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O Teatro Reflexivo versus O Teatro Comercial

Artes

Conheça a arte teatral como um meio de formar pessoas, de fazer pensar sobre si e sobre os outros.

A ideia de Teatro mais forte difundida atualmente, e mais conhecida pela maior parte da população, do público de massa, é o que chamamos de Teatro Comercial, que é um teatro voltado exclusivamente para o entretenimento, para fazer rir ou chorar, mas de forma superficial e que não traz em seus ideais, em seus objetivos, aquilo que era importante para o gregos, o bem-estar social.

As chamadas peças comerciais é que são as mais assistidas, as mais comentadas, e que possuem maior público por trazerem ao palco artistas de televisão, e não pelo que elas pretendem, ou não, mostrar como conteúdo em seu texto e dinâmica teatrais. 

O teatro que está posto hoje é influência direta do Teatro Norte-Americano, que quando nasceu de fato, ou seja, quando fora reconhecido como o chamado “teatro legítimo norte-americano”, foi criado para ser um teatro de entretenimento, mais um mecanismo para fazer a economia se movimentar.

Após a Grande Depressão, as peças nos EUA começaram a tomar papéis sérios, identificando-se com imigrantes e desempregados. Contudo seu objetivo final era entrenimento, e não fazer pensar sobre as temáticas em voga, e apesar de tratar temas sérios, a maneira de fazê-lo levava ao objetivo do consumo.

O Federal Theatre Project, um programa do plano New Deal de Franklin D. Roosevelt, ajudou a promover o teatro e fornecer empregos para atores, e após a Segunda Guerra Mundial, o teatro dos EUA estava fortalecido o suficiente, e vários dramaturgos do país, como Arthur Miller e Tennessee Williams tornaram-se renomados no mundo todo. E os tão famosos musicais da Brodway ganhavam cada vez mais público.

Nos anos 1960 a experimentação nas artes acabou se espalhando ao teatro também, com peças como Hair, incluindo nudez e referências à cultura das drogas. Os musicais permaneceram populares e alguns como West Side Story e A Chorus Line bateram recordes, e são justamente esses musicais, e o estilo Broadway de pensar teatro que são difundidos hoje, estando fortemente interligado com a literatura, filmes, televisão e música norte-americana e não é incomum uma mesma história ser recontada em todas estas formas.

Porém, não é somente este tipo de teatro que existe, e muitos grupos espalhados pelo mundo inteiro, muitas companhias, tentam a todo custo resgatar o verdadeiro sentido do teatro, a reflexão através da arte, através de suas montagens. Esse sentido do Teatro é tratado na Contemporaneidade por muitos encenadores e seus discípulos, como evidencia Cristina Tolentino em seus variados artigos publicados no Portal Cultural Caleidoscópio.

Antonin Artaud (1896 – 1948), poeta, ator, roteirista e diretor do teatro francês, por exemplo, acreditava que o sentido verdadeiro do teatro enquanto arte era não reproduzir o invisível, mas tornar visível esse invisível através do trabalho do ator, de modo a comunicar algo além de sua aparência, e fazer o público não sair do teatro como entrou, mas que lhe tenha sido acrescentado algo. 

Cristina Tolentino, em seu artigo sobre Artaud, onde ela explica as ideias desse encenador sobre o teatro, sobre as artes, sobre o trabalho do artista cênico, afirma que para ele o teatro deve ter a força de uma epidemia (traz à tona a essência do ser), de modo a perturbar o repouso dos sentidos, deve agir sobre a coletividade e transformá-la.

E em outro artigo da mesma autora, ela fala da ideia da “Arte como veículo”, do encenador e famoso diretor polaco, Jerzy Grotowski (1933 – 1999).

Para ele a arte era o veículo que levaria as pessoas se libertarem de suas máscaras que diariamente são construídas no convívio social; entende que no teatro, tanto atores, quanto os espectadores estão em primeiro plano, e que esse desnudamento acontece com ambos, de modo a enquanto seres humanos se libertarem do ser artificial que criam para a sociedade e reconhecerem através do ato criativo a si, de modo que aquilo que acontece dentro do teatro é um encontro, é sair ao encontro do outro, baixando as armas, abolindo os medos.

Ou seja, são difundidas ideias como os destes dois pensadores do Teatro que enxergam o teatro como além de um simples entretenimento, de uma ferramenta de diversão, eles entenderam a arte teatral como um meio de formar pessoas, de fazer pensar sobre si e sobre os outros.


Publicado por: Ildisnei Medeiros da Silva

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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