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A geografia da sociedade globalizada e o apocalipse ambiental

Geografia

Fenômeno da globalização, como iniciou o processo, questão ambiental, sociedade global...

Estamos vivenciando o fenômeno da globalização, processo que teve início no século XV, com as grandes navegações, e que se intensificou nas últimas três décadas do século XX, propiciando a “mundialização” do espaço geográfico, fenômeno que ultrapassa os limites do nacional para atingir a universalização de idéias, valores, padrões e procedimentos, alcançando a esfera econômica, como também o quadro social, político, científico, informacional, cultural e ecológico.

Parafraseando o geógrafo brasileiro Milton Santos (1994), atualmente vivemos o chamado “período técnico-científico-informacional”, caracterizado pelo grande avanço científico e tecnológico, marcado pelo domínio da tecnologia, da robótica e da biotecnologia.

Diante disso, o planeta está cada vez mais conectado, gerando a idéia de que o mundo está cada vez menor. As telecomunicações e a informática possibilitam imagens vistas em todas as partes do planeta, diminuindo o tempo e a distância da comunicação. Testemunhos vivos deste período incorporados ao cotidiano humano, são, a saber: informática, computador, internet (sistemas http// e www), softwares, caixa 24 horas, telefone celular, chips, fibra ótica, código de barras, GPS, robôs, cartões magnéticos, DVD, MP3, satélites, viagens interplanetárias, animais clonados, transgênicos, cibercultura, etc.

Apocalipse já: a questão ambiental na era globalizada

Outro ponto que merece ser discutido no âmbito da sociedade global é a questão ambiental, assunto tão discutido teoricamente e pouco colocado em prática. A exploração abusiva dos recursos naturais coloca a humanidade diante de um apocalipse real, a catástrofe causada pelo aquecimento global, que se esperava para daqui a trinta ou quarenta anos já começou: aumento na temperatura, degelo nas zonas glaciares, aumento do nível do mar, desertificação, seca na Amazônia, furacões, ciclones atípicos no Brasil, são algumas mudanças provocadas pelo desmatamento, pela emissão de gases como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, queimadas, poluição e contaminação bombardeiam o frágil equilíbrio das quatro esferas geográficas: atmosfera, litosfera, hidrosfera e biosfera acelerando a destruição da nave Terra.

Se as conferências e encontros mundiais sobre o meio ambiente, como a Rio 92, a Rio +5 (1997), a Rio +10 (2002) e, recentemente a Conferência das Partes – COP 8, deixaram claro que a natureza é finita, limitada e que funciona dentro de um sistema interdependente e que precisa de cuidados para manter seu equilíbrio natural. Fica aqui a pergunta: o quê de fato os governos, empresas e a sociedade civil estão fazendo para reverter a velocidade de suas práticas econômicas antiecológicas?

A princípio, temos uma resposta para a indagação acima: as informações e a preocupação com a saúde da natureza são colocadas em “xeque ou em cheque”, no Brasil, já existe uma nova indústria parecida com a da seca: é a “indústria do meio ambiente”, recursos destinados à proteção das florestas, dos rios e dos animais são desviados pelo Poder Público, pelas ONG’s e pelos organismos privados (Mariano Neto, 2003).

O cenário ambiental atual é adverso, mas não justifica a inércia. Sabemos que para combater o aquecimento global, principal agente do desequilíbrio ambiental da Terra, é preciso utilizar cada vez mais fontes alternativas de energia e diminuir a emissão de gases que provocam o efeito estufa.

Sabemos que os seres humanos se adaptaram aos novos ambientes terrestres – essa é a chave do sucesso evolutivo da espécie humana. Mas um mundo mais quente pode ser cheio de surpresas, a maioria delas desagradável e catastrófico.

Quem ganha e quem perde na sociedade global

No produto da economia global, a concretização do neoliberalismo, expressão econômica do mercado global, caracterizada pelas grandes incorporações internacionais interessadas na eliminação das fronteiras nacionais ou, mais precisamente, na remoção de qualquer entrave à livre circulação de seus capitais, tudo em nome de uma política de encolhimento e enfraquecimento do Estado.

A mundialização da produção, da circulação e circuitos financeiros imediatos são manobrados pelo capital especulativo, que circula a uma velocidade luminar, com parada de metrô em cada uma das bolsas de valores mundiais. Incontroláveis, transitórios e deixando marcas irreversíveis no mundo do capital produtivo (Mariano Neto, 2003, p.53).

Nas palavras de Milton Santos (1996, p.32) “todos os lugares são mundiais, mas não há um espaço mundial. Quem se globaliza, mesmo, são as pessoas e os lugares”.

Diante deste fenômeno complexo e contraditório, os valores difundidos pela globalização no mundo atual que levam a desigualdade, a dependência e a exclusão de parte da população e dos países menos favorecidos, devem ser analisados dentro de uma ótica crítica diante de tais fatos concretos.

Em resumo, não devemos ver a globalização como um produto sem erros de fabricação. Aí estão visíveis as lacunas que separam os ricos dos pobres e as nações desenvolvidas das subdesenvolvidas que estão aí a solicitar empréstimos e ajuda humanitária. Um outro defeito do espaço global é o desemprego estrutural que é crescente mesmo com o desempenho favorável de algumas economias. Postos de trabalho são eliminados pelas máquinas e muitos indivíduos são jogados ao terror da falta de emprego e de políticas que poderiam criar alternativas de trabalho para os cidadãos.

Dentro do processo de globalização o desemprego não é privilégio apenas das nações pobres, pois se alastra em todos os países do globo e desafia a todos os defensores do mundo globalizado que não tem a fórmula correta para combater tal anomalia.

Referências bibliográficas

BRIGAGÃO, Clóvis; RODRIGUES, Gilberto. Globalização a olho nu. O mundo conectado. São Paulo: Moderna, 1999.

CARMO, Paulo Sérgio do. O trabalho na economia global. São Paulo: Moderna, 1998.

LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2000.

MARANO NETO, Belarmino. Geografia: textos, contextos e pretextos para o planejamento ambiental. 1 ed. Guarabira: Gráfica São Paulo, 2003.

Revista Veja. Aquecimento Global. Os sinais do apocalipse. ed. 1961, ano 39, nº 24, 21 de junho de 2006.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2 ed. São Paulo: Hucitec, 1996.

SOUZA, Francisco Djacyr Silva de. Dilemas e incertezas da Globalização. In: Revista Mundo jovem. Disponível em: . Acesso em 10 ago. 2006.

Profº Esp. Márcio Balbino Cavalcante
geógrafo, especialista em Ciências Ambientais;
professor e coordenador de projetos educacionais da
Secretaria Municipal de Educação, Passa e Fica, RN.
Endereço eletrônico: cavalcantegeo@bol.com.br


Publicado por: MÁRCIO BALBINO CAVALCANTE

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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