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Uaicurapá (breve estudo)

Curiosidades

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Este relato é apenas um recorte de vários autores para se chegar a uma definição do nome Uaicurapá, lugar onde lecionei por três anos. A língua Sateré-Mawé integra o tronco lingüístico Tupi. Segundo o etnógrafo Curt Nimuendaju (1948), ela difere do Guarani-Tupinambá. Os pronomes concordam perfeitamente com a língua Curuaya-Munduruku, e a gramática, ao que tudo indica, é tupi. O vocabulário mawé contém elementos completamente estranhos ao Tupi, mas não pode ser relacionada a nenhuma outra família lingüística. Desde o século XVIII, seu repertório incorporou numerosas palavras da língua geral. Para se contar a história de um lugar é necessário conhecer a origem do nome, de onde veio e o porquê de assim o ser. Segundo relatos dos velhos Sateré-Mawé, seus ancestrais habitavam em tempos imemoriais o vasto território entre os rios Madeira e Tapajós, delimitado ao norte pelas ilhas Tupinambaranas, no rio Amazonas e, ao sul, pelas cabeceiras do Tapajós.

Os Sateré-Mawé se referem ao seu lugar de origem como sendo o Noçoquém, lugar da morada de seus heróis míticos. Eles localizam-no na margem esquerda do Tapajós, numa região de floresta densa e pedregosa, "lá onde as pedras falam".

O rio Uaicurapá de águas escuras nos remete a seguinte pergunta – o que significa Uaicurapá? Depois de muitos relatos orais com antigos moradores e ex-professores que tiveram contato com os indígenas da região de Vila Batista chegou-se a definição de Farinha na Cuia. O indígena Derly Batista também confirmou que Uaicurapá significa farinha na cuia, mas acrescentou que se trata também de um agradecimento, pois segundo seu velho pai e avó contavam que essa região do Uaicurapá antigamente era repleta de riquezas naturais, em suas terras brotava de tudo.

No que tange a pesquisa bibliográfica (veja definições abaixo) e fazendo uma análise comparativa da grafia e da pronúncia de determinados termos chegou-se a seguinte definição Uaicurapá = estrela distante. É uma interpretação plausível porque se trata de uma região distante das cidades, e segundo o modo indígena de contar e especificar situações cotidianas essa definição torna-se pertinente.

Dialeto maué (*)

[por Henri Coudreau (1895)]

nariz                                       - uaianguá

orelha                                     - uihapê

estrela                                    - uaiquira,

uaiquira u-ató

galo, galinha                        - uaipacá

(*) Este dialeto foi-me ditado pelo maué Lourenço (Manuel Lourenço da Silva), residente em Montanha (Tapajós). Este Lourenço é piloto para as cachoeiras vizinhas e, segundo consta, filho ou neto de verdadeiros tuxauas.

Fonte: COUDREAU, Henri. Viagem ao Tapajós. São Paulo/Belo Horizonte: Ed. da USP/Itatiaia, 1977. p. 147-50.

Vocabulário comparativo da língua maué segundo Nunes Pereira e Curt Nimuendaju

Os vocábulos constantes da primeira coluna – sob o título geral MAUÉ – foram coletados por Nunes Pereira; e os da segunda coluna por Curt Nimuendaju.

Orelha                  uiarapá   

Narinas

uyencorapê           uyankwadopi

Estrela                   uaikirú               waikirú

Galinha                 uaipecá               waipaká

Galinheiro            uiapacá-iát

Luar                      uatehót                uaikirú

Fonte: PEREIRA, Nunes. Os índios maués. Rio de Janeiro: Organização Simões, 1954. p. 127-

Vocabulário maué coligido por Teófilo Tiuba no Posto Indígena do rio Andirá estado do Amazonas U-aipacó                galinha

                           longe

*Geone Angioli é Especialista em Literatura Brasileira e Professor de Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM/PARINTINS


Publicado por: GEONE ANGIOLI FERREIRA

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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