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A Igreja Invasora

Literatura

Veja como foi o desfecho do capitulo sobre a igreja invasora!

Na virada do ano várias pessoas se preparavam para invadir uma área não habitada daquela cidade, e segundo as más línguas pertencia a um político local.

Tudo pronto! A área foi invadida e aí começou uma grande briga entre os invasores, Ministério Público, o advogado do dono da terra e outros interessados.

No meio dessa confusão uma igreja se instalou e começou a garimpar fiéis para o reino dos céus.

Depois de muitas disputas o município decide comprar as terras e loteá-las para os invasores. Os lotes seriam apenas para famílias, por causa disso a igreja ficaria de fora.

Passaram-se os dias e a prefeitura mandou medir os terrenos e investigar as famílias assentadas. Tal rigor era para ver se não tinha ninguém se fazendo passar por necessitado. Quem já tinha terreno em outro lugar não poderia ficar ali.

E a igreja como ficaria? Todos se perguntavam.

Depois de um ano os representantes da igreja receberam uma carta da prefeitura que dizia para eles abandonarem o terreno e desmontarem toda a estrutura.

O espaço era somente para famílias carentes. A igreja não poderia mais ficar ali.

Os membros da igreja ficaram desesperados. Para onde eles iriam trabalhar a obra de Deus.

Aquela invasão tinha-os acolhido tão bem, principalmente as crianças. E o que seriam delas?

Apesar de todos os apelos nada mudou. A igreja sairia dali.

Antes que a prefeitura mandasse o trator passar por cima daquela humilde igrejinha de madeira, os próprios moradores começam a desmontar o santo prédio.

Antes, porém, uma devota pegou o microfone do púlpito e começou a pedir aos céus que iluminassem as cabeças dos homens. Pediu a Deus que iluminasse a cabeça do juiz para que ele sempre tomasse as decisões mais justas e certas; pediu a Deus para iluminar a cabeça do professor para ensinar somente coisas boas aos alunos; pediu que Deus iluminasse a cabeça do delegado para fazer a melhor segurança possível naquele bairro; pediu ao prefeito que se lembrasse daqueles que passam a vida inteira fazendo o bem sem interesse pessoal algum.

Enfim, a mulher passou mais de duas horas fazendo indiretas ao prefeito da cidade que tinha dado a ordem para a igreja sair do lugar.

E para ilustrar mais ainda tanto sofrimento, a mulher colocou no aparelho de som um áudio parecido com “A Paixão de Cristo.”

A cada martelada dada nas paredes para desmontar a igreja, ouvia-se também o chicote estalando no costa de Jesus Cristo. A mulher deixou o som no volume máximo e repetiu aquele áudio umas dez vezes, o dia inteiro. A trilha sonora de Jesus sendo humilhado e vilipendiado.

Todos os moradores da Invasão ficaram consternados com o sofrimento dos membros da Igreja. E falavam:

- Mais credo porque eles não deixam a igreja ficar aí, tem tanta terra ainda para ser distribuída.

Alguém mais comedido falava:

 - O prefeito não pode abrir exceções senão todas as outras vão querer também um terreno.

No fim da tarde os fiéis retiram a última tábua. E chamaram todos os moradores para fazer uma corrente humana envolta do prédio destruído. E lá rezaram em silêncio. Todos estavam muito tristes.

No meio do povo existia um informante da prefeitura. Assim que a oração terminou ele ligou para o prefeito. E disse:

 - Prefeito os homens retiraram a igreja.

O prefeito respondeu do outro lado: - Muito bem! Então está resolvido o problema.

O informante se apressa em dizer que não.

- Muito pelo contrário prefeito, o povo ficou do lado da igreja. Eu temo que isso possa arranhar sua imagem. E sabe como é que é - Com Deus não se brinca!

O prefeito concorda e ordena.

Volte lá e diga que eles podem ficar. Depois eu me viro para explicar o porquê dessa decisão.

O mensageiro voltou ate lá e deu a boa nova.

Imaginem a choradeira que foi. E aquela mulher do microfone não parava de falar que aquilo era um milagre de Deus. E todos da comunidade também acharam o mesmo.

A mulher da igreja repetia em alto e bom tom: Para Deus nada é impossível!

- O dono do mundo não poderia negar a seus fiéis um pedacinho de terra.

* Geone Angioli é professor de Língua Portuguesa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas - CAMPUS/PARINTINS


Publicado por: GEONE ANGIOLI FERREIRA

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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