureza” da língua, idealizando uma correção linguística que estaria refletida nos compêndios gramaticais e nos dicionários, desvalorizando todas as outras manifestações linguísticas que são consideradas como uma deficiência linguística, e, o que é pior, desconsiderando também as pessoas que fazem uso delas.

Desse modo, o Gerundismo não se insere no modelo padrão de idioma para muitos estudiosos da língua, sendo um uso estigmatizado por muitas pessoas, que não percebem que é uma construção como qualquer outra no nosso idioma.

Conquanto se perceba que o tema Gerundismo seja muito explorado em diversos setores de nossa sociedade, a quantidade de pesquisas linguísticas sobre o assunto ainda é pequeno, o que pode ter sofrido influência das dificuldades de obter informações de fala real com essa construção.

Este artigo apresentará alguns dados de estudiosos sobre a modalidade no gerundismo e também nas perífrases verbais de futuro, discorrerá sobre o preconceito, estigma e desvio linguístico presentes na língua portuguesa.

1.1 O Conceito de Gerundismo

Gerundismo é uma locução verbal que consiste no uso sistemático de verbos no gerúndio, cujo emprego é relativamente recente no português, particularmente o brasileiro.A concordância da construção com a sintaxe do português não é ponto pacífico, sendo, por vezes, considerada um vício de linguagem.O Gerundismo foi estigmatizado graças ao seu emprego constantemente impreciso semanticamente e ao preconceito linguístico.

O gerundismo pode ter tido sua origem em traduções literais do inglês de expressões empregando o futuro contínuo desta língua,sem atenção para a semântica e sintaxe originais e ao fato de que este tempo verbal inglês é construído com o particípio presente (gerúndio), uma das formas infinitivas do verbo, que muitas vezes deve ser traduzido para o infinitivo português e não para o seu gerúndio:

"Walking [particípio presente ou gerúndio] is to live [infinitivo]" é corretamente traduzido para "Andar é viver" e não para "Andando é viver".

No exemplo acima a tradução correta do gerúndio inglês é dada pelo infinitivo português, o mesmo sendo necessário nas traduções do futuro contínuo.

Outra vertente afirma ser mera coincidência que o português e inglês compartilhem da mesma construção como forma válida de expressar o futuro, considerando-a semântica e gramaticalmente correta, uma construção perifrástica cuja finalidade seja exprimir continuidade ou progressividade.

1.2 O uso do Gerúndio ao longo da História

Em História de Portugal, uma obra do século XVI, escrita por ninguém menos que Fernão de Oliveira, autor da primeira gramática da língua portuguesa, aparece 61 vezes o gerúndio dos brasileiros – e nenhuma vez o infinitivo gerundivo dos lusitanos. Estudos comparativos mostram que os portugueses começaram a usar o infinitivo gerundivo no fim do século XIX e sua aplicação se consolidou na primeira metade do século passado. É coisa recente, portanto. Um trabalho da estudiosa Mothé (2004), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostra que os portugueses empregam a nova forma mais na língua falada do que na escrita e seu uso é mais disseminado entre jovens. Comparando diálogos das décadas de 70 e 90, Mothé descobriu que o infinitivo gerundivo aparece na “boca” de 89% dos portugueses de 25 a 35 anos. Entre os de 36 a 55 anos, o porcentual cai para 65%. E fica em 55% entre os que têm mais de 56 anos. Isso também significa que em Portugal, como no Brasil, se usam as duas formas. A diferença é que preferimos a antiga – e eles, a nova.

2. Sintaxe e semântica do gerúndio e do gerundismo: diferenças e semelhanças

O gerúndio exprime uma ação em curso ou simultânea, ou a idéia de progressão indefinida. Sua combinação com verbos auxiliares define uma ação durativa, cuja significação é determinada pelo auxiliar.A frase "Estou almoçando" indica que estou executando a ação durativa de almoçar neste exato e rigoroso momento, por exemplo. A expressão "A vida foi passando" denota uma ação durativa realizada progressivamente. A construção é particular do português brasileiro, uma vez que em Portugal costuma-se substituir o gerúndio pela construção a + infinitivo ("estou cantando" por "estou a cantar").

O emprego correto do gerúndio em expressões de ações futuras ocorre quando realmente se pretende exprimir uma ação durativa, um processo que terá uma duração ou estará em curso, tal qual "Estaremos jogando futebol na tarde de amanhã", ou simultaneidade, como em "Eu estarei trabalhando enquanto eles brincam", perfeitamente caracterizadas pelo uso do gerúndio. Na primeira frase um grupo de pessoas jogará futebol durante a tarde de amanhã, período durante o qual eles, corretamente, estarão jogando. A segunda frase indica que, enquanto um grupo de pessoas brincam, o sujeito da frase, neste mesmo período (duração de tempo), trabalhará.

O gerúndio sempre indica uma ação em andamento e, por isso, os verbos que completam seu sentido normalmente são conjugados no presenteMas, há situações em que pode ser precedido por um verbo conjugado no futuro ou no passado e nesses casos deve ser observado o contexto da frase, uma vez que, nessa construção a frase indica uma ação simultânea a outra ou uma ação de progressão indefinida. ("Quando você chegar estarei saindo", "Ele estava se distraindo muito ultimamente").

Já o gerundismo, ocorre, normalmente, na tentativa de expressar ações de execução imediata no tempo futuro com emprego do verbo auxiliar (normalmente estar) e o gerúndio, tais como "vou estar telefonando", "vamos estar publicando", esquecendo-se da caracterização durativa acarretada pelo uso do gerúndio.

O emprego excessivo do recurso, especialmente por operadores de telemarketing, estigmatizou seu uso e provocou muita polêmica quanto a sua correção. A presença maciça da construção num dos setores que mais emprega no Brasil contribuiu fortemente para a disseminação do gerundismo,que hoje encontra-se nos diversos níveis sociais e até mesmo em falas do então Ministro da Saúde, José Serra, que pronunciou numa entrevista: ..."outra vacina que vamos estar aplicando amanhã".

Recentemente operadores de telemarketing passaram a receber orientação para evitar gerundismos em virtude de diversos fatores tais como tornar-se conclusivo evitando ser ambíguo, não usar uma construção que é desagradável ao cliente, buscar clareza de expressão, entre outros.

Abnegando-se de quaisquer intenções de natureza categórica, há que se mencionar que este “fenômeno” se evidencia em várias esferas da sociedade, seja em instituições bancárias, empresariais, educacionais, nas conversas proferidas ao telefone, naquelas informais do dia a dia, e até mesmo nas formais, mais precisamente na escrita.

Situações corriqueiras como:

“Não desligue, vou estar transferindo você para outro setor”.

“Aguarde só mais um instante para que eu possa estar lhe respondendo”.

“Você precisa estar aguardando a chegada do próximo boleto para efetuar o pagamento”.

Mas afinal, onde reside a incoerência?

O fato é que precisamos estar cientes de que o gerúndio se caracteriza como uma forma nominal aplicável em várias circunstâncias, desde que condizente como tal, ou seja, para expressar uma ação em curso ou uma ação simultânea a outra, ou para exprimir a ideia de progressão indefinida. Portanto, os presentes enunciados carecem de uma reformulação, cuja maneira assim se evidenciaria:

Não desligue, vou transferir-lhe para outro setor”.

“Aguarde só mais um instante, para que eu possa lhe responder”

“Você precisa aguardar a chegada do próximo boleto para efetuar o pagamento.”

Desta forma, ao fazer uso do gerundismo, a ideia expressa pelo falante não se revela pela noção de simultaneidade, mas sim pelo fato de denotar uma ação específica, na qual esta continuidade torna-se desprezível, como em: “Vou estar transferindo”. “Vou transferir” retrata uma ação que vai ocorrer deste momento em diante, enquanto que dito de outra forma (Vou estar transferindo) refere-se a um futuro em andamento – daí a recusa da “permanência no tempo” (continuidade).

Diante de tais pressupostos, torna-se essencial que entendamos acerca das características às quais o gerúndio se refere, uma vez que trata-se de uma forma nominal constituída por um verbo auxiliar (ser, estar, dentre outros) acrescido de um outro verbo cuja terminação se define por -NDO. Tornando-se viável mediante enunciados semelhantes a:

É bem provável que amanhã estará chovendo, razão pela qual não iremos à praia. 


Andam dizendo por aí que não mais voltarei, enganam-se por demais. 

O tempo ia passando e nada de encontrarmos solução para aquele problema. 

Aos poucos você vai se acostumando com a ideia de perdê-lo.

Enquanto que o Gerundismo indica uma maneira de utilizar a forma nominal do gerúndio sem que ela se expresse, de fato, o processo verbal no momento de sua ocorrência.

Passemos agora para as comparações dos estudiosos sobre o assunto propriamente dito.

3. Revisão bibliográfica

Será que na opinião de alguns operadores de telemarketing apenas eles são usuários do gerundismo?Para que serve esse tipo de construção perifrástica? Alguns estudiosos defendem a tese de que a perífrase seria uma forma polida de falar e de que esse modo seria apenas um estilismo dos profissionais de telemarketing. Por esse prisma, essas construções gerundivas passam despercebidas pelos interlocutores, que recebem esse tipo de serviço como se fosse um atendimento cortês que os atendentes usam para tratá-los adequadamente.

Estudos mais aprofundados mostram que há, pelo menos, duas interpretações para esse uso, por parte do ouvinte, uma delas é que esse tipo de diálogo não compromete o grau de certeza por parte de quem fala, de que a ação vai ser resolvida; outra interpretação é de que o atendente está disposto a solucionar os anseios do cliente que começará a cumprir a ação a partir do presente momento, após a enunciação e a sequência seria continua.

Diante dessas suposições, poderíamos pensar que estamos frente a uma modalidade. Mas que tipo de modalidade?Talvez no gerúndio? No verbo (ir + INF)? Ou na perífrase inteira?

Com o intuito de entender esses questionamentos ditos anteriormente este trabalho faz análises, sobre um pouco do que já foi pesquisado no âmbito dos estudos linguísticos, a respeito das expressões de futuridade no português brasileiro (PB) e por consequência o gerundismo, para a partir de então levantar algumas discussões sobre a modalidade presente nessas expressões numa perspectiva funcional. Dessa forma, esta análise tem como fundamento cogitar a interpretação do ouvinte para a perífrase ir + estar + GER.

3.1. Comparação entre autores  

Nesta seção faço um estudo comparativo sobre a opinião de alguns estudiosos a respeito do gerundismo. 

Santos (2008) estudou a variação entre as expressões de futuro (a perífrase formada por estar + GER- estarei enviando e a perífrase formada por ir + estar + GER- vou estar enviando) e outras mais antigas,nos discursos disponíveis no site do Senado Federal e em programas de televisão como o Pânico e Transalouca,das redes Jovem Pan e Transamérica. A autora analisou também dados de escrita oriundos de boletins da UnB, dados de fala informal, a maioria coletada a partir de observação participante.

Os dados analisados pela autora trazem indícios de que o gerundismo, que são construções como “eu vou tá ligando pro motoqueiro e vou tá avisando pra ele tá dando preferência pra entrega da senhora” variando com “ eu vou ligar pro motoqueiro e vou avisar pra ele dar preferência pra entrega da senhora” atestam que há contextos diversos de infinitivo que têm dividido espaço com construções gerundivas.

No tocante ao gerundismo, como no caso de “eu vou tá ligando pro motoqueiro”, de acordo com a autora, a novidade está ligada a interpretação aspectual do verbo principal da perífrase no sentido de que ocorre uma “tensão” entre o aspecto durativo presente na composição estar + gerúndio e a falta dessa ideia de duração no verbo.

Segundo Santos (2008), o falante que reprova o gerundismo dá prova mais contundente de que essa é, sim, uma forma alternativa de indicar o futuro quando diz: “você não precisa dizer eu vou estar enviando seu cartão.Basta você dizer  eu vou enviar o seu cartão”.Quando faz isso, esse falante coloca,senão em situação de igualdade,pelo menos de equivalência,as duas formas,atestando que,a despeito da polêmica na definição da variável sociolinguística no nível da sintaxe ( cf. LAVANDERA,1978,por exemplo), essas variantes estão, no fundo, dizendo a mesma coisa.

A autora menciona que não há como sustentar que o gerundismo seja um erro por transformar em durativa uma situação pontual ou indicar interatividade onde ela não poderia ocorrer. Não é isso que o falante intenciona, nem é isso o que o interlocutor entende, pois o traço durativo já nasce ligado ao verbo. Ou seja, estabelece certas restrições de comportabilidade ou não com outros traços aspectuais de enunciado.

O trabalho de Santos (1997) fala ainda de outro futuro perifrástico, também não previsto pela tradição, chamado pela autora “futuro simples perifrástico”. Para Santos esse tipo de futuro é também composto pelo verbo ir + infinitivo do verbo principal, mas com o auxiliar conjugado no futuro do presente (irei sair). Ou seja, o futuro simples perifrástico tem característica do futuro simples perifrástico

Bechara (2003) e Almeida (2005) não reconhecem o futuro perifrástico como forma plena, não marcada, nem na parte relativa a futuro nem entre outros verbos auxiliares. Se não há menção ao futuro perifrástico, não seria de se esperar que houvesse o futuro simples perifrástico. Contudo, á página 230 Almeida explica: “Futuro do presente simples. É que, expresso por uma só palavra, indica, simplesmente, ação que irá realizar-se, sem estabelecer relação com outra ação: sairei”

Assim, se para a tradição gramatical, as formas de futuridade sempre consideradas são o futuro simples (farei), de que se pode dizer que é a forma universal e irrestritamente aceita, e o Presente (faço), para os estudos linguísticos, por outro lado, as formas sempre abordadas são o futuro simples (farei), o futuro perifrástico (vou fazer) e o Presente (faço).

O estigma em relação ao gerundismo deve-se, principalmente, a novidade do tipo de verbo que compõe as perífrases. Isso, por si só, já seria um motivo para que se tornassem perceptíveis. Entretanto, é preciso registrar que o fato de o gerundismo expandido ser o mais estigmatizado do que não é expandido de alguma forma está relacionado com o(s) auxiliar(s). Sabendo que em perífrases como ‘vou continuar tentando’ e ‘ vou ficar esperando’ também haja dois auxiliares, quando se trata de gerundismo, a adjacência deles combinada com a tipologia do verbo torna essas perífrases muito mais perceptíveis. Tanto é, que no tipo não expandido o auxiliar está conjugado na forma de prestígio, além de ser o verbo canônico para as perífrases com gerúndio. Mas a do tipo expandido tem dois auxiliares, sendo que estar não recebe flexão.

Cintra (1972) estudou o uso crescente da perífrase como indício de inovação no quadro das perífrases relacionadas à expressão da futuridade. Fato que, para ele, se associa a tendências em curso no PB contemporâneo, dentre elas, o uso cada vez mais recorrente de construções que envolvem ir GER; sendo que, nesse contexto de tendências em curso, ir + INF GER passa a co- ocorrer com mais frequência ao lado de ir INF, por exemplo. Com base em entrevistas do banco de dados IBORUNA, o autor verificou também que um dos momentos mais comuns em que a perífrase se atualiza é no fecho do tópico discursivo, o que nos dados analisados, está relacionado a uma atitude comprometida do locutor com o seu dizer.

Souza (2008) discutiu o gerundismo ao analisar o uso das construções perifrásticas no discurso de professores do estado do Rio Grande do Norte. Ele gravou as falas de dez professores em sala de aula, de ensino fundamental à graduação, a fim de investigar a frequência do uso das categorias gerundivas em foco. O seu objetivo era constatar se há tendências à rotinização das mencionadas estruturas no discurso de professores em detrimento das formas verbais sintéticas do futuro com as quais concorrem.

Em sua análise, o autor constata que há uma probabilidade de aceitação da forma perifrástica ir INF + GER entre os professores, inclusive o professor universitário, responsável pela formação do próprio professor. De acordo com o autor, o que esta forma, dado o seu aspecto durativo, parece soar mais gentilmente, sobretudo porque aparenta também ser mais inovadora.

Serafim (2008) estudou o gerundismo partindo da hipótese de que não se trata de um fenômeno exclusivo dos profissionais de telemarketing, ou seja, os operadores de teleatendimento. Para isso, ele buscou investigar esse fenômeno com suporte metodológico do Corpus do Português, base de dados de 45 milhões de palavras disponibilizado na Internet. Com intuito de reafirmar uma suspeita inicial de que o gerundismo vem co- ocorrendo com as perífrases sintéticas do verbo, o autor criou, para a pesquisa, um corpus de controle, extraído de entrevistas publicadas nos jornais online A Tarde e Correio da Bahia, ambos da cidade de Salvador (BA).

A partir da análise desses dados, o autor concluiu que o gerundismo não é um fenômeno novo, mas patente desde cedo na língua portuguesa, ainda que sua frequência tenha se ampliado a partir do século XX. Ele ainda sugere que o gerúndio não é o “causador” do estranhamento inicial que essas estruturas carregam, mas, sim, o verbo ir, que adquiriu um caráter morfemático de futuro, em prol de uma tendência mais analítica do português, na contramão das construções sintéticas do verbo estar ( no futuro do presente ou do pretérito) + o gerúndio de outro verbo.

Menon (2004), em um trabalho que investigou as ocorrências do gerúndio  do século XV ao XXI,comenta que a questão do gerundismo pode se resumir ao fato de que o futuro simples farei está desaparecendo do português brasileiro enquanto o futuro perifrástico vou fazer tem se tornado a forma preferencial na expressão do futuro. Nesse, rearranjo, a única diferença entre a “construção corretíssima e antiga” (de acordo com a autora) __ “Amanhã, a essa hora, estaremos tomando sol na praia” e a construção “Amanhã a essa hora, vamos estar tomando sol na praia” _ é a expansão de estaremos para vamos estar, uma vez que o gerúndio presente nas perífrases é exatamente o mesmo.

Sobre o preconceito sofrido pelo gerundismo, Menon (2004) entende que o estigma se deve ao fato de que só se aceita como interpretação possível para as perífrases com gerúndio aquela em que a acepção de duração casa com a semântica de duração do verbo. Ela explica: “O que nos parece que está acontecendo é que existe, da parte de muita gente, uma leitura linear e exclusiva somente do aspecto durativo da forma de gerúndio se ignora a outra” (p.224). 

Menon (2003) está de acordo com o que afirma Possenti (2005) ao falar sobre os “problemas” do gerundismo, em que há: incompatibilidade entre o sentido durativo do verbo estar e a ausência de tal sentido no verbo principal. Ou seja, se a construção estar + GER incluir um verbo com o traço de duração ou de processo em seu sentido, ela será perfeitamente normal. É que, estar é um verbo auxiliar durativo, só pode (ria) ocorrer com verbos durativos. Ocorrendo com outros, o resultado causa estranheza, uma espécie de paradoxo. Então, é por isso que vou morando em S. Paulo não é uma construção que soa estranha aos falantes/ouvintes do PB, mas vamos estar enviando seu novo cartão é.

Conclui-se pelas explicações e pelos exemplos de Possenti e de Almeida, que os gerundismos “corretos” “apropriados”, “antigos” ou “naturais” são aqueles que têm como verbo principal verbos de processo, os do tipo sem delimitação temporal. Portanto, essas perífrases não sofrem estigma, ou pelo menos não são alvo de críticas mais severas. Entretanto, o mesmo Possenti (2008) afirma que

tal construção está em perfeito acordo com a sintaxe do português: sua ordem é ir  + estar + ndo.Portanto, do ponto de vista estritamente sintático, não há nada demais com o chamado gerundismo.Sua estrutura é perfeitamente regular: cada verbo está na posição e forma em que estaria se. Ao invés de aparecer numa trinca, aparecesse numa dupla ( vou sair, vou estar, estou dormindo). (POSSENTI, 2008, p.2)

Possenti faz comentários sobre o significado do gerundismo:

Vejamos agora o que a construção significa [...] geralmente, a forma com estar + gerúndio veicula um aspecto durativo, ou seja, expressa um evento que não é instantâneo. Para que a menção de “aspecto durativo” não pareça estranha, relembre-se que o imperfeito do indicativo, uma forma bem conhecida, apresenta esse mesmo efeito de sentido: formas verbais como amanhecia e pintava referem-se a eventos ou ações que não são instantâneas, que têm alguma duração. Ora, não são morfemas (desinências) verbais indicam aspecto: ás vezes, ele faz parte das semântica da própria palavra. Por exemplo,dormir,estudar (em uma cidade) são durativos. Nem todos os verbos são durativos, evidentemente: enviar, providenciar, decidir, entre centenas de outros, não o são ( e nenhum dicionário informa...).Se não consideradarmos o aspecto dos verbos, não entenderemos por que um caso de “gerundismo” pode ser normal e outro não ( POSSENTI,2008,P.3)

O autor acredita que, por causa do chamado aspecto durativo, não é a mesma coisa dizer, por exemplo, vou dormir e vou estar dormindo.Segundo o autor,a diferença está exatamente entre ir ( que marca só futuro) e ir estar ( que marca futuro, por causa de ir, e “duração”, por causa de estar). Dito isso, “uma informação como vou estar providenciando, que ouvimos eventualmente da empresa de cujos serviços estamos reclamando,significa,entre outras coisas,que a providência não será instantânea..”           ( POSSENTI,2008,p.4).

Para tanto, Possenti (2008) toca em outra questão, a do compromisso expresso em vou providenciar que é mais inciso do que em vou estar providenciando.

É mais incisivo dizer providenciarei do que dizer vou providenciar [..] há outro efeito de sentido importante,agora de cunho pragmático ou interpessoal. A construção gerundiva conota gentileza, formalidade, deferência (se verdadeira ou simulada, não importa).Ou seja:bem ou mal,mesmo que se trate de postergar um serviço urgente, deve-se reconhecer que a recusa,pelo menos, é expressa de forma não grosseira( nem mesmo franca,de fato).Suponhamos que seja verdade que o fenômeno começou a se espalhar a partir do telemarketing. Isso só confirmaria a análise. A qual categoria interessa mais ser ou parecer gentil? De quebra, a fórmula é também menos comprometedora [...].Além dos aspectos acima,seria certamente interessante investigar se a enorme aceitação dessa nova locução não se deve a uma cultura da falta de compromisso, estabelece uma relação estreita entre um aspecto da língua e um traço de cultura ou de ideologia. ( POSSENTI,2008,p.4)

Como vimos Santos (2008), acredita que o falante que reprova o gerundismo quando diz “você não precisa dizer vou estar enviando seu cartão”melhor dizer “eu vou enviar o seu cartão”. Coloca-se em situação de igualdade, pois no fundo essas variantes estão, dizendo a mesma coisa.

Bechara (2003) e Almeida (2005) não reconhecem o futuro perifrástico como forma plena, marcada nem na parte relativa a futuro nem entre outros verbos auxiliares.   Cintra (1972) estudou sobre o uso crescente da perífrase com indício de inovação no quadro das perífrases.

Souza (2008) analisou o uso das construções perifrásticas no discurso de professores no estado do Rio Grande do Norte e sobre a frequência das categorias gerundivas em estudo ficou esclarecido, que a forma, dado ao seu aspecto durativo parece soar mais gentilmente e aparenta se mais uma forma inovadora.

Serafim (2008) diz que o gerundismo não se trata de um fenômeno exclusivo dos operadores de telemarketing.

Menon (2003) e Possenti (2005) concluem que as perífrases não sofrem estigmas e pelo menos não são vítimas de críticas mais severas e ainda segundo Possenti (2005), tal construção está em perfeito acordo com a        sintaxe do português: sua ordem é ir + estar + ndo.

5. Considerações Finais

Depois de tudo o que vimos e discutimos até aqui, percebemos o quanto é arriscado fazer afirmações contundentes acerca desse tema, mais ainda acerca da modalidade existente na estrutura ir ( pres.) + (es)ta (r)+ gerúndio por se tratar de uma construção que é alvo de preconceito,e,por haver muito pouco escrito sobre a modalidade no gerundismo,exceção do trabalho de Silva (2002), que tratou da modalidade nas perífrases verbais de futuro,e o trabalho de Possenti (2008)ao falar da polidez presente no gerundismo.

De fato, é possível afirmar que essa construção não se trata de um “desvio” linguístico, pois as três razões de Possenti (2008) (de ordem sintática a regularidade da estrutura, de ordem semântica- o aspecto durativo, e de ordem pragmática ou interpessoal; gentileza, deferência, polidez) já justifica a legitimidade dessa forma perifrástica. Portanto, podemos perceber que as formas verbais do futuro, seja com gerúndio ou não, expressam uma atitude epistêmica particular do falante. A modalidade epistêmica tem relação com o conhecimento e crença em oposição a sua origem é usualmente o falante, que conclui a partir das evidências se a proposição é verdadeira ou não- e expressões epistêmicas são usadas para expressar o grau de comprometimento do falante usa com a verdadeira proposição. Por isso, supomos neste trabalho que quando o falante usa as formas verbais do futuro,seja com gerúndio ou não,ele pode estar querendo expressar polidez- comportamento que respeita as necessidades de aprovação e autonomia das faces do falante e do interlocutor (PEREIRA, 1997) nesse sentido, poderíamos sugerir que o gerundismo seria mais uma estratégia de polidez positiva, no qual acredita Brown e Levinson (1987).Contudo essa análise vem somente instigar os questionamentos sobre o tema.

6. Referências Bibliográficas

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Anexo I

A fim de confirmar o preconceito com o uso do Gerundismo segue em anexo Decreto Lei que proíbiu tal uso no Senado.

02/10/2007 - 20h54

Governo do DF diz que demissão do "gerúndio" foi um recado oficial

REGIANE SOARES da Folha Online

A demissão do "gerúndio" de todos os órgãos do governo do Distrito Federal por meio de decreto do governador José Roberto Arruda (DEM) foi um "recado oficial" para combater a burocracia no poder público. A explicação foi dada nesta terça-feira pela assessoria do governador, um dia depois de a medida ser publicada no "Diário Oficial" do distrito.

Segundo a assessoria, a demissão do "gerúndio" não deve ser entendida no sentido literal, pois foi uma "figura de linguagem" adotada para mandar um recado em "tom oficial" para funcionários do governo que dizem que "estão fazendo", mas "não fazem".

"Foi uma forma de contestar a letargia e a burocracia que emperram as ações do governo", justificou a assessoria de Arruda.

No decreto, o governador também proíbe o uso do gerúndio por desculpa de "ineficiência".

O gerúndio é uma das formas nominais do verbo, formada pelo sufixo "ndo" que indica continuidade de uma ação.

Para o professor de Língua Portuguesa Eduardo Antonio Lopes, do Anglo Vestibulares, o emprego do "gerúndio" no decreto foi mal empregado, pois é um termo técnico da gramática. "A maior parte das palavras admitem vários sentidos, dependendo da maneira que for empregada, mas um termo técnico busca a exatidão da ciência", afirmou o professor.

Lopes disse ainda que um decreto deve conter informações precisas e não deveria, portanto, usar o "gerúndio" como uma figura de linguagem. "Se um decreto ou lei traz uma linguagem imprecisa, fica inaplicável", comentou.

O professor explicou que o uso do gerúndio é correto quando empregado para indicar uma ação no transcurso de sua duração. Por exemplo, "estou comendo", o que indica o ato de comer. Porém, o uso abusivo do gerúndio, conhecido como "gerundismo", está incorreto.

Segundo o professor, o "gerundismo" é usado em uma a ação momentânea. Por exemplo, "vou estar enviando um fax", em vez de "vou enviar um fax".

Anexo II

Um trecho da pesquisa do banco de dados de Iboruna por Cintra (1972) pelo  crescente  uso  da  forma  perifrástica  ir(pres.)+(es)ta(r)+gerúndio, rotulada como  gerundismo.

No  PB  contemporâneo,  indícios  dessa  continuidade  de  inovação  podem  ser  percebidos  pelo  crescente  uso  da  forma  perifrástica  ir(pres.)+(es)ta(r)+gerúndio,  comumente rotulada como gerundismo, como se observa na ocorrência seguinte, em que  a entrevistada (professora primária) fala sobre os benefícios de a criança ter contato com  livros desde seus primeiros anos de vida: 

(1) então eu posso afirmar com certeza que:: quando essa criança ela possui o contato com os livros mesmo que ela não esteja ainda na escola ela já vai estar entrando em contato  com  o  mundo  letrado  ela  vai  estar  entrando  em  contato  com  toda  uma riqueza  de  vocabulário  ela  vai  estar  desenvolvendo  toda  sua  capacidade  de imaginação toda sua capacidade de criatividade ela vai estar criando uma rotina ela vai  estar  desenvolvendo  né  e  vai  estar  adquirindo  um  go::sto  pela  leitura  que  é fundamental ela vai ter vontade de ler você não vai pedir pra ela ler ela por vontade própria ela vai procurar os livros... (ALIP-RO-088:544-551)

Nesse trecho, pode-se notar que vai estar entrandovai estar desenvolvendovai estar  criando

,  vai estar adquirindo co-ocorrem com outras formas perifrásticas, como 

vai ter

vai pedirvai procurar, na expressão da futuridade. 

O  uso  da  forma  perifrástica  ir(pres.)+(es)ta(r)+gerúndio  tem  suscitado  muita controvérsia. Desaconselhada pela norma-padrão, essa perífrase tem sido tratada, muitas vezes, como anglicismo e até mesmo vício de linguagem. A polêmica em torno de seu uso,  por  outro  lado,  também  tem  sido  abordada  em  textos  de  grande  divulgação  que apresentam  um  posionamento  mais  reflexivo  sobre  essa  forma  perifrástica,  como  o artigo de Possenti (2005), publicado na revista Discutindo Língua Portuguesa

[1] Artigo apresentado ao programa de Pós-graduação, do Campus Universitário de Rondonópolis/UFMT, como requisito Obrigatório para a conclusão do Curso de Especialização em Língua Portuguesa: Articulação Teoria – Prática: Língua – Gramática e texto, sob orientação da Profª Drª Maraísa Magalhães Arsénio.


Publicado por: Albeniza N.S Nascimento

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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