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Porque é difícil poupar

Economia e Finanças

Porque é difícil poupar, tornar um indivíduo em situação equilibrada (receita igual a despesa) ou deficitária (receita menor que a despesa), num agente superavitário, onde suas fontes de rendimento superam as sua obrigações, o brasileiro não sabe poupar,

É certo que em algum dia na vida você tenha se deparado com uma pessoa que salientou não conseguir poupar porque o rendimento que aufere é insuficiente e mal dar para suprir as necessidades básicas. No entanto, se formos analisar meticulosamente acabaremos por descobrir que há uma luz no fim do túnel, capaz de tornar um indivíduo em situação equilibrada (receita igual a despesa) ou deficitária (receita menor que a despesa), num agente superavitário, onde suas fontes de rendimento superam as sua obrigações.

Considerando uma família composta por um homem, uma mulher e uma criança, com rendimento mensal de R$ 760,00 – equivalente a dois salários mínimos – geralmente pensa-se em liquidar as dívidas de curtíssimo prazo e como conseqüência o que sobrar, para a diversão e, sobretudo a famosa cerveja e eventualmente o churrasco de fim de semana, algo extremamente costumeiro e natural se verificarmos que nos primórdios o ser humano caçava com o intuito de consumir tudo imediatamente, uma vez que não dispunha de equipamentos de armazenagem. O tempo passou, a sociedade evoluiu, mas os fatores antropológico-culturais perduram até os dias atuais, e o brasileiro definitivamente não sabe poupar.

Para poupar não basta prometer a si próprio que “aquilo que sobrar” será destinado a um fundo de renda fixa. Mais que isso, é fundamental programar-se previamente e deduzir da renda o valor a ser poupado e crer que essa quantia é uma “obrigação”. Voltando ao exemplo da família, se esta conseguir poupar 10% da renda mensal durante doze meses aplicando sempre numa caderneta de poupança – que hoje tem rendimento em torno de 0,65% a.m. (0,50% + TR) – terá no final do período não apenas os R$ 912,00 que abdicou de consumir no presente mas também um rendimento de R$ 33,32, totalizando assim R$ 945,32. Perceba que poupando apenas R$ 2,53 por dia foi possível chegar a R$ 945,32 no espaço de um ano.

Portanto, considerando que essa família tenha começado a sacrificar o consumo presente em janeiro, em dezembro teria não apenas o 13º, mas também o 14º salário. Junto a isso a família ganharia poder de barganha na compra, por exemplo, de um novo televisor. Ao invés de pagar R$ 400,00 correspondente ao preço de etiqueta, ou R$ 600,00 correspondente ao montante de um financiamento que geralmente dividiria em 15 parcelas de R$ 40,00, teria um dispêndio de R$ 372,00 levando em consideração um desconto médio de 7% sobre o preço de etiqueta do bem em questão. No entanto, não é tão simples assim, as pessoas tendem a não enxergar o médio e longo prazos e dificilmente saciam suas vontades se limitando a expectativas de realizações futuras.

Aliado a isso o crédito fácil e rápido em ascensão no Brasil principalmente a partir de 2001 atingindo a quase todas as classes sociais, bem como a expansão do comércio de eletrodomésticos e eletroeletrônicos e uma mídia maciça, são fatores que seduzem as pessoas ao consumo imediato e pouco econômico, uma vez que se você depende de capital de terceiros, isto é, financiamentos, evidentemente que o poder de negociação diminui e com ele a perspectiva de um preço menor pela mercadoria almejada.

Portanto, você que insiste em dizer que não consegue poupar, mexa-se, corte gastos desnecessários, gaste o máximo que puder – não os recursos financeiros, mas os bens que possui, use-os até ficar de fato obsoleto e inutilizável – fuja do modismo, abdique por um tempo do lazer exagerado, planeje-se e utilize o crédito em casos onde o juro praticado compense o desconto ou a promoção que terá na compra do bem. Por fim lembre-se, toda poupança requer sacrifício presente e com você não será diferente.

SOUZA, Leonardo Luiz Silva de


Publicado por: LEONARDO LUIZ SILVA DE SOUZA

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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