Topo
pesquisar

O papel da escola no combate a violência

Pedagogia

Como a escola deve agir no combate a violência.

Diante da deficiência técnica, estrutural, espiritual e moral de parte da sociedade contemporânea, a escola passa a ser vista como a “PANACÉIA” do futuro. Estudiosos infundamentados e pensadores sem reflexão apontam para a escola como sendo ela responsável pelo bem o ou pelos males que acontecem ou que possam vir a acontecer a sociedade. Numa sociedade capitalista as pessoas correm em busca do dinheiro (des)necessário para suprir suas necessidades de consumo e passam para escola o papel que, de direito, lhes pertence: educar seus filhos para integrá-los a sociedade. Não se deve fechar os olhos para o papel social da escola, para a sua influência na vida do homem e na construção do meio social, pois a mesma deve estar contextualizada com a realidade. O que não se pode, porém, é atribuir a ela o papel que é exclusivamente da família e do Estado. Educar é algo mais complexo do que ensinar a ler, a escrever e a contar. Na escola até se ensinam regras, mas a cumprir regras é papel da família. O papel da escola é aprimorar os conhecimentos e as regras que o aluno traz, organizá-las e sistematizá-las de forma que o aluno perceba a necessidade e o sentido das mesmas. Gerar e fiscalizar o cumprimento delas é papel da família e da sociedade. A escola pode e deve ensinar aos alunos as regras básicas de higiene corporal, mas é papel da família fornecer aos mesmos os produtos diários de limpeza. Se o aluno em casa toma banho, veste uma roupinha limpa e sai pra escola perfumado, dificilmente chegará na escola mal-cheiroso. Assim, também, o aluno que tem regras e exemplos de boas maneiras em casa, as usará na escola ou em qualquer outro meio em que esteja. Não adianta por a culpa na escola se a sociedade anda mal. A falha não está só na escola. Nenhuma árvore permanecerá frondosa e dará bons frutos se suas raízes estiverem podres, corrompidas. Pois suas raízes sempre serão sua sustentação e o único meio de captação de alimentos. Assim como as árvores se apóiam nas suas raízes, os filhos devem ter na família a base, o apoio, o exemplo e a segurança que precisam. Ser base é ter preparo moral para, com exemplos práticos, ensinar o que é certo. Ser base é ter princípios morais que permitam cobrar dos filhos ações de cidadania, de civilidade, de ética, de moral, de racionalidade. Se a família vai bem, a sociedade vai bem, tudo transcorre bem.

Se a sociedade vai mal ou se vai bem é reflexo do que se prega na família, o berço de toda a sociedade. Se a família cumpre seu papel, facilita o papel da escola. Assim como a escola não pode tratar a deficiência física do aluno, também não pode tratar a deficiência moral, estrutural ou familiar. Em ambos os casos, pode apenas ajudar a conviver com uma ou outra deficiência, ou em casos até com ambas. É obrigação do Estado oferecer e garantir segurança, saúde, educação, moradia, e tantas coisas mais ao cidadão, nada disso é obrigação da escola. Nisso tudo, o papel da escola é esclarecer, mostrar que o indivíduo tem direitos. A família e o Estado devem assumir seus papéis na formação do indivíduo social e não passar para a escola aquilo que lhes é de obrigação.

E o papel da escola no combate a violência?

Ora! Se a família não está conseguindo cumprir seu papel social, se o Estado não está conseguindo cumprir esse mesmo papel e não tem mais ninguém a quem recorrer, é natural que sobre pra escola, mas é certo que a escola sozinha não conseguirá exercer esse papel, uma vez que, se Estado e família não cumprem seus papéis satisfatoriamente, por falta de preparo ou condições, como irão ajudar a escola? Que mecanismo ou recurso a escola poderá usar para alcançar esse objetivo? Que espécie de pedagogia ou metodologia a ajudará nessa missão tão complicada? A do amor? A quê?

É bem verdade que a escola não pode ser omissa a esse problema. A escola também falhou para que se chegasse a esse ponto. A família falhou. A igreja falhou. O Estado falhou. A sociedade falhou. Tudo falhou. Agora, se a falha é de todos, por que deixar o problema só com a escola? Será que a escola está preparada para resolver o problema sozinha? Será que o tempo que o aluno passa na escola é suficiente para que a escola intervenha? Será que os profissionais da educação estão preparados para resolver esse problema? Quem os preparou? Onde? Como?

Já é tempo de a sociedade repensar a escola; de observar e perceber que os professores também são pobres mortais, com limitações, medos, desejos, frustrações (inúmeras), sonhos, família... são simples seres viventes. Chega de achar que professor é super-herói. Chega de achar que professor bom é aquele que tem jeitinho de médico, psicólogo, analista, advogado... professor é professor e pronto e ponto. O médico pra ser bom não alfabetiza, o psicólogo, o analista... nenhum outro profissional. Só o professor que tem que ser multiprofissional? Por quê? Por que a solução de todos os problemas da sociedade tem que vir da escola?

A solução virá muito mais fácil se a sociedade investir na reestruturação da família, na valorização dos princípios éticos, morais, sociais e cristãos e no reconhecimento da parcela de culpa de cada um de seus segmentos.


Publicado por: Hélio Valerio da Silva

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
  • SIGA O BRASIL ESCOLA
MeuArtigo Brasil Escola