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As Quadrilhas Juninas como elemento cultural do Brasil

História

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índice

  1. 1. A Família Real Portuguesa Trouxe Ao Brasil Essas Danças Que Eram Populares Na Sociedade Aristocrática Europeia Por Volta Da Década De 1820, Onde Inicialmente Foi Espalhada No Rio De Janeiro. Alguns Estudiosos De Cultura Popular Afirmam Que Tais Danças Chegaram Aqui Com O Nome “pas De Dance”, Que Eram Contradanças De Salão Da Corte Francesa. As Roupas Utilizadas Para A Prática Da Dança Eram Muito Elegantes, Típicas Da Nobreza; Belos Vestidos Estruturados Com Anáguas Para As Mulheres E Roupas De Gala Para Os Homens.
  2. 2. A Pesquisadora Carmem Lélis Acredita Que A Quadrilha Não é Apenas Uma Dança Junina E Símbolo Folclórico, Mas Também Um Movimento Social, Que Envolve Principalmente Os Jovens. As Roupas Remendadas, Pessoas Desdentadas E Com Sardas São Algumas Características Típicas Do Visual Criado Pelos Participantes Utilizados Nas Danças, No Chamado “estilo Matuto”.  Isso é Uma Visão Estereotipada Do Homem Urbano Em Relação Ao Meio Rural, Em Decorrência Da Vinda Das Tradicionais Quadrilhas Do Interior Para Os Grandes Centros Urbanos, A Qual Acorreu No Século Xx. Atualmente Vemos Essa Expressão Cultural Envolvendo Os Mais Diversos Tipos De Pessoas Em Uma Comunidade, De Costureiras E Profissionais De Artes Cênicas A Artesãos E Músicos.
  3. 3. As Coreografias
  4. 4. Hoje As Quadrilhas Mais Tradicionais Dividem Espaço Com As Quadrilhas Estilizadas Ou Recriadas. Houve Muitas Mudanças Nos últimos Anos, Desde Os Figurinos Mais Luxuosos às Coreografias, Cada Vez Mais Caprichados Especialmente Para Que Os Grupos Possam Destacar-se Entre Os Campeonatos E Festivais.  a Pesquisadora Carmem Lélis Defende A Transformação, Embora Alguns Estudiosos Critiquem Tais Mudanças, Alegando Que Isso Faz Com Que As Quadrilhas Percam A Essência Da Tradição. Lélis Afirma Que Esse é Um Processo Natural, Principalmente Porque Envolve Jovens. A Cultura Local De Cada Região Também Faz Com Que As Roupas E Características Variem Entre As Quadrilhas. No Nordeste, As Quadrilhas Arrastam Multidões Para Assistirem Aos Festivais E Campeonatos, Além De Serem Transmitidos Em Canais De Televisão, Muitas Vezes Estes São Os Que Organizam Os Campeonatos E Disponibilizam Prêmios Em Dinheiro Para As Melhores, Para Isso Há A Necessidade De Um Grande Preparo Antes Da época Junina. A Seleção Ocorre No âmbito Estadual, Passando Para O Regional, Onde As Melhores Se Destacam Podendo Ganhar Os Títulos, Além De Prêmios. Há Também A Tradição Em Muitas Escolas De Que As Crianças E Jovens Que Assim O Queiram, Dancem Quadrilha Nas Comemorações Das Festas Juninas.

Para muitos de nós brasileiros, as quadrilhas remetem as festas juninas juntamente com as comidas de milho, roupas caipiras, fogueiras e muita diversão. As práticas das quadrilhas em muitos casos não se limitam aos festejos juninos com intenção de apenas distrair e divertir; em muitos Estados, principalmente no Nordeste, essas danças começam a ser praticadas nas Festas de São João das escolas e muitas pessoas levam a tradição até se tornarem adultas. Alguns dançam por lazer e entretenimento, nos arraiais das capitais e interiores, outros levam a sério e participam de competições e grandes festivais.  As quadrilhas são uma manifestação folclórica aparentemente muito brasileira, pois adaptamos um pouco ao nosso jeito, porém não nasceu aqui, suas origens são europeias.

A origem da quadrilha na Europa

De acordo com a historiadora e pesquisadora da Fundação de Cultura da Cidade do Recife (PE), Carmem Lélis, é difícil determinar a origem exata da quadrilha. Os primeiros indícios mencionam que a dança vem da Normandia (região Norte da França) e da Inglaterra, praticadas como danças agrícolas da Europa antes do Cristianismo, celebrando a chegada da colheita entre os camponeses. Nos séculos XVIII e XIX, a dança se espalhou pela aristocracia de vários países europeus. O nome vem do francês, “quadrille”, o qual tem origem no termo italiano “squadro”.

Chegada da quadrilha ao Brasil

1. A família real portuguesa trouxe ao Brasil essas danças que eram populares na sociedade aristocrática europeia por volta da década de 1820, onde inicialmente foi espalhada no Rio de Janeiro. Alguns estudiosos de cultura popular afirmam que tais danças chegaram aqui com o nome “pas de dance”, que eram contradanças de salão da corte francesa. As roupas utilizadas para a prática da dança eram muito elegantes, típicas da nobreza; belos vestidos estruturados com anáguas para as mulheres e roupas de gala para os homens.

Prática nas classes populares

A quadrilha começou a ser praticada pelas classes populares no início da República, por volta de 1889, principalmente nas áreas rurais, o que explica seu estilo caipira praticado até hoje na maioria das regiões, pois quando esta foi introduzida em clubes e ruas, passou a assimilar características regionais. Os fazendeiros contratavam os grupos de dança para se apresentarem nos casamentos de seus filhos, assim a quadrilha torna-se parte dos casamentos rurais e traz consigo a tradição da encenação do casamento matuto. “En arrière” (atrás) era um dos nomes das coreografias que eram ditas em francês e foi aportuguesado para “anarriê”, como tantos outros termos que ouvimos durantes as apresentações das danças. A quadrilha tornou-se tão popular que vários instrumentos como triângulo, zabumba e sanfona foram incorporados à dança.

Prática nos centros urbanos

2. A pesquisadora Carmem Lélis acredita que a quadrilha não é apenas uma dança junina e símbolo folclórico, mas também um movimento social, que envolve principalmente os jovens. As roupas remendadas, pessoas desdentadas e com sardas são algumas características típicas do visual criado pelos participantes utilizados nas danças, no chamado “estilo matuto”.  Isso é uma visão estereotipada do homem urbano em relação ao meio rural, em decorrência da vinda das tradicionais quadrilhas do interior para os grandes centros urbanos, a qual acorreu no século XX. Atualmente vemos essa expressão cultural envolvendo os mais diversos tipos de pessoas em uma comunidade, de costureiras e profissionais de artes cênicas a artesãos e músicos.

3. As coreografias

As coreografias são as partes mais divertidas e interessantes das quadrilhas, os irreverentes passos às vezes anunciados pelo marcador, geram euforia entre o público. Nas quadrilhas de estilo matuto, os participantes usam roupas típicas rurais, em outras de estilo diferente, elegantes vestidos e roupas de gala como as usadas antigamente pela nobreza, modernizadas com brilho e adornos que compõem uma vestimenta a caráter dos festivais. Os homens e mulheres formam filas em pares alternados. Eles seguem passos básicos como “anavantu”, “anarriê”, “balancê” e muito mais. Também há os “olha a chuva” e “a ponte quebrou”. Uma grande emoção para os espectadores e para os participantes, além de um vínculo com o humor mostrado em suas encenações, incluindo o casamento matuto, onde a dança representa o baile em comemoração à união. Os participantes também possuem falas específicas na encenação algumas vezes, movidas com o intuito de fazer os espectadores rirem. Tudo acontece ao som dos mais variados instrumentos, entre eles: sanfona, triângulo, zabumba, violão, etc.

As transformações e a prática como memória social

4. Hoje as quadrilhas mais tradicionais dividem espaço com as quadrilhas estilizadas ou recriadas. Houve muitas mudanças nos últimos anos, desde os figurinos mais luxuosos às coreografias, cada vez mais caprichados especialmente para que os grupos possam destacar-se entre os campeonatos e festivais.  A pesquisadora Carmem Lélis defende a transformação, embora alguns estudiosos critiquem tais mudanças, alegando que isso faz com que as quadrilhas percam a essência da tradição. Lélis afirma que esse é um processo natural, principalmente porque envolve jovens. A cultura local de cada região também faz com que as roupas e características variem entre as quadrilhas. No Nordeste, as quadrilhas arrastam multidões para assistirem aos festivais e campeonatos, além de serem transmitidos em canais de televisão, muitas vezes estes são os que organizam os campeonatos e disponibilizam prêmios em dinheiro para as melhores, para isso há a necessidade de um grande preparo antes da época junina. A seleção ocorre no âmbito estadual, passando para o regional, onde as melhores se destacam podendo ganhar os títulos, além de prêmios. Há também a tradição em muitas escolas de que as crianças e jovens que assim o queiram, dancem quadrilha nas comemorações das Festas Juninas.

A prática é uma grande diversão e uma forma de manter as nossas heranças culturais europeias vivas, sejam onde forem praticadas as quadrilhas no nosso querido Brasil, sejam quais forem as variações e adaptações regionais sofridas em cada lugar, o hábito de dançar quadrilha é uma forma de memória social e coletiva; uma forma de reviver o passado, trazendo à tona as nossas origens e valorizando as práticas dos nossos antepassados, reafirmando nossos valores.  A memória como um fenômeno coletivo e social nos permite manter as raízes, nos desperta o gosto pelos vínculos com o passado, mantendo a necessidade de reverenciar e mostrar a história de um povo e suas tradições, e ainda que não tenhamos dimensão de tal importância, a história culturalmente sempre será exaltada, mesmo que reinventada. Viva a cultura brasileira!


Publicado por: Ana Claudia Bernardo

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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