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Evasão escolar: Um problema de todos

Por: Flavia Troca Dantas

RESUMO

Este artigo tem por objetivo avaliar questões fundamentais sobre evasão escolar e suas causas e soluções, envolvendo a visão e idéias de toda a comunidade escolar de acordo com as  novas demandas que a escola confronta, no contexto de uma sociedade que se democratiza e se transforma. Pretende ainda, refletir sobre as principais causas que levam a evasão escolar na escola da rede pública e o papel de toda a comunidade nas decisões relacionadas a esse tema, trazendo os diversos instrumentos que favorecem essa participação. pois a função social da escola é melhorar através das parcerias os resultados do ensino, consolidando o compromisso com a comunidade deixando-a participar, tomar suas decisões, lutar pelo seu ideal o que com certeza propiciará na escola a gestão democrática, onde sua construção não pode ser individual, pelo contrário precisa ser coletiva. As causas da evasão escolar necessitam de um estudo mais aprofundado, para uma melhor compreensão desse problema social.

PALAVRAS CHAVES: Evasão escolar, Comunidade escolar e integração.

INTRODUÇÃO

Um dos piores problemas atuais em relação a educação é a evasão escolar,principalmente nas classes mais pobres. Mesmo com várias leis e projetos o país ainda atinge um grande número crianças e adolescentes no que se diz respeito ao aluno evadido. A evasão escolar acontece quando o aluno deixa a escola por qualquer motivo e não mais retorna. Os dados sobre a evasão são muito difíceis de conseguir, pois existe uma dificuldade muito grande para acompanhar o destino de cada aluno. Na escola pública brasileira não há preocupação com os conteúdos e com a produção do saber, nem com a formação de cidadãos autônomos que se localizem no espaço e no tempo, e sim com a formação técnica para o mercado de trabalho. Esse  artigo sobre evasão escolar está dentre os temas que historicamente faz parte dos debates da educação pública brasileira e que infelizmente, ainda ocupa até os dias atuais uma grande importância no cenário das políticas públicas e da educação em particular. Em relação a isto as discussões sobre a evasão escolar, em parte, têm tomado como ponto central de debate o papel tanto da família quanto da escola em relação à vida escolar da criança. O que se têm observado é que a educação no Brasil no ensino fundamental não esta ao alcance de todos os cidadãos, assim como no que se refere à conclusão de todos os níveis de escolaridade.

Mostrar as características relacionadas à percepção dos alunos sobre a escola e a da evasão escolar, permitirá um olhar investigativo na perspectiva de encontrar através dos alunos, possíveis influências do problema em questão. A evasão escolar e a falta de salas de aula (devido ao aumento da população e das ocupações irregulares) tem sido um dos grandes problemas enfrentados por esta população. Várias crianças e adolescentes abandonam a escola para trabalhar e contribuir na renda familiar. A população, por outro lado, busca se organizar para cobrar do poder público o cumprimento da legislação relativa aos direitos da criança e do adolescente como o ensino fundamental gratuito e obrigatório. A Evasão Escolar no ensino fundamental ainda é um foco de grande amplitude dentro das inúmeras dificuldades que a estrutura pedagógica tem que enfrentar. As causas da evasão escolar são variadas, podendo ser elencadas algumas formas possíveis, tais como as relacionadas a condições econômicas, culturais, geográficas ou mesmo referentes encaminhamentos didáticos e pedagógicos adotados, e a baixa qualidade do ensino de algumas unidades de ensino.

COMUNIDADE ESCOLAR

O desenvolvimento integral das crianças e jovem não é responsabilidade apenas da escola e da família. Quanto maior o envolvimento da comunidade, maiores são as possibilidades da educação integral se tornar uma realidade e alcançar seus objetivos. Para tanto, é preciso que todo o entorno da escola se torne efetivamente um território educador, permitindo que os alunos aprendam a toda hora, em diferentes lugares e com as mais variadas pessoas, cada qual contribuindo com uma parcela da sua formação. Quando a comunidade compreende seu território como uma grande sala de aula, na qual a educação acontece a toda hora e em todo lugar, entende que a educação integral não acontece apenas nas instalações e com os profissionais que trabalham na escola, mas como uma prática pedagógica que reconhece,  integra e colabora com a realização de diagnósticos  participativos e mapeamento de recursos educativos locais, para apoiar a escola a conhecer melhor o território e utilizar seus ativos no processo de educação integral, participando da construção do PPP, atuando como protagonista de diversos processos educativos, compartilhando seus saberes, apoiando sua equipe escolar.

A escola por sua vez também deve promover a participação da comunidade comunicando-se constantemente com a mesma, convidando-a a participar de diversas atividades no âmbito escolar, além de desenvolver novas metodologias e práticas pedagógicas que valorizem os conteúdos e saberes local, envolvendo pessoas e espaços variados, estimulando o sentimento de corresponsabilidade em relação ao desenvolvimento integral das crianças e jovens. Atuando com transparência, compartilhando seus planos e dificuldades. Entendendo que o  desenvolvimento integral dos alunos envolve as dimensões política e social, cujas competências se constroem na interação com a comunidade, inclusive com o envolvimento dos estudantes na busca de soluções para os problemas do seu território

Integração escola x comunidade através de uma gestão democrática

As escolas brasileiras, principalmente as públicas, têm se esforçado para desenvolver ações que lhes garantam seu objetivo primordial de transmissão do saber historicamente acumulado, com o intuito de formar cidadãos críticos, capazes de transformar o meio no qual vivem, buscando a conquista de uma melhor qualidade de vida para si e suas comunidades, bem como a consolidação de uma sociedade mais humana e fraterna, efetivamente justa e democrática. Entretanto, apesar de todos os esforços, tais ações algumas vezes se mostram ineficientes, conforme atestam os índices de fracasso escolar, que atinge parte considerável dos que ingressam no sistema educacional público.

Um processo de gestão que construa coletivamente um projeto pedagógico de trabalho tem já em sua raiz, a potência da transformação. Por isso é necessário que todos atuem na escola com maior competência, para que o ensino realmente se faça  e que a aprendizagem se realize, para que as convicções se construam no diálogo e no respeito e as práticas se efetivem, coletivamente, no companheirismo e na solidariedade. Entretanto se a gestão for entendida como processo político-administrativo pode significar um desafio de compreender tal processo na área educacional a partir dos conceitos de sistemas administrativos. Segundo Libâneo (2001) para que uma escola adote um principio democrático deve agir com participação e autonomia. Para isso os objetivos da escola devem estar bem definidos e não apenas estar restrito ao processo de conhecimento e aprendizagem ela precisa ter a capacidade de proporcionar autonomia e determinação no processo de formação dos cidadãos, pois este é o fundamento para que haja a concepção democrática participativa na gestão escolar.

Libâneo cita que os instrumentos necessários para garantir a gestão democrática são: o projeto político pedagógico da escola (PPP) e o conselho escolar e que pais, mestres e estudantes devem estar envolvidos nesse processo para que haja qualidade na educação. Segundo ele as ações pedagógicas estão relacionadas as políticas de educação e a escola é o ponto de convergência entre diretrizes e o trabalho pedagógico (LIBÂNEO, 2003).

Paro (2001) também confirma a importância do PPP e do Conselho Escolar pelo fato de abrirem espaços para definir ações voltadas à educação que será utilizada na escola, pois esse processo envolve uma gestão democrática onde a elaboração, execução, acompanhamento e avaliação e solicitará a participação de toda a comunidade escolar com isso as relações sociais ficarão fortalecidas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os principais problemas encontrados que levam a evasão escolar são: a baixa renda familiar, a falta de motivação dos pais e dos próprios estudantes e a desmotivação da família, onde muitos pais são cúmplices da desistência dos filhos, não dando nenhuma força para que continuem estudando, alegando que se seus filhos não trabalharem com eles, não vão conseguir o sustento da família. Os procedimentos que as escolas estão adotando para diminuir a evasão escolar são: Diálogo com os alunos, conscientizando-o da importância de estudar; Reuniões com os pais, para esclarecer da importância e a obrigatoriedade do ensino, já que muitos pais principalmente da zona rural, consideram importante somente a alfabetização (1ª à 4ª série); Envolver o Conselho Tutelar, para conversar com estas famílias, sobre o motivo da ausência do aluno, para assim tomar as providências necessárias.

Para que a evasão escolar não ocorra em nossas escolas, o professor deve conscientizar-se que é impossível aprender sem motivação, ela deve existir em qualquer circunstância. E o professor pode fazer isso tornando as aulas mais participativas, com assuntos da realidade dos alunos, utilizando métodos, técnicas e recursos diferenciados.

O rendimento escolar produz um efeito decisivo na imagem que o aluno tem de si mesmo e no seu grau de auto-estima, porque enquanto o bom estudante fica satisfeito consigo mesmo, tem aquele que não, e sente-se frustrado e humilhado. É preciso que as escolas se atualizem, e que nossos professores estejam realmente preocupados com o ensino e que valorizem os conhecimentos de cada educando, voltando estes conhecimentos à realidade social em que cada educando está inserido. É necessário também que os nossos governantes tenham a educação como um fator primordial, para assim ocorrer o desenvolvimento e crescimento do nosso país.

Comprovadamente a família é uma instituição que influencia diretamente no desenvolvimento e no desempenho escolar do educando, pois se a família é desestruturada a criança se desestruturará, com isso apresentará fracasso escolar e conseqüentemente se excluirá da sociedade. Só não devemos esquecer que eles não apresentam habilidades e competências, porque as escolas e o ambiente na qual estão inseridos não lhes permitiram que os tivesse. O fracasso escolar destes alunos quando iniciaram na escola, muitas vezes foram devido a uma péssima avaliação, onde continham apenas instrumentos que os medissem por notas e conceitos e não por seu desenvolvimento e superação.

A gestão democrática na escola possui o desafio de construir mecanismos de participação, entre os que dirigem a escola e os que participam de alguma forma de sua dinâmica cotidiana. Nesse entendimento, é preciso considerar a necessidade da direção escolar em assumir uma concepção política de administração, fundamentada na emancipação humana, portanto, desvinculada das amarras da irracionalidade imposta pela administração da empresa capitalista que durante muitos anos influenciou a gestão da escola pública.

A construção da escola democrática passa por longo período de conscientização que deve ser refletido entre gestor, equipe pedagógica, professores, funcionários, alunos, pais de alunos e comunidade em geral, com objetivo de um papel mais participativo desses sujeitos a se comprometerem com o processo de mudança. É primordial que aconteça um esclarecimento, junto aos pais e comunidade, a respeito do que é e como se realiza uma gestão democrática, através do Projeto Político Pedagógico da escola.

REFERÊNCIAS

A nova LDB: ranços e avanços.12.ed. São Paulo: Papirus,2001

ECA. Estatuto da criança e adolescente.lei 8.069/90. São Paulo, 1998.

FERREIRA, N.S.C., AGUIAR, M.A.S. (Orgs.). Gestão da Educação: impasses, perspectivas e compromissos. São Paulo: Cortez, 2001. LENAD. Levantamento Nacional de Álcool e entorpecentes, 2012.

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Editora Alternativa, 2001.

LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública - a pedagogia crítico-social dos conteúdos. 20 ed. São Paulo: Loyola, 2005.

LÜCK et al, Heloisa. A escola participativa o trabalho do gestor escolar. Rio de Janeiro: DP & A, 1998.

PARO, Vitor Henrique. Administração escolar: introdução crítica. São Paulo: Cortez, 2001.

PARO, Vitor Henrique. Gestão Democrática da Escola Pública. São Paulo: Ed. Ática, 1993.

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