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Modernismo Brasileiro

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Pré – Modernismo: O nascimento de uma consciência crítica no universo da República Velha

É no final do século XX que ocorre a Primeira República ou República Velha (1889-1930). Segundo o modelo constitucional, uma República democrática, federalista, mas que, contraditoriamente, tornou-se um sistema voltado aos interesses político-econômicos de uma oligarquia rural. Este grupo era representado, sobretudo pelos fazendeiros de São Paulo e Minas Gerais, que, sem dúvida, atendiam aos interesses da classe dominante no país. A lavoura de café, em São Paulo, e a pecuária, em Minas Gerais, consolidaram a chamada política café-com-leite, que direcionou as decisões econômicas e políticas do país.

Nos demais Estados brasileiros, assistia-se a desigualdades econômicas e geográficas. E a produção se organizava de acordo com as características políticas e econômicas de cada um.

Nos anos da política café-com-leite, o país atinge índices de exploração de café e borracha nunca vistos antes; a exportação do café brasileiro representava lucros econômicos altos para Brasil.

Nessa nova conjuntura social, Brasil é invadido por uma leva muito grande de imigrantes: ingleses, franceses, italianos, espanhóis, portugueses. Eles passaram a trabalhar nas lavouras, após a abolição dos escravos, ou como operários nos centros urbanos. Explorada pelo sistema capitalista, a classe operária voltou-se contra a burguesia industrial e passou a reivindicar melhores salários e condições de trabalho levando assim, a eclosão das duas greves gerais de operários (São Paulo, 1917 – 1919).

No sertão baiano aconteceu a Guerra de Canudos, entre 1896 e 1897. Resistindo às opressões dos latifundiários nordestinos, grande parte da população, formada por um grupo de pessoas marginalizadas e que viviam em plena miséria, uniu-se ao líder espiritual Antônio Conselheiro. Pretendiam formar uma comunidade com leis próprias, com sistema econômico comunitário e no qual as diferenças sociais não existiriam. Para atender aos interesses dos produtores rurais e da igreja, o governo, após várias tentativas, conseguiu exterminar a comunidade de Canudos.

No Sul do país ocorreu a Guerra do Contestado. Paraná e Santa Catarina disputavam a posse de grandes extensões de terras do Contestado, ocupadas por camponeses e desempregados expulsos de outras regiões que não queriam perder sua propriedade. Liderados pelo beato José Maria, formaram um forte grupo de resistência contra os ataques das tropas do governo. E, como em Canudos, o resultado foi a morte de milhares de sertanejos famintos e miseráveis.

Como forma de manifestação contra a miséria, a hostilidade geográfica e a super exploração, surgiram no sertão nordestino grupos cangaceiros que tinham a intenção de promover a justiça por conta própria. Conhecidos e temidos, o nordeste viveu um período de profunda violência.

No Ceará, ocorreu à revolta do Juazeiro, liderada pelo padre Cícero, figura bastante respeitada no Sertão Nordestino. O presidente Hermes da Fonseca pretendia diminuir a influência do senador Pinheiro Machado junto às oligarquias do Norte e do Nordeste. O padre Cícero era forte aliado do coronel e deputado Floro Bartolomeu, amigo do senador. Os sertanejos do padre Cícero, através de uma revolta, conseguiram manter o poder da oligarquia vigente.

No Rio de Janeiro, durante o governo de Rodrigues Alves (1902-1906), o Dr. Osvaldo Cruz foi encarregado de promover o saneamento da então capital federal. Nesse momento surgem os cortiços do Rio de Janeiro habitados pelos ex-escravos livres, mas sem trabalho e pelos miseráveis. Com a intenção de combater a febre amarela, a varíola e a peste bubônica, que matavam milhares de pessoas, foi decretada a vacinação obrigatória. É importante ressaltar que os hábitos cotidianos da população ainda eram muito conservadores, sendo essa uma das causas da revolta; as mulheres a partir desse momento tiveram de mostrar suas partes íntimas para um médico. A população super - conservadora alegava “violação do corpo”.

A população, que já sofria as consequências do desemprego, da falta de moradia e da sua condição de miséria, posicionou-se contra a vacinação em massa, alegando “violação do lar”. A revolta da população foi apoiada por grupos anarquistas e socialistas e por alguns militares e políticos que, aproveitando o momento e pretendiam derrubar Rodrigues Alves.

O governo, percebendo a gravidade da situação, decretou estado de sítio e, contando com tropas de São Paulo e Minas Gerais, reprimiu a revolta e tornou a aplicação da vacina facultativa.

Ainda no governo de Hermes da Fonseca, em 1910, correu uma rebelião de marinheiros, conhecida como a Revolta da Chibata. Descontentes com a péssima alimentação e com os constantes castigos corporais a que eram submetidos até por pequenas faltas de disciplina, os marinheiros ameaçaram bombardear a cidade do Rio de Janeiro caso não acabasse com os maus-tratos. Lideradas pelo marinheiro negro João Cândido, conseguiram a decretação do fim dos castigos e a anistia aos rebeldes.

Os anos que marcaram a passagem do século XIX para o século XX refletem um momento histórico conflitante: de um lado, as oligarquias e, de outro, as desigualdades sociais e regionais.

Em meio a todas essas tendências com propostas distintas, o cenário nacional exige uma nova mudança de percepção da realidade. Um grupo de escritores, conscientes das discordâncias culturais entre o Brasil e os demais países, e principalmente entre os diversos Estados nacionais, se propõe a descobrir criticamente sua terra, sua gente. A essa nova tendência literária que se inicia no princípio do século XX e se estende até a Semana de Arte moderna de 1922 dá-se o nome de Pré-Modernismo.

O Pré - Modernismo não configura uma escola literária, mas um momento de transição entre a tradição literária do século XIX onde prevalecem traços mudanças e permanências proporcionando o advento do Modernismo.

São considerados pré-modernistas alguns escritores cujas obras destoam de nossa produção literária do início do século. Esta refletia uma mentalidade artística ainda ligada ao século XIX e na qual os ecos do Realismo-Naturalismo na prosa e do Parnasianismo - Simbolismo na poesia contribuiu para criações significativas.

Em vez disso, tínhamos uma literatura pouco divulgada e explorada pela população brasileira, servilmente submissa a modelos europeus. Entretanto eram artefatos de seu tempo. Tal produção era significativamente caracterizada por um de seus representantes, Afrânio Peixoto, como “literatura sorriso da sociedade”.

Em oposição a este cenário tradicional os escritores denominados pré-modernistas anunciam o Modernismo.

Com o início do século XX, surgem autores dispostos a olhar de frente para o Brasil e a fazer de suas obras um espaço de exploração das muitas facetas sociais até então não exploradas pela Literatura.

Os escritores e poetas resolveram viver novas idealizações e enfrentar o desafio de construir uma Literatura que estivesse em uma melhor sintonia com o momento em que era produzida.

Ganham as páginas dos romances personagens marginalizadas, como o pequeno funcionário público, nas obras de Lima Barreto; o caboclo, imortalizado na figura de Jeca Tatu, criação de Monteiro Lobato; os imigrantes, que chegam para povoar o território brasileiro e se vêem às voltas com uma cultura e um povo desconhecidos, como os alemães Milkau e Lentz, em Canaã, de Graça Aranha.

Jorge José de Souza Pereira
Graduando de Biomedicina pela Universidade Federal de Pernambuco
Iniciação Científica nos Laboratórios de Glicoproteínas e Produtos Naturais - UFPE
Diretoria de Comunicação do Diretório Acadêmico de Biomedicina da UFPE (DABIOM)


Publicado por: Jorge José de Souza Pereira

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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